Chance

Chance é um troço interessante.

Qual a chance que uma pessoa recém formada tem de arrumar um belo emprego e ganhar de início quatro mil reais por mês? Imagina. Quem não quer um início profissional desse?

Eu, por exemplo, gostaria de poder trabalhar um dia de terno e gravata. Me sentiria importante, respeitado, sentiria mais orgulho de mim mesmo. Seria a realização de um sonho. Porém, para que os sonhos se realizem todos nós temos que ter uma chance. Chance é tudo ou nada e além de tê-la você tem que saber aproveitá-la.

Pense em quanta energia é gasta para que um indivíduo tenha no início de sua carreira um salário decente. Quantas horas de estudo? Primeiro para entrar na universidade, depois quanto esforço pra sair dela! Aliás, o Brasil, em todo seu território, não tem uma única universidade listada entre as 100 melhores do mundo. É de se esperar que para um indivíduo ganhar mais de dez salários mínimos por mês e trabalhar de terno e gravata ele tenha que ter uma boa formação.

Evidente que temos exceções. Deputados e senadores têm boa formação? Porque damos tanta chance a eles? Chance é tão difícil. Quanto menos chance eles nos dão, mais chance eles têm, ganham muito mais que quatro paus por mês, mas como se chance na vida é tão difícil? Malditos políticos que fazem diminuir as chances dos cidadãos comuns. Esse fato por si só diminui a chance dos meus tão sonhados quatro mil reais iniciais?

Chance. Sempre ela. Qual a chance de um cidadão brasileiro que não seja filho de político ou de qualquer outro ladrão qualquer, estudar em uma das 100 melhores universidades do mundo?

Talvez seja possível chegar ao objetivo de carreira digna estudando numa das melhores universidades brasileiras. Para sua chance aumentar, estude de preferência numa universidade paulista. Afinal, mais de 50% de toda pesquisa científica que o Brasil produz é realizada em universidades paulistas, sendo que destas, mais de 70% é feita pela USP e Unicamp. Chance de estudar em uma universidade paulista. Parabéns aos brasileiros que têm esse verdadeiro privilégio.

A verdade é que chance é parte inerente à vida de qualquer um, pode ser grande ou pequena. Mas a vida é feita de chance.

Chance é uma velha careca?

Tenho conciência de que meu texto pode ser considerado arrogante. Tendo em vista que eu falo em quatro conto por mês num país em que 90% da população ganha menos que isso. É mais fácil falar no Brasil em quantos brasileiros têm chance de sobrevivência. Quantos brasileiros têm a chance de se alimentar três vezes ao dia? O Brasil é um país que têm 60 milhões de consumidores. Consumidores no Brasil são os indivíduos que ganham mais de 400 reais por mês. Quero dez vezes mais que isso. Sou privilegiado só de ter a chance de sonhar com tal provento. Chance é realmente um troço interessantíssimo. Não sei defini-la, sei que ela pode ser chamada também de oportunidade e que ela faz parte da vida.

Quer chance?

P.S.: O Blog do Santaum mudou de endereço, movido a WordPress.

10 Comentários

  1. Santaum disse,

    10 Novembro, 2007 às 1:35 pm

    Grande Marcílio,

    Primeiro, obrigado por elogiar os estudantes das duas Universidades que citou. Realmente é um grande privilégio. Pelo menos a Unicamp não tenho nada a reclamar.

    Mas gostaria de comentar uma coisa, que inclusive nós já discutimos antes. Como é centralizada a educação brasileira! Se você observar, a porcentagem de publicações oriundas das renomadas universidades inglesas de Oxford e Cambridge é bem pequena. Da mesma forma na terra dos estadunidenses.

    Outra coisa é a questão da oferta e procura. O conselho regional propõe ao Engenheiro Químico um salário inicial de 10,5 salários mínimos. Seria o que, na verdade, está pretendo. Isso é arrogância? Claro que não é. É apenas um direito que você tem de receber aquilo que realmente merece. Só que o que acontece? O mercado é um pouco saturado, apesar de sempre surgirem boas oportunidades para profissionais da nossa área. Mas muitos aceitam o salário baixo, ou até mesmo desconhecem o salário que realmente deveríamos ganhar de piso. Até porque no Brasil não é fácil conseguir um bom emprego.

    Não sabia destes dados das faixas salariais, muito interessante.

    Novamente, seu texto e sua crítica foram excelentes.

  2. Santaum disse,

    10 Novembro, 2007 às 6:29 pm

    Grande Marcílio,

    Agora você me deixou curioso bicho, o que é uma “velha careca”? Seria uma velha sem cabelo, no sentido bruto da expressão? Heheheh.

    Por favor, me explique, que não entendi o parangolé.

    Grande abraço.

  3. marcilioestefanio disse,

    11 Novembro, 2007 às 10:23 am

    Santaum,

    Na verdade eu fiz apenas uma alusão a um ditado popular que diz que:
    “A oportunidade é uma velha careca com um único fio de cabelo”.

    Minha mãe sempre me fala isso.Quer dizer que quando nos é dado uma chance,uma oportunidade.Temos que agarrá-la como se ela fosse a última.

    Grande Abraço!!!!

  4. Santaum disse,

    11 Novembro, 2007 às 6:29 pm

    Huuuuuuuuummmmmmmmmm……………

    Hehehheheheh…

    Valeu. Parabéns pelo post.

  5. fatimatardelli disse,

    13 Novembro, 2007 às 3:55 pm

    Santaum.
    Boa-Tarde.

    O seu texto me fez pensar o seguinte: até que ponto esses jovens serão mais felizes?

    Sabe, na batalha do dia-a-dia (um ‘mamute’ por dia), continuar estudando ad infinitum, trabalhar para o sustento…tudo isso cansa, cansa muito.

    Mas, plagiando o comercial: ‘o que nos faz feliz’? Será que galgar altos postos, estar no pico do Everest, ganhar montes de dinheiro, publicar livros… será isso a felicidade?

    Ainda não tenho a resposta (nem tampouco sei se um dia a terei), mas acho que é só mais uma que acrescentaria às inúmeras levantadas por seu texto.

    Abraços. [:)]

  6. Santaum disse,

    13 Novembro, 2007 às 4:19 pm

    Olá Fátima,

    Seu comentário realmente foi muito interessante.

    Jovens felizes? Até que ponto? Pela questão do domínio da competição sobre o sonho, os jovens acabam se misturando com o geral. Eles acabam não buscando o sonho deles, e sim o desejo da maioria.

    Pesquisas mostram que os jovens estão menos felizes, e de fato isso está acontecendo. Com relação ao texto, o Marcílio está atentando a questão do desmerecimento salarial e das poucas oportunidades que temos hoje em dia no nosso país. Evidentemente que ele ostenta esta questão social, de usar o terno e a gravata, de ficar bem consigo mesmo. O orgulho de se sentir bem diante os próprios olhos. E você não deixa de ter razão se realmente estas questões levantadas valem efetivamente a pena. Valem mesmo? Ser rico e ter um cargo elevado na empresa? Na minha opinião, cargo elevado o pessoal só busca por causa do salário alto. Com certeza poucos seriam presidentes se recebessem o mesmo salário do pessoal de nível hierárquico inferior (gerência e supervisão). A questão do dinheiro é interessante, como você elegantemente comentou, precisamos dele para o nosso sustento.

    Para finalizar, gostaria de atentar que o texto foi escrito por Marcílio, e não por mim.

    Muito obrigado pelos seus comentários, que são sempre muito bem-vindos.

  7. 13 Novembro, 2007 às 4:25 pm

    Santaum.

    Peço desculpas pela enorme gafe cometida.

    Estou acostumada com outro modelo de blog (onde o link para comentários está no final do texto e não no início): li o texto vc “no meio da juventude….” e o comentário a ele destinado acabei postando neste ‘chance’ por engano (daí o motivo de meu comentário estar tão dissociado do texto do Marcílio….aliás, Marcílio, me desculpe vc também).

    De qualquer forma, obrigada por sua cordialidade, deve ter-me achado bem maluca por escrever algo tão sem ‘pé-nem-cabeça’ e mesmo assim, agiu como um gentleman.

    Marcílio: mais uma vez, desculpe a falha.

    Abraço a todos [:)]

  8. Santaum disse,

    13 Novembro, 2007 às 4:28 pm

    Mas mesmo assim, hehehe, parece que deu pra encaixar o assunto, heeheheh…

    Deu pra surgir uma nova discussão.

    Obrigado novamente por comentar. Seus comentários são sempre muito bons.

  9. crownedvic disse,

    16 Novembro, 2007 às 1:32 pm

    Muito legal seu post, marcílio. Expressa um sentimento universal, e gostei muito da história da “velha careca”… Abraço.

  10. Santaum disse,

    19 Novembro, 2007 às 3:43 pm

    Fala Vitão, como assim um “sentimento universal”?

    Explica pra gente aí.

    E já ri bagaraio da “velha careca”.

    Grande abraço a todos.


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