Um típico bate-boca entre “Do Bem” e “Do Mal”:

31 Janeiro, 2008 at 11:23 am (Crownedvic) (, , , , , , , )

Por Crownedvic.

Do Bem: …Mas, como? Então você está querendo dizer que não acredita em livre-arbítrio?

Do Mal: – Não. Por que acreditaria?

Do Bem: Ué, porque não faz sentido pensar assim! Somos pessoas que fazem as nossas próprias escolhas, e guiamos nosso destino.

Do Mal: – Você acredita mesmo que tem esse poder?

Do Bem:Claro! As coisas acontecem conforme minha vontade. Tenho a capacidade de escolher a direção dos meus atos, e de me responsabilizar com as conseqüências. Sou alguém, não estou solto no vazio, e minha vida tem uma razão para existir.

Do Mal: – Como já disse antes, não acredito em nada disso. Não penso que possuímos livre-arbítrio, que somos seres iluminados evoluindo rumo a algum “estágio perfeito”, ou que temos algum propósito transcendental para nossas vidas.

Do Bem: Então no que você acredita?

Do Mal: – Em relação a isso, que não temos livre-arbítrio algum, e que nossas vidas não possuem nenhum sentido além do sentido terreno e mortal que todos os outros tipos de vida possuem. Ah, e que nós é que inventamos interpretações e classificações com nossa imaginação. Podemos inventar interpretações e sistemas dos mais diversos, mas tudo é irracionalidade e ausência de propósito, no final das contas. E, quanto à “ausência de sentido”, podemos suprí-la com o exercício da nossa criatividade.

Do Bem: Então você acha que estamos aqui à mercê do nosso destino, e que não temos o poder de mudar a trajetória do universo simplesmente porque desejamos? Que vivemos como simples mamíferos?… Mas, e quanto à sua criatividade? Você não é um animal racional? Se você cria o que quer, então isso é livre-arbítrio!

Do Mal: – Não, não é livre-arbítrio. Não é porque “crio o que quero” que tenho livre-arbítrio. Não quero dizer também que acredito no oposto do livre-arbítrio, pois, como vida, participo de alguma forma do conjunto de forças que é a existência da qual faço parte, como você. Bom, pra começar, também não acredito que sou “um sujeito”, que sou um “eu”, ou que tenho alguma “essência” transcendental e divina passeando dentro do meu corpo (como, por exemplo, alma), ou que…

Do Bem (interrompendo aos berros e batendo na mesa):Ah, você só pode ser louco!!! Então você acredita que não tem alma? E o que você é, então? Uma coisa? Um nada? Se não tem alma, se não tem livre-arbítrio, se vive sem nenhuma garantia de recompensa, então você não é gente! Vai pra onde depois que morrer então? Sua vida deve ser um vazio e uma falta de sentido horrível!!!

Do Mal: – Penso mesmo que a vida é um “vazio” e uma “falta de sentido”, mas não penso que seja horrível para mim como você pensa.

Do Bem:Afffff! Você é louco! Falando sério, não acredito que você pense assim. Ninguém consegue viver assim. No fundo, no fundo, sei que você é igual a todos nós. Você quer dizer então que existimos no mesmo nível dos outros animais? Que estamos no mesmo mundo deles, na mesma realidade na qual a vida acontece? Que não fazemos parte de uma “dimensão superior”? Que nossas vidas são tão tolas e inúteis quanto à de um cachorro? Que vamos apenas morrer no final, e que durante nossa curta passagem pela Terra, não temos nenhum “poder especial” de controlar “as coisas”?

Do Mal: – Isso, isso, isso! Não estamos nem acima nem abaixo “da natureza”. E, se não estivermos no “mesmo nível” dos outros animais, pode apostar que estamos num nível inferior, pois nossa espécie é bem mais corrupta – embora penso que isso faça parte da perfeição… Mas, de uma forma ou de outra, só há uma “dimensão existencial”. Ou você esperava que o Reino-dos-Céus (ou o Inferno) estaria te aguardando?… Acredito que tudo é perfeito, aqui na Terra mesmo, e que acreditar em livre-arbítrio é um dos vários sintomas de quem não aceita essa perfeição.

Do Bem:Você é que não aceita a realidade. Pois eu sei o que é a realidade – eu sinto! Minha vida mudou quando passei a acreditar, melhorou muito! Algum dia você vai me entender! Você vai ver!

Do Mal: – Deixa pra lá, não está rolando… Não estamos conseguindo estabelecer uma comunicação, é melhor mudarmos de assunto…

Do Bem: - Viu? Você sabe que há no fundo algo mais especial para nós! Algum dia você vai ver! Irá acontecer alguma coisa com você e então você descobrirá que a vida não é só isso. Somos mais do que seres vivos mortais: somos semi-deuses, pois caso contrário, eu não suportaria minha própria existência! E você, que dispensa esses poderes mágicos, com certeza sofre muito. Mas, algum dia sei que irá se converter para o nosso lado, e tudo então será paz, repouso e mansidão na sua vida.

Do Mal: – Ok, combinado então. No dia em que “eu” descobrir como fazer “o universo” inteiro apertar, a cada instante, o freio-de-mão e, “lá do alto”, olhar para “mim” e gritar: “E então, meu escolhido, o que devo fazer agora por você? O que quer? Para onde todas as minhas pulsões devem apontar? O tempo e o todo pararam só para que sua preciosa decisão seja tomada; estamos esperando por sua palavra. E então, ó meu centro, qual será o próximo passo de toda a existência?” – aí me converterei para o seu hospício.

Do Bem: - Você é muito sarcástico. Ri de coisas que não faz idéia do que são. Algum dia irá se arrepender e pagar caro!… Leia “O Segredo” por exemplo; como já falei, irá mudar sua vida.

Do Mal: – Não, não vou ler essa porcaria.

Do Bem: - Como sabe que é porcaria se não leu?

Do Mal: – Ah! está bem. Vou ler. Agora tchau, não agüento mais isso aqui.

Do Bem:E você não acabou de tomar uma decisão? Quem escolheu ir embora agora? Ninguém?

Do Mal: – Me desculpe, mas não está rolando. Falou, vou sair daqui…

Do Bem:Viu? Eu venci! Hahahahah!!! Eu sabia! Eu sabia!…

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Power Rangers

24 Janeiro, 2008 at 9:10 am (Rev. Peterson Cekemp) (, )

Por Rev. Peterson Cekemp.

O monstro dos Power Rangers é um péssimo exemplo de “problema” a qualquer um que esteja com o cérebro em desenvolvimento. Enquanto o “Mega Zord” prepara alguma espécie de “ataque final” – que varia entre uma espada, um raio laser, até um míssil – o monstro fica lá, parado, como um perfeito idiota, agitando debilmente as mãos e grunhindo pra lá e pra cá.

Assim, tudo parece tão fácil de resolver…

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Entre a Mesmice e a Fuga do Mesmo

16 Janeiro, 2008 at 12:01 am (Santaum) (, , , , , )

Existe algo na minha vida que me intriga bastante. Esse algo é justamente este paradoxo entre a mesmice e a fuga do mesmo na minha vida. O que me deixa mais satisfeito? A mesmice ou justamente o ato de escapar dela?

A mesmice me parece que é uma fuga que a nossa vida intuitivamente nos propõe a fugir da dor, da derrota e da frustração. Nos dá uma sensação de conforto instantâneo, alívio e de certa forma nos conduz a atitudes iguais às dos outros. É um sentimento rebanhado, de uma maioria que faz parte de um enorme grupo que naturalmente sempre está à nossa volta. Pode soar estranho, mas subentende-se que essa enorme maioria geralmente é feliz. Entretanto, seria essa uma felicidade de capa, de superfície, uma embalagem que mascara aquele verdadeiro sentimento que um espírito livre é capaz de proporcionar.

O grupo oposto é composto de pessoas que são contra essas posturas mesmas e iguais às dos outros. São uma pequena minoria. São pessoas fisicamente iguais às outras, porém elaboram em si pensamentos universais completamente diferentes daqueles que vieram de uma mesmice. São questionadores, sempre interrogam tudo que está em sua volta e sempre tendem a buscar a sua verdade absoluta. Às vezes não, evidentemente, contanto que não se pode deixar de adjetivá-los como criaturas humanas que refletem pensamentos em torno de si e em sua volta, que buscam um norte no seu dia-a-dia e ficam intrigados com as coisas tais como efetivamente são. Dá a entender que esse grupo se frustra mais e ao mesmo tempo fica revoltado e insatisfeito com as situações naturais que são deparadas no decorrer da sua vida. A pessoa desse grupo sempre se intriga em várias situações pelas quais a mesmice se manifesta e muitas vezes pode sofrer bastante com isso, por se tratar de uma minoria. Talvez não, pelo fato de se achar diferente e também por acreditar veementemente naquilo que o incomoda. E, para muitos desses poucos, essa pode ser uma felicidade interior e verdadeira.

Fico questionando qual o caminho que eu devo tomar, ao observar que tenho vários conhecidos que sequer se questionam sobre si mesmos. De conhecidos que, quando começo a comentar sobre assuntos do tipo, sequer começam a discutir algo parecido e encerram-me dizendo que eu estou viajando. Será, portanto, que não faço parte do grupo arrebanhado e fico intrigado como poucos acerca dessas questões reflexivas e existenciais? Seria isso um problema?

Para os mesmos, isso é um problema. Ainda mais quando se trata do atual, do hoje em dia. Para os mesmos, compensa mais ser igual aos outros e buscar na sua unidade algo plural e coletivo, para que os desvios da sua mesmice sejam mascarados. Para os mesmos, vale a pena buscar um modelo global para que ele se frustre menos e o outro não perceba a sua fraqueza natural e interior. Até para ele “mesmo” a sua maneira plural de viver lhe cai muito bem pelo fato de omitir algumas frustrações no seu pensamento interior e na sua unidade. Parece que essa sensação pode deixar em si um falso conforto, uma falsa alegria e uma falsa comodidade momentânea que não o faz se distinguir dos outros. Para os mesmos, isso seria, portanto, uma válvula de escape.

É, portanto, uma sensação frustrante e malograda os bem-aventurados que procuram questionar a sua existência e tudo que está em sua volta? Talvez a resposta seria sim. Mas não completamente um sim. Seria um sim com uma cara de não. Intuitivamente, este sim poderia ser um não ou nenhum dos dois, ou os dois ao mesmo tempo. O que interessa é que essas sensações ficariam mais claras, verdadeiras, como também o oposto delas. Não se criaria a partir daí uma máscara, uma capa, algo superficial. Os sentimentos seriam unânimes e verdadeiros. Viriam do seu interior. E essas sensações são fantásticas.

Mas até que ponto vale a pena expor em si estes sentimentos verdadeiros? Seria demasiado satisfatório para mim o simples fato de assumir verdadeiramente meus sentimentos ao invés de mascará-los?

Apesar desse paradoxo, todos já sabem a minha resposta.

Grande abraço a todos.

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Sexo e Mar

10 Janeiro, 2008 at 8:59 am (Rev. Peterson Cekemp) (, )

Por Rev. Peterson Cekemp.

Um teste psicológico que fiz há muito tempo (acho que era de Jung) assaltou a minha mente faz algum tempo. Nesse teste, a pessoa deve dizer o que acha do mar. Deve dizer o que acha de outras coisas também, mas enfim, não importa agora. Depois a pessoa descobre que a opinião dela sobre o mar é a mesma que a opinião sobre sexo.

“Isso é ridículo!”, eu penso, “Não existe nenhuma relação entre sexo e mar!”. Quer dizer, sempre existe uma relação possível entre duas coisas quaisquer, mas nesse caso nenhuma relação é óbvia – pra estabelecer a relação é necessário empenho racional, logo… Então, onde está o truque?

Eu não sei. Eu não li Jung, mas acho que ele não faria uma brincadeira nesse sentido, algo como “Sexo e… Rios… Não, não, lagos… Pia? Não, pia é ridículo… Mar! Sexo e mar, é, é isso aí…”, e colocasse desse jeito num teste psicológico, pescando qualquer coisa comum.

E veja como isso tudo é suspeito: se alguém nunca viu o mar, se baseia apenas no que lhe contaram ou sobre o que ele fantasia sobre o mar. A opinião sobre o mar de alguém que nunca viu o mar, como ela será aplicada ao sexo? E se a pessoa nunca nem transou nem viu o mar, então as duas coisas estão em harmonia, pois predomina a fantasia e experiência alheia. Mas, e se a pessoa fizer sexo antes de ter a oportunidade de ver o mar? A opinião dela sobre o sexo influencia a fantasia sobre o mar? E o contrário? A opinião sobre o mar influencia a fantasia sobre o sexo?

E se, tirando a ética do caminho, criássemos um “humano em cativeiro”, dando-lhe toda a informação e a cultura comum, só que em ambos os casos, sem nem mencionar a idéia ou a palavra “mar”… Se déssemos a oportunidade para que esse humano fizesse sexo… E depois introduzíssemos o conceito de “mar”. Qual seria a fantasia do humano em relação ao mar, antes de experimentá-lo? Com adjetivos iguais às do sexo? Ou iguais às da fantasia pré-sexo (supondo, portanto, que pré-mar = pré-sexo)? E se ele experimentasse o mar e tivesse uma opinião totalmente diferente da do sexo? Ok, estou invertendo a ordem da sentença do Jung. Então… E sobre as crianças? É certo que há, em todo ser humano enquanto máquina de sobrevivência, a noção de sexualidade, não importa a idade (Alô Freud?), e o que dizer sobre essa relação mar-sexo nas crianças? A opinião delas sobre o mar representa a opinião futura (adulta) sobre o sexo, impressa já em seus genes / tipo psicológico, ou representa a opinião atual sobre sexo?

Outro pensamento alavancado: crianças mais expostas ao mar (e gostando de ali estar) gostam mais de sexo – ou da noção de sexualidade, seja ela qual for – ou gostarão mais de sexo quando forem adultas? É possível que alguém faça mais sexo se passar a viver mais próximo do mar, ou a gostar mais dele? A mais importante: se a opinião sobre o mar muda, o que acontece com a opinião sobre o sexo?

Crianças que são criadas junto ao mar, sabem nadar eficientemente e tudo o mais, essas se divertem no mar – elas sentem menos perigo. Quanto mais envelhecem, vão tomando mais cuidado com o mar, aprendendo a levá-lo a sério. Com a sexualidade não acontece exatamente a mesma coisa na revolução criança-adolescente-adulto? Será que é porque a relação com o mar muda? Será que é ao contrário, a relação com o mar muda porque a relação com o sexo muda? Ou será que a relação com o mar muda porque, com o tempo, a pessoa vê os estragos que podem ser causados pelo mar, enquanto que o mesmo ocorre independentemente com a sexualidade, fazendo disso uma coincidência temporal?

E se a pessoa tem trauma do mar, como ela reage ao sexo? Isso não seria apenas uma coincidência, de modo que se a pessoa tiver trauma a qualquer outra coisa o sexo também não seria afetado? E se a pessoa conhece apenas o mar sujo do lugar onde vive, e não gostar do mar por isso? O que isso tem a ver com o sexo?

Talvez seja só uma coincidência muito curiosa. Talvez Jung estivesse brincando. Talvez… Se havia algum motivo pelo qual eu não gostava do mar, vou reavaliá-lo…

Brincadeira.

Mas… Sei lá né…

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