Sobre os Soldadinhos da Verdade e da Justiça

20 Maio, 2008 at 12:21 am (Crownedvic) (, , , , , )

Por Crownedvic.

Algo que me chama atenção nas disciplinas acadêmicas ligadas às ciências políticas e aos cursos que têm como principal direcionamento a análise da sociedade, como por exemplo, Ciências Sociais e História, é a predominância de uma defesa ao engajamento, à militância, a favor das minorias sociais, do “povo”, dos proletários e da igualdade a todos.

Juntamente a isso, vê-se facilmente destacar, nos alunos e professores mais entusiasmados com a idéia de “mudar o mundo”, uma histeria que não seria possível deixar de ser notada mesmo de longe.

Aquele discurso nervoso, aflito, inflamado, que em meio a gritos e suores parece até em alguns momentos ser capaz de mover montanhas ou partir o mar ao meio, é algo já bem conhecido como característica intrínseca desses inspirados “militantes”. E como há pessoas que se atraem por uma gritaria!… Nas manifestações barulhentas, parece brotar um sentimento de união, de comunhão, de libertação espiritual que encanta as massas. Todos compartilhando um momento sublime de extravasamento de tensões nervosas, gritando, cerrando os punhos, agitando bandeiras e suando os rostos, imersos numa multidão de manifestantes explodindo emoções.

Mas não é só esse vulgar frenesi (semelhante àquilo que encontramos em estádios de futebol) que une todas essas pessoas, de forma que as faça sentir uma comunidade, uma fraternidade de irmãos. Estão todos abraçando ou defendendo causas, empenhando-se em estender sua bondade e compaixão àqueles que por eles são reconhecidos como fracos e impotentes (e somente quando alguém é reconhecido como fraco e impotente que é possível tolerarem-no).

Algo que me chama muita atenção em meio a tudo isso é a inevitável primazia dada ao “bem-absoluto”, ao “bem comum”, ao “dever sagrado”, ao “imperativo categórico”, “ao valor de todos os valores”. Em outras palavras, a inevitável primazia dada à massificação.

Esses mais inflamados militantes políticos (ou simpatizantes) se justificam por meio de argumentos e princípios cuja maneira como são usados pouco se difere da forma como fanáticos religiosos utilizam seus mandamentos. Prevalece, entre esses “cidadãos conscientes e responsáveis”, a necessidade de submissão a uma consciência coletiva – e essa obediência, essa autonegação em prol de um “bem absoluto” é considerada a virtude suprema e o exemplo a ser seguido.

Isso cheira a pasto. Pessoas desse tipo estão sempre querendo convencer o outro. Por onde quer que passem, transborda de seus poros uma necessidade extrema de argumentar, de debater e justificar as próprias atitudes segundo códigos de conduta, princípios e deveres incondicionais. Segundo uma moral. Vivem presos à consciência política, para agir, escrever, palestrar e sentir, pois sem se submeterem a tal consciência, estariam agindo sob vontade própria e dessa forma estariam deixando o “dever sagrado” de lado.

Não me agrada esse perfil da maioria dos militantes (sejam eles militantes na prática ou apenas “no mundo das idéias”). Está por trás disso uma vontade de homogeneização de personalidades. E, pior do que isso, nota-se neles uma forte hostilidade para com aqueles que não se simpatizam ou convertem à defesa do bem absoluto abraçado por eles. Virar para um fanático desses e dizer: não concordo com o que você diz, pois penso de outra forma”, já é o suficiente para que uma forte intolerância e hostilidade se revelem. Basta alguém não concordar, e imediatamente tais “soldados do bem absoluto” se põem a, nervosos, argumentar e a julgar segundo o moralismo ao qual são atados.

E por que eles se sentem tão à vontade para julgar quem adotou uma perspectiva diferente? Por que, além de se sentirem tão à vontade para isso, se consideram legitimados para julgar aqueles que não são “seus iguais”? – Porque é exatamente assim que age o rebanho. Os homens bovinos, os cordeiros, são aqueles que dissolvem suas singularidades na homogeneidade. Essa perda da individualidade é considerada por eles uma virtude, pois em nome de algo “superior”, “verdadeiro” e “absoluto”, se reduzem com orgulho à condição de meros instrumentos. Pelo fato de se considerarem mensageiros e defensores da verdade, nem sequer sentem vergonha de exporem tal posicionamento servil ao público a qualquer momento – na verdade, isso é para eles um exemplo que deve ser seguido. Desejam que, assim como eles se reduziram a meros instrumentos, “o outro” e o mundo inteiro se reduzam também a servos do “bem comum”. E, quando este “outro” não concorda em se tornar um instrumento, quando este “outro” não tem interesse em “ser útil à comunidade”, o homem bovino põe-se a bufar, a julgar e a vilipendiá-lo, com a crença de que possui todo o direito de sobrepor seus valores (supostamente absolutos) aos de outrem.

Nós somos o bem; logo, se você não é como nós, então você é mau!” – é isso o que está nas entrelinhas do pensamento da maior parte dos “defensores da igualdade e justiça social”. Portanto, caro leitor, cuidado! Há bondade demais em toda esquina e beco deste mundo… Cuidado com os “homens bons”, eles pioram a vida!…

Link Permanente 8 Comentários

Kizomba A Festa da Raça

13 Maio, 2008 at 6:44 pm (Marcílio) (, , , , , , , , )

Valeu Zumbi
O grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a Abolição
Zumbi valeu
Zumbi valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jogo e Maracatu
Vem menininha pra dançar o Caxambu
Vem menininha pra dançar o Caxambu
Ô ô nega mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ô ô Clementina
O pagode é o partido popular
Sacerdote!
Sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Neste evento que com graça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa constituição
Esta Kizomba é nossa constituição
Que magia
Que magia
Reza Ageum e Orixás
Tem a força da Cultura
Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua
O grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a Abolição
Zumbi valeu
Zumbi valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jogo e Maracatu
Vem menininha pra dançar o Caxambu
Vem menininha pra dançar o Caxambu
Ô ô nega mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ô ô Clementina
O pagode é o partido popular
Sacerdote!
Sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Neste evento que com graça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa constituição
Esta Kizomba é nossa constituição
Que magia
Que magia
Reza Ageum e Orixás
Tem a força da Cultura
Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua
Valeu
Valeu Zumbi !!!!!
Valeu Zumbi…

VILA ISABEL
Enredo: Kizomba, Festa da Raça – 1988
Martinho da Vila
Composição: Rodolpho / Jonas / Luís Carlos da Vila

*****

Pequena homenagem a 13 de maio. Que esta data volte a ser feriado!!!

Link Permanente 1 Comentário