Esqueça o século XX. Esqueça o século XXI. Esqueça o tempo cronológico e religioso no qual fomos submetidos. Se quiser definir esse tempo como histórico, tudo bem. Não tem problema. Esqueça o Capitalismo. O modelo econômico atual. Esqueça o consumo, conforto, futilidade.
Esqueça o mundo pan-técnico que surgiu com a revolução industrial. Esqueça o computador. Esqueça a internet, mas não saia da internet sem ler este texto. Esqueça a energia, seja ela elétrica, a vapor. Qualquer coisa. Considere apenas a energia natural.
Esqueça todos os meios de transporte. Sobre estes estou considerando avião, trem, carro, motocicleta. Tudo que consome combustível fóssil, ou elétrico. Tudo que gasta energia. Estou desconsiderando a bicicleta porque a energia gasta para produzir alumínio (15 kWh para cada quilo de alumínio) e borracha petroquímica é compensada pela ausência de consumo energético variável desse tipo de transporte. Ou seja, apenas custo energético fixo, e não variável. O primeiro é compensado ao longo do tempo pela ausência do último.
Esqueça que temos 7 bilhões de seres humanos. Esqueça que temos construção civil, edifícios de mais de 2.000 pés de altura, como o Burj Dubai. Esqueça que existe construção de alvenaria, ou metálica. Esqueça que temos elevadores, principalmente o elevador deste mesmo prédio, que irá atingir sua velocidade máxima de 65 Km/h. Esqueça, novamente, todo tipo de tecnologia, seja de qualquer tipo. Esqueça o consumo absurdo e excessivo de água potável. Esqueça de ouvir música em qualquer mecanismo que demande consumo de energia. Esqueça qualquer tipo de consumo que não seja pela sua sobrevivência.
Esquecendo isso tudo, e mais alguma coisa, considere que somos seres humanos, limitados fisicamente e capazes de pensar devido a nossa limitação física. Considere também, pela nossa limitação física, que somos obrigados a criar em nós mesmos um metabolismo basal para que a gente descanse. Em outras palavras, considere que nosso corpo limitado não consiga viver sem o nosso sono.
Suponha que não saiba os nomes dos seus órgãos, nada de biologia, e domine a matemática humano-moderna. Que domine também a física. Suponha que não exista roupa, que viva naturalmente pelado, como na criação (escrita por aí afora).
Agora imagine um mundo sem essas coisas. Talvez um mundo natural, sem mecanismos tecnológicos. Sem consumo. Imaginemos agora, uma reação espontânea e natural de uma pessoa numa situação dessas, considerando alguns pensamentos loucos e exagerados da minha pessoa.
“Acordo… abro alguma coisa. Que sensação boa! Eu estou enxergando… Eu enxergo, que maravilha. Minha visão é espacial. Consigo diferenciar a altura, a largura e a profundidade. Mas não consigo ver o tempo. Nem cheirar. Nem tocar. Nem ouvir. Porém, penso, reflito, consigo imaginar o tempo. Mas o que é o tempo? Seria um tempo cronometrado? Medido? Ou seria o tempo da imaginação? Posso cronometrar o tempo da minha imaginação? Eu consigo tocar, sentir alguma coisa quando está quente, molhada (ainda não defini a água) ou fria. Que bacana. Sinto dor também. Escuto. Estou escutando alguma coisa, talvez o movimento de algum animal gigante. Que cheiro ruim este agora! E veio de mim mesmo. O que será que eu fiz? Vou me locomover para o cheiro ficar melhor. Que sensação estranha é o cheiro. Resumindo, tenho 5 sentidos? Quer dizer, dentro do que é perceptível no meu pensamento e acurácia, percebo intuitivamente 5 sentidos? Tenho um corpo! Que maravilha… E meu corpo tem uns membros ligados ao meu corpo. Eles se movem para qualquer direção. Movimentos livres. Olha! Tenho também na parte inferior. Será que eu consigo andar? Deixa eu decidir. Eu vou andar. Estou andando… Pela minha decisão. Que bom! Acho que dá pra fazer uma modelagem matemática tridimensional destes movimentos. O que considerar? Quais as hipóteses simplificadoras? Quais as condições de contorno? Agora, por que tem alguma coisa dentro de mim que mexe? Tem alguma coisa batendo aqui dentro. Batimentos quase que contínuos. Movimentos alternados. Que interessante. Mas eu não posso controlar. Se isso parar de funcionar o que acontece? Olha, tem outra coisa também mexendo dentro do meu corpo. Será que é o ar? É verdade. Entra e sai. Estou respirando. É isso que é respirar? Como é bom respirar. Ar puro. Natural. Será que o que eu inspiro é o mesmo que eu expiro? Este eu posso controlar! Vou parar de respirar por um tempo. O que acontece? Ah não, não gostei desta experiência. Posso também modelar alguns mecanismos matemáticos de transferência de massa, quantidade de movimento, e quem sabe calor. Porque o ar que sai dentro de mim é mais quentinho. Mas que maravilha é esse negócio de andar. Posso ir para onde eu quiser. Mas para onde pretendo ir? Não já tá bom ficar por aqui? E que fantástico é esse negócio de pensar. Penso, logo existo? Ou existo, logo penso? Ou nenhum dos dois? Onde ouvi falar dessa frase alegre mesmo? Estou com sede. Desejo beber alguma coisa. O que é isso? Vou chamar de água (pronto, definição feita). Vou beber esta água. Que bom! Que água boa. Matei a minha sede. Estou com fome. Mas o que é fome? É isso que eu estou sentindo agora. Vou comer alguma coisa. Vou pegar algum fruto da árvore. Quem sabe uma maçã, como na criação! Criação? De onde tirei esta palavra? O que é isso? Tenho que comer uma coisa que me dê mais força, inteligência. A maçã e a água não são suficientes. Tenho que comer carne. Matar um outro animal. Pode ser aquele gigante ali mesmo. E agora? Ele é maior do que eu. Como vou comer ele? O que é isso? Uma pedra? Nossa, tem ponta. Posso fazer um cálculo matemático para projetar essa pedra naquele animal gigante? A carne dele deve estar suculenta. Pronto. Cálculo feito. Preparando arremesso? Animal gigante morto. Vou comer a carne dele. Mas a carne dele é crua. Será que tem como cozinhar?”Grande abraço a todos.
Rev. Peterson Cekemp disse,
2 Novembro, 2007 às 2:28 pm
Voltando às origens, é?
Interessante… *pensando*
Sentiria falta de música. Bom, eu poderia fazer umas, mas acho que eu estaria mais preocupado em descobrir como cozinhar a carne do que tentar tocar Fall Out Boy com as mãos no tronco de uma árvore. =D
Abraço.
Santaum disse,
2 Novembro, 2007 às 6:37 pm
Fala meu caro!
Sobre a música, é verdade. Sem música não dá né cara…