Cidadania

Cidadania é o conjunto de direitos e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação a sociedade em que vive.

Cidadania pressopõe todas as implicações de uma vida em sociedade.

Eu sou um cidadão brasileiro, portanto tenho direitos e deveres políticos que respeitem o Estado brasileiro. Mas, que direitos e deveres são esses? Hoje cedo depois de ler um texto sobre sociedade, fiquei me indagando: Qual a minha importância na sociedade? Que importância a sociedade tem pra mim? Questões profundas que merecem reflexão.

A nacionalidade é pressuposto da cidadania. Assim, ser nacional de um estado é condição primordial para o exercício dos direitos políticos. Eu sou brasileiro e no Brasil os direitos políticos são regulados pela Constituição Federal.

Cidadania é um conceito profundo e de difícil entendimento.

Pense você. Para a sociedade é melhor que eu estude ou é melhor que eu trabalhe? O Estado brasileiro valoriza mais o cidadão estudante ou o cidadão trabalhador? Trabalhador no Brasil, você pode ser desde muito cedo, desde os dezoito anos de idade se eu não estiver enganado. E estudante? Estudante você pode ser durante a vida toda. Sendo estudante você não estará contribuindo e sim se beneficiando. Você terá saúde e educação oferecidas pelo Estado por exemplo.

Qualidade, e se pensarmos em qualidade? A contribuição que eu dou como trabalhador, retorna na forma de educação e saúde de qualidade? Aliás quem avaliará o meu valor como trabalhador? Quanto mais tempo eu estudar, mais valerá a minha mão de obra, mais contribuição eu darei ao Estado como trabalhador e mais deveria ser o meu benefício, você não acha?
Cidadania é um conceito profundo e díficil de entender.
Veja a corrupção. Você gostaria de contribuir para que o seu benefício vá para outra pessoa? Seria a mesma coisa de pagar a escola do filho vizinho. Todo fim de semana, comprar a cerveja para o seu vizinho tomar e dependendo do imposto, comprar também a carne para o churrasco dele. Cidadania é isso?
Afinal, os corruptos são cidadãos? Quem tem mais valor para sociedade: um corrupto ou um estudante?
Cidadania é um conceito profundo, muito profundo.

Sem Data

<conto>

Ele colocou as malas no chão e respirou profundamente. É um novo dia; o começo de uma nova era, praticamente uma revolução em sua vida. Não fosse ali, naquele, diga-se, solo propício, onde mais seria? Um tempo novo. Mas nada de festas pra isso; novo sim, mas comum, como os outros, como um qualquer.

O jovem, lá pela metade dos seus vinte, ficou a inspecionar o apartamento. Era tudo muito bem limpo e cuidado; nada ali cheirava a lembranças, nada ali podia fazer com que sentisse saudades de alguém. E era justamente por isso que tinha se mudado para ali, um lugar onde as memórias não lhe fariam mal.

Apesar de ser vista como soturna e pacata demais, ele achava a vila dos sem-data simpática e aconchegante. A vila era uma ilha de paz e tranquilidade, numa visão geral, em relação ao resto da grande cidade.

Era composta por duas ruas, pequenas, em que as pessoas não se espremiam apenas pela falta de multidão. Os prédios eram de tons claros, e, apesar de bem construídos, pareciam não ser lá muito retos, o que dava um toque todo fantástico ao lugar. Havia algumas barraquinhas aqui e acolá; uma cafeteria, uma loja de cds, um mercadinho. O que aquela vila tinha de tão especial? Ali as datas não são comemoradas. Data alguma.

Muitos órfãos eram mandados para lá. Não havia dia das mães, nem dos pais, a comemorar. Filhos que morriam cedo deixavam pais sem vontade alguma de comemorar o dia das crianças – e ali moravam tais pais.

Quem conhecia a vila, seja porque alugava lugares lá ou por carinho que tinha com os moradores, poderia sempre enumerar casos e casos específicos. Gente que tinha raiva do natal, da páscoa. Parentes de pessoas torturadas e mortas por militares durante a ditadura que não suportavam o dia da bandeira; a lista era extensa, e muito variável.

O novo morador da vila não tinha um caso tão complexo ou trágico. Ele só queria distância do dia dos namorados; logo que pensou nisso seus pensamentos voaram, suaves, silenciosos, tortuosos em direção a ela; linda. Linda, linda e tão, tão falsa. Tão insensível. Seria a vila dos sem-data a vila da tortura? Uma maldição disfarçada, que faz, por vontade de esquecer, lembrar? Seria lembrar, lembrar até se acabar – lembrar até se cansar – o caminho pra nunca mais querer ver pela frente o próprio passado?

Ele chorou ao pensar assim, em espiral, cada vez mais negativamente… Chorar é quase sempre explodir. A construção da bomba se dá pouco a pouco, numa progressão – de constatações ou calúnias que vêm de pouco autoestima – que culminam numa grande explosão, que dá pra sentir naquele ápice de miséria, tão característico do começo teatral de um bom choro.

Ela não deveria ter feito isso, não poderia ter feito isso, pensava ele. “A quem eu queria enganar, vindo pra cá”?

Mas não havia ninguém pra enganar. Com intenção, sem intenção – ali não havia dissimulações. Estava estampado no rosto de todo mundo. Estava no rosto do padeiro. Estava naquela mulher de cabelo curto que “olha o movimento” pela janela todas as tardes, como estátua. Está na simpática senhora do mercadinho. Todos ali sabiam da verdade:

Se você está aqui, é porque você sofreu.

Ele enxugou o rosto do melhor jeito que pôde com as mãos, e nenhuma outra lágrima caiu. Ele olhou em volta. Foi até o banheiro, abriu a torneira, viu que havia uma garrafa de água na geladeira. Ele ia viver ali. Seria bom. Quem sabe, quem sabe; ele poderia até ser feliz.

Sobre discussões

Há algum tempo, conversando com o Santaum, eu disse que,  na maioria das discussões que presencio, os dois lados falam a mesma coisa com palavras diferentes. E o post do Marcílio  tocou exatamente neste tipo de discussão.

E este tipo de discussão que acaba gravando um sentido ruim à palavra. É quando as partes entram pra “ganhar”. Completamente improdutivo. Esse tipo de aproximação só é tomada por quem ainda acha que existem verdades e mentiras, preto e branco. Beira o infantil.

Depois que comecei a perceber isso, minha vida ficou muito mais ao meu gosto. A pessoa pode ser muito linha dura, mas com a escolha certa de palavras, consegue-se o que se quer. Diriam que eu seria advogado. Minha maior diversão era argumentar com alguém de crença inabalável, levando a pessoa a concordar até a última premissa, e observar a inquietude de seus olhos enquanto ela escolhe entre raciocínio ou submissão cega. Geralmente é a segunda que prevalece. Mas nunca tão plena como antes. Deve ser esse o gosto de um mindfuck falho.

Qualquer um com uma abordagem mais “científica” aproveita muito uma discussão. Teorias são discussões, e até a mais aceita deixa brechas para outras, e/ou então assume sua falhabilidade com considerações.

 Um problema que tenho tido após ver o mundo em cinza é que concordo e entendo quase qualquer tipo de postura. Talvez seja nesse ponto que eu escolho entre raciocínio e submissão cega. Qual será que vence? Vence?

Alguns podem interpretar isso como falta de opinião. Não concordo. Acho que minha opinião é forte e flexível. E pra quem acha que estes dois não são compatíveis, mostro os gráficos do comportamento de aço de alta qualidade e ferro fundido quando sofrem tensões. Força e flexibilidade seguram os tijolos dos seus edifícios há anos! :D

Comecei a ver, também, que muitos déspotas e vilões pensaram muito mais do que eu imaginava. Eles parecem ser os mocinhos que desistiram e escolheram o atalho.

Grande abraço!

Absoluto ou Relativo?

A primeira noção de relativismo que tive na vida foi quando numa aula de física, o professor fez a seguinte pergunta à turma: estamos em movimento ou em repouso? Bom, se o referencial adotado para responder a questão for a Terra, estamos em repouso relativo. Se o referencial adotado for o Sol, estamos em movimento relativo.

Aula interessante, questão interessante. Ali, comecei a achar a ciência diferente, intrigante e novamente muito interessante. Pensei comigo: Não existe certo ou errado, assim como não existe movimento ou repouso absoluto. Tudo depende do referencial adotado. Que legal! É interessante quando nossos neurônios fazem conexões que nos proporcionam a obtenção de novos conhecimentos, novas visões de mundo.Verdade abssoluta não existe. Não é maravilhoso?

Pense em quantas discussões poderiam ser evitadas se as pessoas tivessem essa simples noção de tudo que nos cerca?

Detesto discussão, principalmente quando ela se transforma numa enorme briga. Na realidade, uma discussão começa quando alguém resolve impor para outrem a sua propria verdade. Ridículo isso, pra não dizer primata, infantil, fruto de total falta de conhecimento e mínimo raciocínio.Você ja viu alguém “ganhar” uma discussão?

Imagina o pobre Copérnico. Coitado! Ele não precisaria ter se tornado vítima da inquisição só por ter proposto um novo referencial, um novo ponto de vista. Como as pessoas eram ignorantes na Idade Média. Meu Deus! E como continuamos sendo as vezes até mais nos dias de hoje. Lembrando que Copérnico foi vítima da Santa Inquisição, mas Santa Inquisição já não é em si um baita contrasenso? Na verdade, para nos redimirmos da nossa própria falta de conhecimento, deveríamos classificar de Santa só a ignorância.

Pensando nessa pequena reflexão farei algumas perguntas e vocês respondam a si mesmos de acordo com seu próprio ponto de vista.

Deus criou o universo?

Existe vida após a morte?

O petróleo é uma fonte de energia não renovável?

Ondas de celular causam câncer?

Imaginem quantas pessoas nós queimaríamos e quantos países entrariam em guerra dependendo da resposta que eles dessem a essas simples perguntas. Meu Deus!!! Que volte a Santa Inquisição!

Intertextualidade

Dunno about you, mas houve uma época onde tudo me parecia bem definido e estático. Aquela época fundamental de jardim quando matemática é matemática e português é português. Aquela época desligada durante o médio quando você escolhe exatas, humanas ou biológicas. Aquele quando quando tudo é preto ou branco, onde Cabral descobriu o Brasil e tudo que se ouve é verdade. After that, just what you read is true.Mas então surge a época da intertextualidade. Mestres enchem a boca ao dizer que a maestria deles rege as outras, e não o contrário. 

Houve a época em que existiam inteligentes e burros, bons e maus, certos e errados, sábios e idiotas. Mitologia era ciência ultrapassada e os antigos eram antiquados e enterrados numa simplicidade sufocante e ignorante.

Mas então começo a ver que o que não importa realmente te ajudou a perceber o que ninguém viu [ou, agora, se importou em ver ou mostrar que enxergou].  Agora eu, o simples idiota cercado pela ignorância e prepotência. Como nossos pais faz sentido. Gente brilhante existiu e mudou, gente fútil passou-se por brilhante. É tudo cinza.

Procurar um lugar onde as pessoas confessam que não sabem. Mas lá, ver que tudo é, realmente, uma coisa só. O evidente efeito borboleta, mais visível do que nunca, mesmo que mais sutil do que nunca. A análise de tudo junto, após olhar pra tudo separado. A peça do quebra cabeça. Quantum entanglement. Se tudo já foi uma só partícula, se tudo se desenvolveu no tudo de hoje, então tudo está ligado com tudo, porque tudo já foi um só. E isso é física. Mais um pedaço da grade pra analisar o lado de fora, tentando acabar com as grades.

E agora Édipo e Chronos encontram o Paradoxo do Avô. Mas tava na cara. Difícil de resolver aqui? Mude as leis. Não, mude o universo, resolva, mude de volta. Trivial.

A disciplina superior de Cálculo Diferencial exige funções contínuas e não poderia ser aplicada a nenhuma realidade material, já que a matéria é descontínua. Lembrar sempre que “A descrição do mundo real e as conclusões que dependem da hipótese do continuum só valem para fnômenos que ocorram em escala suficientemente grande em relação à da estrutura molecular”. E me identifico com isso.

Não sou diferente daquele que vê e não quer saber porque. Só tento ser, mesmo sabendo que não acontecerá. 

E só trabalhamos com probabilidade quando desistimos de uma aproximação satisfatória, reconhecendo a superioridade das variáveis e assumindo que Deus até pode jogar dados.

A discussão que parecia tão nova já existiu seguidas vezes e alguém estava se achando o intelectual por ter pensado nisso. E se não tinha visto antes e pensou nisso, pode ser que sejamos previsíveis, máquinas parecidas, existe um padrão e ele pode ajudar a prever o próximo pensamento.

A memória de longo prazo, antes fixa, sofre grande abalo enquanto espero o jogo de futsal lendo uma revista após uma prova de inglês. Talvez, a cada vez que lembramos, mudamos a lembrança. Pra melhor ou pra pior, se é que isso existe.

Escolha o sentido. O que é passado e o que é futuro? A análise é sua, você pode. Isso muda a “realidade”? A resposta simples e imediata é ‘não’. Um pouco mais e vejo que minha abordagem muda minha reação, mudando o meu futuro. Pra melhor ou pra pior. Mas a resposta certa? Tudo está ligado. Certa?

Hahahahaha! E há quanto tempo o espaço e o tempo são espaço-tempo, e a massa os curva?

That little amusing narrow view…..

Tempo e Determinismo às avessas

Inspirado por um post do Peterson.

Numa fase de sucessão de pensamentos sensitivos acerca do determinismo, livre arbítrio e suas consequências, me deparei com fontes distantes e diferenciadas que abordavam o mesmo assunto.

Uma fonte foi o Orkutcídio.

Outra, bem inesperada, foi um exemplar da revista Galileu de fevereiro de 2000[nº103] jogado ao acaso num dos banheiros da república onde moro, em Ilha Solteira. Dizia o seguinte:

“Há um antiquíssimo debate entre livre-arbítrio e determinismo. Podemos mudar nosso destino ou a vida segue em frente de acordo com um plano pré-formulado?

Imagine que você vá a um desses cinemas com múltiplas salas de exibição simultânea. Você compra um ingresso, passa pela roleta, vai à lanchonete e adquire um saco de pipocas. Entra numa sala e começa a assistir ao filme. Em poucos minutos, percebe que é um filme de que não vai gostar. Sai da sala e entra em outra. Gosta do filme e fica.

Você pode ver claramente que seu único livre-arbítrio em toda essa situação foi escolher a qual filme queria assistir. Seu controle sobre os filmes era nenhum. Todos os filmes na sala de projeção haviam sido previamente escolhidos pela direção do cinema. E mais: todas as histórias dos filmes haviam sido previamente escritas por roteiristas e filmadas por cineastas.

De acordo com a teoria dos universos paralelos, a nossa vida é como a situação que você teria vivenciado no cinema. Versões diferentes da sua vida estão transcorrendo ao mesmo tempo.

Elas existem nos universos paralelos. Assim como no cinema você não pode mudar o filme a que está assistindo, na vida você não pode mudar o filme de que está participando. Mas tem a capacidade de escolher um ou outro filme, um ou outro universo. Desse modo, nossa vida seria um constante escolher e mudar de universos, mesmo a cada pequeno instante.

É evidente que, na vida cotidiana, tudo isso acontece num nível inconsciente e automático, com todos os nossos sofisticados equipamentos mentais e volitivos sendo usados para manter o mundo tridimensional em funcionamento e nos permitir a tomada de decisões.

Esse é o mistério da vida, a maravilhosa complexidade existente por trás de tudo aquilo que nos parece tão simples. Nossa atuação no mundo não depende do conhecimento dessas mecânicas, assim como não precisamos saber como funciona a máquina de projeção para assistirmos a um filme.”

Li também sobre uma teoria que dizia que o tempo pode correr tanto pra frente quanto pra trás, tornando o passado tão dinâmico quanto o futuro [pra quem não acredita no destino imutável]. Se bem me lembro, Stephen Hawking concordou e discordou logo em seguida. É um tópico difícil de se imaginar.

Se no momento ‘c’ a bolinha acerta o chão, pode ser que você só a tenha soltado no momento ‘b’ porque sabia que o chão estava ali.

Que o futuro mude o passado, não é difícil assimilar. Não passamos a vida nos preparando pro amanhã? Não estudamos, trabalhamos e guardamos coisas pressupondo que o futuro será aproximadamente parecido com o passado? Se soubéssemos que nossa morte é semana que vem, não agiríamos de modo completamente diferente do ”normal”?

Mas, se pararmos pra pensar, o futuro é bem fixo. SE tivéssemos todas as variáveis do sistema, poderíamos prever tudo. A questão é saber se é possível ter todas as variáveis. A física quântica sugere que não é possível. A visão de Einstein era a que agora é chamada de “uma teoria da variável escondida”. Trecho de um artigo de Stephen Hawking:

Einstein’s view was what would now be called, a hidden variable theory. Hidden variable theories might seem to be the most obvious way to incorporate the Uncertainty Principle into physics. They form the basis of the mental picture of the universe, held by many scientists, and almost all philosophers of science. But these hidden variable theories are wrong. The British physicist, John Bell, who died recently, devised an experimental test that would distinguish hidden variable theories. When the experiment was carried out carefully, the results were inconsistent with hidden variables. Thus it seems that even God is bound by the Uncertainty Principle, and can not know both the position, and the speed, of a particle. So God does play dice with the universe. All the evidence points to him being an inveterate gambler, who throws the dice on every possible occasion.”

E se o futuro é imprevisível [E o complexo de Édipo? E a estória de Chronos e Zeus? A sina dos Oráculos?], como o passado pode ser fixo? Se é, se pode, então a dimensão temporal me parece toda poderosa, a senhora de todas as outras, aquela que decide, que assenta, que define. E se é fixo, não pode ser um exemplo do determinismo às avessas, uma comprovação? Caramba, tanta coisa! Se tantos gênios discutiram, embasados em intrincadas definições matemáticas, e nenhuma certeza foi encontrada, então com certeza não sairei com nenhuma certeza daqui.

A conclusão de Hawking:

“To sum up, what I have been talking about, is whether the universe evolves in an arbitrary way, or whether it is deterministic. The classical view, put forward by Laplace, was that the future motion of particles was completely determined, if one knew their positions and speeds at one time. This view had to be modified, when Heisenberg put forward his Uncertainty Principle, which said that one could not know both the position, and the speed, accurately. However, it was still possible to predict one combination of position and speed. But even this limited predictability disappeared, when the effects of black holes were taken into account. The loss of particles and information down black holes meant that the particles that came out were random. One could calculate probabilities, but one could not make any definite predictions. Thus, the future of the universe is not completely determined by the laws of science, and its present state, as Laplace thought. God still has a few tricks up his sleeve.

That is all I have to say for the moment. Thank you for listening.”

Grande abraço! 

Leis da Robótica, Leis da Humânica

Ah, que saudade! Quantas vezes ótimas idéias surgiram nonada, e nonada foram grafadas! Agora, de volta à casa.

Mais um post inspirado pelo grande autor Isaac Asimov.

Qual a essência da vida? O que nos faz ter consciência, o que nos faz ter alma, o que nos faz diferentes, especiais?  Temos vida, consciência e alma, somos diferentes e especiais?

A maioria das religiões não têm dúvidas: temos alma, somos superiores, estamos de passagem.

Eu não tenho tanta certeza. Primeiro, porque tudo me parece muito intrincado e especial. Não somos tão diferentes das plantas, das pedras, do vácuo.

Olho um computador: peças, matéria, programação virtual lógica.

Olho uma pessoa: órgãos, matéria, consciência.

Iguais. Ultraje? Blasfêmia?

Li livros de robótica escritos por Isaac Asimov[I, Robot; The Biccentennial Man; Robot Visions; etc], e achei que os robôs só estavam ali como escada. A análise da psique dos robôs não passava de um jardim de infância para a análise da consciência humana.

Isso dá medo. Queremos negar o determinismo, afirmar que temos livre arbítrio.

Pausa: segundo Isaac Asimov, a única maneira de garantir que os robôs somente beneficiassem os humanos seria gravar regras que não poderiam ser desobedecidas pelos robôs, garantindo eterna servidão. No mundo fantasia de Asimov, os cérebros positrônicos dos robôs seriam construídos de modo que os caminhos que representariam as leis fossem forjados na matéria do cérebro, para que qualquer tentativa de desobedecer as tais resultasse em destruição material irreversível do servo.

Muito legal. Consequências muito legais, bem mais elaboradas que os clichês frankensteinianos vistos até então[o filme Eu, Robô foi uma abordagem infantil do livro, diga-se de passagem].

Não, mas não acreditamos que isso possa, de alguma forma, ser análogo às condições humanas. Na própria fantasia dos livros, o sujeito que sugeriu as Leis da Humânica foi considerado idiota. Por quê?

A consciência, o que é? Não é eletricidade e hormônios? Não é resultado dos processos da massa encefálica? É algo mais, é…..especial?

Se o telefone não existisse e funcionasse, diriam que é impossível. Celular, televisão, energia elétrica. Computador. Recebe informações, processa, responde. Cérebro? O computador só faz o que é mandado, se não fornecermos informações a serem processadas e informação de como processá-las, ele não responde. Cérebro?

Ah, temos a capacidade de criar, inventar. Criamos e inventamos com informações observadas que os outros não viram antes. Não fazemos matéria surgir nonada. E pra quem ainda acha que computadores não inventam, ghosts in the machine.

Não acho impossível a existência de leis inerentes que nunca conseguiremos quebrar. Sempre levei a razão muito a sério em tudo, mas penso que em certas situações, nem toda a razão do mundo poderia me fazer agir racionalmente. E acredite, não é porque a emoção falaria mais forte. Você, nunca sentiu que, em determinada situação, sempre escolheria uma situação, mesmo que não fosse a racional? Nunca se sentiu previsível? Nunca sentiu que os outros são previsíveis?

Não pode surgir uma ciência avançada que conseguirá prever o comportamento humano, baseada em algoritmos desenvolvidos por alguém que tenha conseguido achar um padrão na nossa mente? Não poderemos criar uma máquina superior a nós mesmos em todos os quesitos intelectuais?

A criatividade não é somente um processo mais difícil de padronizar e racionalizar porque existem mais variáveis embutidas nela do que, digamos, num processo que o cérebro aciona para resolver uma conta de 2+3? É impossível colocar a criatividade numa máquina? Não somos uma máquina? Não somos feitos da mesma matéria que está na máquina? Onde é, na máquina, que os metais fazem idéias em símbolos saírem do virtual, virarem matéria grossa, serem transportadas por fios e, mais uma vez, a virtualizam? Can you grasp that?

O que é ser especial? Uma máquina não é especial? Uma pedra não é especial? O vácuo não é especial?

Ah, como eu gostaria de ter certezas!

Merci et au revoir.

Acerca da Solidão

Vou colocar aqui um trecho muito interessante da obra “As Portas da Percepção”, de Aldous Huxley. Neste ensaio, Huxley conta como foram suas experiências com a mescalina, o princípio ativo do peiote, planta usada pelos nativos norte-americanos para ter verdadeiras “viagens” espirituais.

O trecho em questão é genial. O vocabulário, a estrutura, o modo como explica, enfim; ainda que se trate de uma tradução, creio que ele descreveu de maneira belíssima esse conceito. Uma vez eu disse a meu pai “estamos sozinhos, existencialmente” e ele retrucou “não se você buscar os outros e etc” – há uma resistência, não só por parte dele mas por parte de várias pessoas, a entender esse conceito fundamental de solitude existencial. E Huxley escreveu isso de uma maneira particularmente genial nesse primeiro parágrafo:

Vivemos, agimos e reagimos uns com os outros; mas sempre, e sob quaisquer circunstâncias, existimos a sós. Os mártires penetram na arena de mãos dadas; mas são crucificados sozinhos. Abraçados, os amantes buscam desesperadamente fundir seus êxtases isolados em uma única autotranscendência, debalde. Por sua própria naturez, cada espírito, em sua prisão corpórea, está condenado a sofrer e gozar em solidão. Sensações, sentimentos, concepções, fantasias – tudo isso são coisas privadas e, a não ser por meio de símbolos, e indiretamente, não podem ser transmitidas. Podemos acumular informações sobre experiências, mas nunca as próprias experiências. Da família à nação, cada grupo humano é uma sociedade de universos insulares.

O Vento

As pessoas são como plantas. Plantas que crescem no meio do vento que é o resto do mundo.

O vento das oportunidades, o vento das restrições, o vento da cultura, o vento dos fracassos e dos fracassados.

É um vendaval que nunca para. E a planta cresce. Ela resiste. Cresce também de acordo com sua informação genética, é claro, mas tem que se conformar com o vento e planejar sua adaptação a ele.

Ela pensa em um dia ser frondosa árvore.

Mas o vento é o vento. O vento pode quebrar uma planta. Tamanha força pode afastar polinizadores. No mínimo, a árvore acaba torta depois de tanto contato com essa força implacável. E torta ela cresce. Pra um lado ou pro outro, torta.

É ridículo dizer que a planta cresce sem o vento. Que, não, imagina, o vento não a afeta. Pode o vento transformar pitangueiras em jabuticabeiras? Mas como apontar para uma planta e dizer que ela é torta porque quer?

Mas… Talvez…

Talvez os homens não sejam plantas. Talvez não sejam como plantas. Talvez sejam simplesmente humanos. Humanos ao vento, tentando resistir. Às vezes colocando a mão à frente do rosto; às vezes desistindo e resolvendo sentir de vez o vento ao invés de brigar com ele. Por vezes caindo e ficando lá no chão, imóvel, parado. Estatelado.

Às vezes ele consegue dar um passo à frente. Ele se desequilibra, é complicado, mas ele vai. Ele tem determinação pra tanto.

Eventualmente ele pode descobrir que não gosta do caminho para o qual está indo. Às vezes é contra o vento, às vezes não. O importante é que ele tente. Importante é que ele não é uma planta, mas um humano. A explicação acaba aí; humanos possuem consciência – de alguma forma somos quem somos e, mesmo que por alguma mínima e ridícula diferença, não somos animais tanto quanto os animais o são.

Nós podemos tomar o controle da nossa vida? “Fazer valer à pena” tem como requisito assumir certas responsabilidades para com liberdades que queremos ter e com liberdades que vamos, querendo ou não, ter. Se jogar no vento de cabeça, não com galhos e folhagem, contando com uma incerta raiz, esperando o destino atuar.

Talvez ser planta ou homem é uma questão de escolha. Talvez a escolha não seja fácil de realizar – mas, indeed, talvez seja uma escolha…

Sorria, a auto-ajuda chegou!

Sei que você volta e meia tem se sentido sem saída, sem esperança, sem perspectivas de futuro. A vida nos tempos modernos tem sido uma correria na qual as pessoas não conseguem mais reservar momentos para o convívio no lar. Dentro da família, filhos se revoltam e se drogam, brigam na escola; esposas tomam tranqüilizantes e antidepressivos, e com a crescente falta de diálogo, crises no relacionamento fazem surgir uma bola de neve que, com o passar do tempo, se desaba como uma avalanche sobre todos. Casos extraconjugais surgem, vindos de ambas as partes… Você começa a ficar gripado facilmente. Começa a sentir cansado já no início do dia. Deixa escapar lágrimas quando menos as espera, e se assusta.

Sua pele está se desmanchando, sua cara ficando torta, em suas mãos estão surgindo verrugas, feridas e escamas, seu corpo esmilingüido está em putrefação… Você já saiu da Igreja Católica, e foi para a Umbanda, depois para o Espiritismo, para o Budismo, ou até já experimentou tudo isso misturado num coquetel só, ou até mesmo chegou a se filiar à Igreja Quadrangular do Triângulo Redondo do Alvorecer Losangular Paralelepipeidal – mas, até agora, nada funcionou.

E você não agüenta mais. Basta!

Agora me responda, irmão, é isso o que você quer por toda a vida? Ficar indo e vindo de tentativas frustradas para acabar com esse desespero que assola tua alma? É isso o que você merece? Ou será você um bandido? – não, você não é um bandido; é um homem de bem, que paga suas contas e seus impostos, e trabalha para comer o pão de cada dia graças a seu honesto suor. Você não merece todo esse vazio em sua vida.

Certamente, em algum momento de angústia, seja devido àquela vontade de nunca mais voltar ao escritório, ou devido àquela tristeza súbita que surge “do nada”, você, encolhido no canto do box do banheiro, deixando a água cair sobre seu coitadinho corpo, tenha olhado para o alto e perguntado para não-se-sabe-o-quê: “Por quê? Por quê? Whyyyyyy!!! Por que isso está acontecendo comigo? Isso não é justo! Eu não mereço!!!

Bom, é com satisfação que venho trazer a boa-nova que salvará sua vida: o nome dela é Auto-Ajuda. Sorria, seus problemas acabaram!!! Seja feliz em uma semana, e caso a tristeza tente voltar, lembre-se das palavras que estão prestes a ser ditas, e veja como esse método é mesmo muito eficaz. Está pronto? Então vamos lá, amigo! Preste agora bastante atenção!

Primeiramente, se você ainda não misturou uma colher de sopa de alegria, com uma xícara de entusiasmo, e não deu uma pitada de amor em toda essa receita-de-merda, sinto muito, irmão, mas sem otimismo e perseverança, você não chegará a lugar algum. Além disso, não se esqueça de um detalhe importantíssimo para quem quer se curar por esse nosso método: nivele-se por baixo. Não entendeu? Calma, vou explicar:

Se você está nervoso porque o trânsito está caótico e agressivo, cheio de gente má; se você está insatisfeito porque seu bife de domingo disse “miau!” por não ter sido bem passado; se você reclama por causa das goteiras da sua casa; se você sente raiva do seu chefe porque o escarro dele você tem que lamber e ainda faz hora-extra sem receber; se seu salário não cobre todas as despesas da casa; se seu orgulho está profundamente machucado porque você descobriu ser mais um corno no mundo; se sua filha é uma prostituta universitária de luxo que faz programas para comprar bolsas caras e sapatos de grife; se seu filho se droga com cigarros de maconha… Enfim, se qualquer, e digo qualquer problema for detectado pelo seu cérebro tão pirracento, não caia na dele! – aplique a Técnica do Nivelamento Por Baixo. Veja como fazer, é fácil! – :

O trânsito é caótico e agressivo. Portanto, pense nas pessoas que precisam andar a pé sob o escaldante sol. Elas estão numa situação pior que a sua, e isso com certeza fará com que seu ilustre espírito medíocre se sinta um pouco melhor. Se sua casa tem goteiras, há pessoas que moram na ponte (o mesmo vale para quando você não estiver satisfeito com seu salário). Se você tem que lamber o escarro do seu chefe, pense naqueles pobres-coitados que têm que lamber coisas piores, ou naqueles que nem sequer têm essa oportunidade de vender força-de-trabalho pra sobreviver. Se você se descobriu um novo corno, veja isso como benefício, como uma oportunidade rica para aprender a perdoar e dialogar, e lembre-se de que o resto do mundo também é corno, pelo menos uma vez na vida.

Entendeu? É simples, e funciona. Funcionou comigo. Afinal, eu não recomendaria se não desse certo. Hoje sou mais um (otário) leitor de livros de auto-ajuda, que devora tantas palavras imundas como um adolescente carente devora freneticamente Big-Sanduíches dentro de fast-foods.

Bom, raramente a infalível Técnica do Nivelamento Por Baixo falha. Se, mesmo sendo infalível, ela com você falhar, há ainda uma outra técnica, a Técnica Das Cartas Na Manga:

Você está aí, tentando se auto-ajudar, mas ainda não consegue… Bom, vale lembrar que Airton Senna não se tornou campeão na primeira vez que dirigiu um carro de Fórmula 1. Primeiramente, ele precisou aprender a dirigir um carro normal, e para tal feito, teve que fazer aulas na auto-escola. Ele com certeza encontrou aqueles pedais e ficou confuso, e teve vontade de desistir… Mas não desistiu, e teve esperança. Esperança é a palavra, irmão, tenha esperança! Não deixe a peteca cair! Bola pra frente! Afinal, o que falta para aquele que tem abundante esperança?

Ninguém aprende a andar de bicicleta sem cair. Sua vida está um lixo, o que te leva a recorrer a técnicas tão deprimentes de auto-ajuda, e em vez de se sentir envergonhado disso, consegue achar bonito e recomenda aos seus amigos e familiares os livros imbecis que andou lendo na última semana. Portanto, lembre-se que, tendo persistência e, acima de tudo, esperança, você chegará lá. O presente é apenas um meio, o futuro te espera; não desista, irmão!

Nunca se esqueça de pensar positivo. Otimismo sempre! Se alguém chega perto de você de mau-humor, cabisbaixo, com a cara amarrada e com aquele bico, afaste-se. Não é bom para você ficar perto de energias negativas. Lembre-se que O Segredo é pensar positivo. Feche os olhos e concentre suas forças, dizendo dentro de si: “Eu vou conseguir! Isso ou aquilo vai acontecer! Eu sei que vai!” E, se não funcionar, lembre-se que pelo menos você tentou, e isso já é um grande começo. Há pessoas que nem sequer tentam, e isso só atrai mais negativismo. Além disso, é com diz o velho ditado: “O importante é competir!”.

E não se esqueça que, antes de qualquer coisa, você é um filho-de-Deus, e que Ele não quer mal a você. Lembre-se disso. Se algo acontece que te machuca, é por um bom motivo. No final das contas, Ele sabe o que faz, e tudo dará certo, acredite. Se você sofre, significa que está se aperfeiçoando ou pagando por algum erro. Errar é humano, somos imperfeitos e blá, blá, blá, blá, blá… É justo de qualquer forma. E você é uma alma bela, tenha certeza disso. No final das contas, tudo faz parte de um equilíbrio, de uma justiça que nós, insignificantes mortais, não poderíamos ousar compreender ou sequer questionar. Portanto, ande, siga adiante e não olhe para trás. E não só ande… Cante, grite, pule, dance! Sei que já está começando a se sentir melhor. Com esses nossos fantásticos métodos infalíveis de auto-ajuda, por pouco você em poucos dias não andará na água!…

– Pensamento positivo, sempre!!!!!

 

[Sorte de hoje (ao som da bela canção “Deixa a vida me levar”): Deus ajuda quem cedo madruga]

« Entradas anteriores Próxima Página » Próxima Página »