Por Rev. Peterson Cekemp.
Uma vez eu cheguei muito perto de abordar esse assunto; talvez eu o tenha abordado, mas não por essa denominação, no caso… Mas vamos lá:
Já repararam como diversas interações nossas com alguns elementos da vida contemporânea nos faz ter um comportamento esquisito em relação ao nosso presente? Nós somos tão conscientes e acerca do nosso momento, analisamos tanto o nosso instante e, por vezes, planejamos tanto o nosso futuro, que não conseguimos viver nossa vida de uma forma mais intensa ou até mesmo da forma como a desejamos.
O homem deslumbra-se com a história, talvez tenha uma ponta de orgulho de seu progresso; o ser humano talvez tenha orgulho por poder ser orgulhoso do caminho que trilhou, apesar dos tropeços. Mas repare: os homens que faziam a revolução francesa não pensaram em fazer a “revolução francesa”. Isso é apenas uma denominação histórica posterior, muito posterior à época. Mas o que acontece conosco, nós que recebemos uma impressão tão organizada e segmentada da história, da história de qualquer coisa, aliás, não só a do mundo – e a estudamos tanto? O que acontece conosco? Acontece que sempre que fazemos alguma coisa, pensamos historicamente, e sentimos o peso da história, um peso desnecessário e ridículo à sua maneira; como alguém acima do peso que consegue resistir à tentação de comer um chocolate; logo imagina-se a grande heroína da revolução que fará em sua vida… Logo ela come outro chocolate, e ilude-se por seus planos despedaçados.
De qualquer forma, presto atenção ao nosso instante na TV brasileira: estamos no meio de uma revolução, a digital; sim, é verdade, e todos anunciam isso, mas você sentiu qualquer diferença? Todo o burburinho sobre a TV digital se resumiu a explicar para o leigo o que ele tem que fazer pra ter acesso a ela… Uma cerimônia de abertura, alguns programinhas aqui e ali, e pronto, acabou. Não sinto revolução alguma.
Mas há mais: a disputa da Globo contra a Record. 2008 vai ser um ano importante: desde o fim do ano passado, pelo que ouvi falar, a Globo amarga derrotas. Algumas pessoas são contra a Globo porque tacham-na de “do mal” – coisa que, tenho que concordar, faz um pouco de sentido sim. Aqueles que gostam da Globo pela superior qualidade de seus programas em relação aos adversários começa a mudar de opinião; é verdade que o SBT continua uma porcaria, a BAND sempre foi uma droga, e a Record sempre foi esquisita, mas de qualquer forma a Record tem O Aprendiz… Que conquistou muitos corações globais, não? E as novelas ficam cada vez melhores. Aos poucos o público se acostuma com a nova liderança… Será?
Mas a questão é que, no meio da revolução, ela não parece uma revolução, não é? Pensamos historicamente mas não sentimentos historicamente. Ninguém sente que aos poucos a Record está ganhando espaço. Eu disse sente. Você sente? Eu não. Eu ouço falar aqui e ali, mas a Renata Sorrah na novela das oito (atua mal…), o Pedro Bial, o Video Show, a Xuxa (se aposenta, querida!), tudo isso dá a impressão de que nada mudou e nada está mudando.
Mas é bom ficarmos atentos: a Record é do Bispo, e por mais que agora ela esteja a favor da legalização do aborto, isso é perigoso, mui peligroso. Todos inocentemente começam a ver que talvez não só a Globo produza qualidade; talvez ela não seja mais a mesma, não é? … Mas cuidado. Ninguém para pra pensar nas conseqüências de transmitir essa confiança do Ibope à Record; se em todo o meio de comunicação existe parcialidade, então a Record é um péssimo lugar pra que a fama se hospede. Talvez um dia ela se revele ainda pior do que a Globo.
É bom percebermos que, sim, talvez estamos num momento decisivo. É bom termos cuidado. Se a Globo é ruim, a Record pode ser pior. É hora de nos perguntar se, se não queremos um país tão influenciado pelo William Bonder, queremos ou não um influenciado pelo Tom Cavalcanti…
Santaum disse,
15 Fevereiro, 2008 às 11:42 pm
Sua introdução foi demasiado interessante. Demasiado, demasiado. Como sempre, textos excelentes meu caro… Tão jovem, revoltado e bastante talentoso.
Interessante seu raciocínio. Sempre nos habilitamos no presente e sequer não imaginamos uma situação futura que acontece “hoje”. Um caso simples, a era Lula. Pode até parecer bobagem a comparação, mas esse presidente é para nós uma situação presente, mas num futuro ele vai ser lembrado e citado num momento histórico brasileiro bastante determinante, por exemplo, apenas exemplo, para a consolidação da democracia do país, pelo fato de ter sido durante muito tempo oposição. É só um exemplo, não quer dizer que sou a favor ou contra ele. Pois só enxergo o presente, teoricamente.
Muito interessante mesmo.
Grande abraço e, novamente, parabéns.
Santaum disse,
16 Fevereiro, 2008 às 9:36 am
“Se aposenta querida” foi demais!
HhahahhhahhahahahHHHhahaahhahhahahaahahhahahah.
De qualquer maneira, essa situação foi excelente, tanto pra mim, quanto pra ti, pelo aprendizado obtido. Também não sabia dessas coisas.
Muito obrigado Peterson!!!
henriquewint disse,
16 Fevereiro, 2008 às 1:46 pm
O que vejo muito nos seres humanos, é a alegoria que fazem quanto ao futuro.. “ohh, no futuro eu serei feliz”, “no futuro eu terei um filho”.. Parece-me que não vivemos o presente, apenas sonhamos com o futuro.
Outra coisa que venho notando quanto às revoluções são a maneira como elas vem se dando, a Guerra Fria não foi uma guerra, foram apenas disputas comerciais, assim como esta sendo a da Globo e da Record.
Nas questões televisivas, a globo quanto a jornalismo sempre me pareceu melhor, muito embora em várias aspectos ela não fosse nada parcial.
A band é aquela emissora que só serve pra carnaval, e durante os meses sem carnaval, só sabe passar calypso e coisas do genero.
SBT ainda não percebeu que ficar distribuindo dinheiro aleatoriamente não rende mais audiência..
Salve a tv por assinatura, pois a digital, ainda demorará muito, essa será uma revolução lenta.
Rev. Peterson Cekemp disse,
16 Fevereiro, 2008 às 6:06 pm
Santaum;
Eu é que agradeço!
Henrique;
concordo em gênero, número e 360º
dartox disse,
22 Fevereiro, 2008 às 3:35 pm
É, o ser humano realmente pensa muito no futuro…mas, infelizmente, ele é retardado mental!
Veja o que ele faz com suas possibilidades a longo prazo…parece que quando o planejamento sério a longo prazo está em foco, ele só tomou atitudes para “se auto-se-fuder-se a si mesmo”!
Uhn, eu sei que no futuro[e até no presente!] os resquícios dos combustíveis fósseis serão altamente prejudiciais. Eu previ isso. Mas bah, é muito mais prático! Vamos pensar no nosso conforto atual![ou seria não pensar no desconforto futuro?]
Quem vê as coisas historicamente foi quem estudou a história, e nem todos o fizeram…isso faz os mais estudados pensarem antes de agir, demorando mais e às vezes nem agindo, e deixando espaço e tempo para que descuidados com uma “narrow view” tomem a dianteira com ações inadequadas.
Ah, e aquela lei que querem aprovar?
http://www.liberdadenatv.com.br
Se conseguirem, caro Wint, nem a TV paga salvará…
Santaum disse,
22 Fevereiro, 2008 às 6:21 pm
Bom, retardado mental, nem tanto, hehehehehe… Senão não estaríamos aqui nos comunicando de uma maneira lógica e discussiva.
A propósito, obrigado Darto por informar sobre essa lei. Sobre este deputado, ele é engenheiro formado no ITA e tem um projeto de lei interessante tramitando no congresso sobre o aumento das bolsas de mestrado e doutorado CAPES e CNPQ. Bom, minha bolsa é da FAPESP mas, mesmo assim, é demasiado interessante como incentivo à pesquisa na pós-graduação, já que o valor da bolsa iria praticamente dobrar, devido aos ajustes que eram feitos até durante o governo FHC.
Darto disse,
26 Fevereiro, 2008 às 3:20 pm
Hahaha, são aquelas generalizações indevidas! ^^
De nada! Ah, então o cara tá tentando fazer alguma coisa honrosa…como as pessoas são multifacetadas, não?
Eita, tentarei pegar bolsa pra iniciação científica nesse semestre! xD