Leitura da Carta Magna brasileira

8 Março, 2008 at 1:35 pm (Marcílio) (, , , , )

Art. 3º. Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

CAPÍTULO II – DOS DIREITOS SOCIAIS

Art. 6º. São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.

Art. 27. O número de Deputados à Assembléia Legislativa corresponderá ao triplo da representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze.

§ 1º. Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais, aplicando-se-lhes as regras desta Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas.

§ 2º. A remuneração dos Deputados Estaduais será fixada em cada legislatura, para a subseqüente, pela Assembléia Legislativa, observado o que dispõem os arts. 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I, na razão de, no máximo, 75 % (setenta e cinco por cento) daquela estabelecida, em espécie, para os Deputados Federais.

VII – o total da despesa com a remuneração dos Vereadores não poderá ultrapassar o montante de 5 % (cinco por cento) da receita do município;

SEÇÃO V – Dos Deputados e dos Senadores

Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos.

§ 1º. Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável, nem processados criminalmente, sem prévia licença de sua Casa.

Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão:

a) serem proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada;

PS: Eu em 2006 visitei uma usina de álcool e açúcar que tinha como proprietário um Deputado Federal. O fato da referida Excelência ser dono da usina era motivo de orgulho para seus funcionários. Interessante isso.


Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador:
I – que infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior;

Porque nós não temos aulas de direito no ensino médio e fundamental? No Brasil um cidadão nasce para ser manipulado. Somos manipulados o tempo todo. Seja pela televisão, pela propaganda, pela própria educação ridícula que nos é imprimida. Hoje em dia não se contesta mais o Capitalismo, mas porque diabos? Um cidadão brasileiro fica satisfeito se lhe for pago o que ele acha que merece, não contesta, se cala. “Imagina! Eu vivo bem demais, quantos vivem na miséria…”

No Brasil se estuda pra ganhar dinheiro,melhorar de vida. Não se estuda no Brasil para se contestar para dizer não. Estudamos no Brasil para comprar, para aceitar tudo que é produzido por gente muito rica. Aliás, o objetivo é chegar lá. Estudamos para ficarmos ricos. Esse é o ciclo.

A Constituição brasileira parece-me ridícula e inútil. Para quem ela foi escrita? Para os brasileiros? Mas brasileiro não sabe o que é direito, muito menos dever. O brasileiro não foi e nem será educado pelo Estado. Brasileiro é um número, uma estatística. Aliás, o brasileiro tem uma função muito importante no Estado de Direito em que vivemos, é obrigado a votar. Brasileiro vai para a Europa para ganhar dinheiro, claro, nada mais justo. Não imagina que na Espanha por exemplo existe um Estado de Direito que foi criado para os espanhóis. Fica triste quando é deportado de volta da Espanha. “Eu não merecia ser tratado daquela maneira…”

Continuemos assistindo TV, comprando, votando e sonhando em ir à Europa ou ao Estados Unidos para ganhar dinheiro, afinal, a nossa Carta Magna não nos foi apresentada. Aliás, existe Constituição?

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O Rico e o Intelectual

7 Março, 2008 at 11:07 am (Santaum) (, , , , , , , , , )

A. – Como que não? Claro que é possível!

B. – Acredito que não. Você com certeza tomou a decisão errada. Você sabe que estudar nunca é demais, mas decidir sua carreira executiva focando a pós-graduação, sem trabalho, é um grande equívoco da sua parte. Na hora em que terminar seu doutorado, até mesmo seu mestrado, tenho certeza de que terá dificuldade de ingressar no mercado. Se somente fez iniciação científica na graduação, não fez estágio e entrou direto na pós-graduação sem nenhuma experiência profissional, a sua situação será mais complicada ainda.

A. – Então quer dizer que, mesmo tendo este título, a probabilidade de ficar desempregado será grande?

B. – Olha, essa é a minha opinião. Como líder de projeto eu não te contrataria pela idade que você tem e pelo enorme custo que teria que arcar contigo. Além disso, com essa idade, já teria que ter entrado no mercado. Afinal, você precisa conhecer a empresa. Além disso, precisa ser moldado pelos valores que ela prega. Isso é de fundamental importância para o seu crescimento profissional.

A. – Eu não vejo dessa forma. Se eu sou pesquisador, não quer dizer que necessariamente eu teria um perfil inadequado para ingressar no mercado. Posso muito bem ter um perfil de um empreendedor, por exemplo. Posso muito bem ter a plena capacidade de adaptar a esse mercado. Não vejo dificuldade nisso. Aliás, não vejo quase nenhuma dificuldade em sofrer adaptações ao longo da minha vida.

B. – A questão não é adaptação ou não. A questão é a falta de experiência que você vai ter com uma idade relativamente alta. E mais, vou ser bem sincero contigo. Realmente não vale a pena fazer somente o mestrado e doutorado porque, veja só, fazer um mestrado pra ganhar apenas 4.000 reais para mim é pouco. Um engenheiro com 2 anos de experiência vai ganhar mais do que você. Tenho um amigo que fez o doutorado dele na Alemanha e, quando voltou, ganhou só 8.000 reais. Acho isso muito pouco para a titulação dele. Olha, daqui a 5 anos, quando eu virar gerente da planta, vou ganhar mais que o dobro dele, que é doutor. Sem contar ainda com o bônus anual da empresa. Realmente, pelo menos financeiramente (que é o que eu penso), você só vai perder dinheiro fazendo a sua pós-graduação. Além disso, o estudante de pós-graduação é muito introspectivo e muito metódico, não tem o dinamismo e a velocidade que a gente tem.

A. – Discordo de você. O estudante de pós-graduação apenas adapta seu jeito de trabalhar na pesquisa. Você não pode fazer um trabalho ruim, mal escrito como muita gente faz por aí. Você, nesse sentido, não pode deixar de ser metódico, perfeccionista. Muito menos você tem que necessariamente ser rápido o suficiente para entregar algum resultado. Em trabalhos intelectuais, às vezes é preciso muito tempo para conseguir obter um dado, mesmo que seja em pequena quantidade. Entretando, esse dado é muito valioso para a pesquisa. Talvez, agora, isso não tenha nenhum resultado inovador para alguma aplicação ou fim, mas servirá de base científica para algum eventual trabalho futuro. Veja um exemplo clássico: Leibniz foi um grande filófico do século XVII. Além de enormes contribuições no cálculo diferencial e integral, ele inventou os números binários. Eu duvido que você praticamente não se utilize de nada que se relacione com a era digital.

B. – Eu não estou dizendo que para a humanidade a pesquisa é ruim. É boa sim. Só estou dizendo que, para entrar no mercado, você terá muita dificuldade. Pelo menos aqui no Brasil. Além disso, não vai ganhar dinheiro.

A. – Você então não acha que, de certa forma, eu não tenho nenhum potencial de ingressar no mercado?

Nesse aspecto, discordo completamente de você.

Primeiro ponto, não é descartada a hipótese de se fazer um doutorado buscando a inovação. Doutorado, ou mestrado, não é só estado da arte, mesmo considerando importantíssimo esse tipo de abordagem. É possível, sim, fazer parceria com alguma empresa ou até mesmo microempresa com o intuito de desenvolver pesquisa de altíssima qualidade. Provavelmente isso trará um razoável retorno financeiro na empresa. Nos Estados Unidos, por exemplo, isso é muito comum. Existem até empresas que têm mais de 1.000 doutores. Isso é ruim? Ter 1.000 doutores? A cada 100 pesquisas feitas nos Estados Unidas, 90 são oriundas de parcerias entre empresas e Universidades. No Brasil, somente 30. A área de pesquisa e desenvolvimento cresce mais a cada dia que passa e é um mercado demasiado potencial para estudantes de pós-graduação. Voltando novamente aos Estados Unidos, por que não fazer doutorado lá? Afinal, não é lá que é valorizado o conhecimento intelectual e o aluno que realmente estuda e não é igual ao Brasil onde o estudioso é tachado de nerd e desvalorizado nas empresas? Não é por isso que o Estados Unidos está no patamar econômico que está? Eles não são bobos. Desde sempre perceberam que conhecimento intelectual é a peça-chave para o pleno desenvolvimento de uma nação.

Estudo. Essa é a palavra-chave. Em um país em que um artista de programa de férias diz “Graças a Deus não li livros esse ano” e boa parte dos piores alunos de engenharia ficam nas melhores empresas por apresentarem um perfil extrovertido e respeitar hierarquia, o mercado teria que reagir da maneira mesmo como está pensando.

Segundo ponto, eu posso muito bem fazer um doutorado e, após terminá-lo, abrir um negócio. Existem muitas fundações de amparo que incentivam pessoas a abrirem, por exemplo, empresas incubadoras (microempresas). Existem, já, diversos exemplos de sucesso no Brasil em algumas regiões tecnológicas, como as cidades de Campinas e São Carlos no estado de São Paulo. Por que não empreender, por exemplo? Por que não começar do zero? Os grandes empreendedores sempre não começam do zero? E outra, diante da possibilidade de ser proletário, como você é, e ser dono do próprio negócio, prefiro ser dono do meu próprio negócio.

B. – Mas veja um ponto, você vai entrar nessas empresas e vai ganhar pouco. Seu salário, pelo título que você vai ter, será muito pouco. Além do mais, até você abrir o negócio e começar a lucrar, você vai ficar velho e não vai aproveitar a sua juventude com muito dinheiro. Vai passar a sua vida toda estudando? Bom, eu penso no dinheiro e…

A. – Posso ser até idealista, mas prefiro sempre progredir intelectualmente do que ser um rico sem cultura.

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