Por Crownedvic.
Do Bem: – …Mas, como? Então você está querendo dizer que não acredita em livre-arbítrio?
Do Mal: – Não. Por que acreditaria?
Do Bem: – Ué, porque não faz sentido pensar assim! Somos pessoas que fazem as nossas próprias escolhas, e guiamos nosso destino.
Do Mal: – Você acredita mesmo que tem esse poder?
Do Bem: – Claro! As coisas acontecem conforme minha vontade. Tenho a capacidade de escolher a direção dos meus atos, e de me responsabilizar com as conseqüências. Sou alguém, não estou solto no vazio, e minha vida tem uma razão para existir.
Do Mal: – Como já disse antes, não acredito em nada disso. Não penso que possuímos livre-arbítrio, que somos seres iluminados evoluindo rumo a algum “estágio perfeito”, ou que temos algum propósito transcendental para nossas vidas.
Do Bem: – Então no que você acredita?
Do Mal: – Em relação a isso, que não temos livre-arbítrio algum, e que nossas vidas não possuem nenhum sentido além do sentido terreno e mortal que todos os outros tipos de vida possuem. Ah, e que nós é que inventamos interpretações e classificações com nossa imaginação. Podemos inventar interpretações e sistemas dos mais diversos, mas tudo é irracionalidade e ausência de propósito, no final das contas. E, quanto à “ausência de sentido”, podemos suprí-la com o exercício da nossa criatividade.
Do Bem: – Então você acha que estamos aqui à mercê do nosso destino, e que não temos o poder de mudar a trajetória do universo simplesmente porque desejamos? Que vivemos como simples mamíferos?… Mas, e quanto à sua criatividade? Você não é um animal racional? Se você cria o que quer, então isso é livre-arbítrio!
Do Mal: – Não, não é livre-arbítrio. Não é porque “crio o que quero” que tenho livre-arbítrio. Não quero dizer também que acredito no oposto do livre-arbítrio, pois, como vida, participo de alguma forma do conjunto de forças que é a existência da qual faço parte, como você. Bom, pra começar, também não acredito que sou “um sujeito”, que sou um “eu”, ou que tenho alguma “essência” transcendental e divina passeando dentro do meu corpo (como, por exemplo, alma), ou que…
Do Bem (interrompendo aos berros e batendo na mesa): – Ah, você só pode ser louco!!! Então você acredita que não tem alma? E o que você é, então? Uma coisa? Um nada? Se não tem alma, se não tem livre-arbítrio, se vive sem nenhuma garantia de recompensa, então você não é gente! Vai pra onde depois que morrer então? Sua vida deve ser um vazio e uma falta de sentido horrível!!!
Do Mal: – Penso mesmo que a vida é um “vazio” e uma “falta de sentido”, mas não penso que seja horrível para mim como você pensa.
Do Bem: – Afffff! Você é louco! Falando sério, não acredito que você pense assim. Ninguém consegue viver assim. No fundo, no fundo, sei que você é igual a todos nós. Você quer dizer então que existimos no mesmo nível dos outros animais? Que estamos no mesmo mundo deles, na mesma realidade na qual a vida acontece? Que não fazemos parte de uma “dimensão superior”? Que nossas vidas são tão tolas e inúteis quanto à de um cachorro? Que vamos apenas morrer no final, e que durante nossa curta passagem pela Terra, não temos nenhum “poder especial” de controlar “as coisas”?
Do Mal: – Isso, isso, isso! Não estamos nem acima nem abaixo “da natureza”. E, se não estivermos no “mesmo nível” dos outros animais, pode apostar que estamos num nível inferior, pois nossa espécie é bem mais corrupta – embora penso que isso faça parte da perfeição… Mas, de uma forma ou de outra, só há uma “dimensão existencial”. Ou você esperava que o Reino-dos-Céus (ou o Inferno) estaria te aguardando?… Acredito que tudo é perfeito, aqui na Terra mesmo, e que acreditar em livre-arbítrio é um dos vários sintomas de quem não aceita essa perfeição.
Do Bem: – Você é que não aceita a realidade. Pois eu sei o que é a realidade – eu sinto! Minha vida mudou quando passei a acreditar, melhorou muito! Algum dia você vai me entender! Você vai ver!
Do Mal: – Deixa pra lá, não está rolando… Não estamos conseguindo estabelecer uma comunicação, é melhor mudarmos de assunto…
Do Bem: - Viu? Você sabe que há no fundo algo mais especial para nós! Algum dia você vai ver! Irá acontecer alguma coisa com você e então você descobrirá que a vida não é só isso. Somos mais do que seres vivos mortais: somos semi-deuses, pois caso contrário, eu não suportaria minha própria existência! E você, que dispensa esses poderes mágicos, com certeza sofre muito. Mas, algum dia sei que irá se converter para o nosso lado, e tudo então será paz, repouso e mansidão na sua vida.
Do Mal: – Ok, combinado então. No dia em que “eu” descobrir como fazer “o universo” inteiro apertar, a cada instante, o freio-de-mão e, “lá do alto”, olhar para “mim” e gritar: “E então, meu escolhido, o que devo fazer agora por você? O que quer? Para onde todas as minhas pulsões devem apontar? O tempo e o todo pararam só para que sua preciosa decisão seja tomada; estamos esperando por sua palavra. E então, ó meu centro, qual será o próximo passo de toda a existência?” – aí me converterei para o seu hospício.
Do Bem: - Você é muito sarcástico. Ri de coisas que não faz idéia do que são. Algum dia irá se arrepender e pagar caro!… Leia “O Segredo” por exemplo; como já falei, irá mudar sua vida.
Do Mal: – Não, não vou ler essa porcaria.
Do Bem: - Como sabe que é porcaria se não leu?
Do Mal: – Ah! está bem. Vou ler. Agora tchau, não agüento mais isso aqui.
Do Bem: – E você não acabou de tomar uma decisão? Quem escolheu ir embora agora? Ninguém?
Do Mal: – Me desculpe, mas não está rolando. Falou, vou sair daqui…
Do Bem: – Viu? Eu venci! Hahahahah!!! Eu sabia! Eu sabia!…
Rev. Peterson Cekemp disse,
31 Janeiro, 2008 às 1:44 pm
hEHEaeHEaheaHaeheAHEAhEAHEheaheaEAHEaheAHEaheAH
Cool.
Santaum disse,
31 Janeiro, 2008 às 6:14 pm
Pensitivo!, Pensitivo!.
Será Vitão que esse diálogo pode fazer uma analogia do bem com o mesmo e o mal com a fuga do mesmo? Hehehehe.
Quanto a este livro secreto, comecei a assistir o seu filme. Vários efeitos especiais. Bom, nos meus 10 minutos de resistência, fiquei pasmo com as dublagens meia-boca em inglês do cara que tava falando em inglês, além de notar que qualquer criancinha iria ouvir “Brazil” no momento em que foi traduzida para a legenda “vários países, Nova York e Brazil”. Fora os figuraças que tentavam explicar aquela teoria, uma mais engraçada que a outra.
Bom, tem uma menina aqui que gostou de assistir o filme, como boa parte da humanidade. Acho que eles são do bem mesmo. E viva a atração!
Fantástico, demasiado fantástico e, além disso, muito engraçado.
Grande abraço Vitão.
Rev. Peterson Cekemp disse,
31 Janeiro, 2008 às 6:19 pm
Realmente, a lei da atração funciona. Só idiotas pra acreditar num filme idiota.
Oh, isn’t it wonderful?
crownedvic disse,
1 Fevereiro, 2008 às 12:54 am
Santaum, realmente “o bem” tem a grande tendência em se investir na ausência de mudança, no repouso, na homogeneidade, ou seja, “no mesmo”. Esse tipo de “estado de espírito” é por eles denominado “paz”, “bem-aventurança” e etc. A fraqueza abomina a insegurança e o desconhecido, ou seja, a falta do “mesmo”. Já “o mal” gosta da destruição que precede a novidade, ou seja, gosta da transformação e das diferenças, do caminho ainda não trilhado, de tentativas, do labirinto. Apolo X Dionísio…
E Reverendo, realmente a lei da atração tem funcionado bem… E com tão concentrado carma, os idiotas estão prestes a transfigurarem o planeta num centro atrativo de nível mais elevado ainda, o suficiente para levarem suas almas pra uma dimensão mais idiota e atraírem mais idiotice ainda…
Rev. Peterson Cekemp disse,
1 Fevereiro, 2008 às 11:21 am
Victor, o bigodudo alemão dizia: o bom quer o velho e que o velho se conserve. O nobre…
henriquewint disse,
3 Fevereiro, 2008 às 2:06 pm
As vezes eu me pergunto? por que este pessoal denominado ‘do bem’ tem costume de se exaltar quando alguém é contrário as suas opiniões? Pessoas tão fechadas assim estão fadadas a morrerem como idiotas..
Alguém que viu o segredo até a parte do ‘pessoas me ligam dizendo que receberam cheques junto com suas correspondências..’, vocês já receberam algum cheque??
Eu ainda espero pelo meu 1 bilhão de dólares, acho que esse segredo já não é mais tão segredo assim..
Santaum disse,
4 Fevereiro, 2008 às 11:18 pm
Caro Henrique,
Também, infelizmente, não recebi nenhum cheque desses, apesar de pensar nisso e acreditar nessa possibilidade. É a prova concreta de que essa lei é furada, um conto de fadas.
Quanto a este filme, somente consegui ver 10 minutos, não cheguei na parte que comentou, apesar de, no início, ocorrer uma coisa parecida (coisa mais ridícula do mundo) com a moça desejando o colar na vitrine.
Grande abraço.
Darto disse,
22 Fevereiro, 2008 às 4:00 pm
Triste, pra mim, é precisar ter uma vida após essa pra conseguir viver[nessa]…precisar saber que vai ganhar alguma coisa ao ser bonzinho e que vai sofrer se for desobediente, e usar isso pra decidir sua conduta.
Mamíferos, pra mim, não são simples…mas isso é redundante.