Superficial, mas por ser profundo.

25 Setembro, 2008 at 1:55 am (Crownedvic) (, , , , , )

Iniciarei este post dando a dica de um filme que marcou minha vida há uns 6 anos.

Alguém aí já assistiu “O Sétimo Selo”? É um filme do sueco Ingmar Bergman, que infelizmente faleceu há alguns meses, e que para mim é um dos grandes gênios da nossa época. Quem ainda não viu, que veja logo! Há em DVD nacional por aí, restaurado magnificamente, com uma qualidade de áudio ótima (principalmente se formos comparar com a barulhenta versão pré-histórica em VHS).

A narrativa passa-se na época das cruzadas, na qual o principal protagonista, um cavaleiro angustiado, se depara com a morte, que vem para buscá-lo. Ainda nesta primeira cena, ele consegue convencer a morte a disputar uma partida de xadrez, de forma que, se a morte perder, ele ganhará como prêmio um pouco mais de tempo para que possa tentar encontrar o sentido da própria existência. E daí todo o filme se desenrola, com o surgimento de interessantes personagens, discussões e reflexões que, no mínimo, deixam o expectador bem desconcertado por um tempo. Afinal, refletir sobre a morte não é moleza…

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Interrompendo o fluxo do texto, venho informar-lhes que, embora até agora estivesse eu tratando sobre um filme que possui uma cena e uma mensagem muito bonita, não irei revelar nada sobre o filme, pois não sou estraga-prazeres. Muito menos direi qual é a cena e a mensagem bonita às quais me refiro. Quem quiser descobrir qual é a cena e qual é a mensagem bonita, procure pelo filme e o assista com atenção. [E, se você desconfiar que não conseguirá saber qual é a mensagem e a cena às quais me refiro (pois eu não lhe disse quais são), então, o que isso importa? hehehehe]. Bem, conforme meus planos, agora terei que alterar sutilmente a rota deste post, sem, contudo, alterar o conteúdo pertinente ao título que dei. E, após assistirem o filme indicado, entenderão porque me lembrei dele e estou o indicando aqui.

Ah, e um lembrete importante: não se esqueçam de assistir o filme com uma tigela cheia de morangos silvestres! (Dêem preferência aos sem agrotóxicos). Bom apetite!

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Voltando ao desenvolvimento do post, tenho ultimamente esboçado várias pequenas reflexões sobre o niilismo e quais os benefícios ele nos pode oferecer. A definição de niilismo à qual estou me referindo é no sentido de interpretação filosófica da existência, caracterizada por descrença absoluta de tudo. Explicando superficialmente, só para o leitor se situar em qual definição de niilismo estou falando: A realidade vista como uma ausência de propósitos, uma pulsão irracional de forças ou como quer que possamos chamar isso, ausência de fatos, de causas e conseqüências, de Deus, de livre-arbítrio, e por aí vai…

E tenho chegado à conclusão de que o niilismo é uma boa chave para a liberdade de espírito, para a vida plena e saudável. Sabemos que quase o mundo inteiro já teria me chamado de “doido-varrido” neste ponto onde o post se encontra, mas tudo bem, isso não vem ao caso, como sabemos.

“Mas por que o niilismo seria uma chave para a felicidade?” – Porque ele destrói os obstáculos, remove as impurezas, elimina os entraves que foram inventados por vidas decadentes e débeis. O niilismo joga no lixo todos os séculos de crenças absurdas e mortificadoras do corpo, todo o idealismo que diz “não” à vida aqui e agora em prol de um delírio, a moral, todos os porquês, todas as perguntas e todos os dados que costumavam ser usados como parâmetros para argumentações e raciocínios. Vai além do ceticismo, pois nem sequer ousa comparar pesos e medidas. Joga no lixo a dúvida, o erro, o acerto, a resposta. Ou seja, reduz o “niilista” à apreensão do vazio.

“E, após alguém destruir tanta coisa, como sobreviver?” – O que penso é que grande parte das dificuldades de viver sem o niilismo são, para as pessoas que têm um potencial para se tornar felizes niilistas, apenas dificuldades inventadas. Como sabemos, vivemos num mundo com morais e concepções filosóficas e científicas que foram estabelecidas em nossa cultura, tornando-se hábitos, e que simplesmente são reproduzidas sem questionamentos ou avaliações, regra geral. Mas, aquele tipo de pessoa que tem um “potencial para se tornar um niilista feliz” pode, vez ou outra na vida, ouvir de dentro de si algo dizendo a seguinte sentença: “Nada do que me ensinaram é necessário para mim; nem sequer soa coerente”. E, se ele realmente for um “niilista feliz em potencial”, ele removerá toda a porcaria que herdou das gerações passadas e se iniciará do zero.

E com isso a vida e toda a existência passam a ser vistas de uma forma bem mais leve e simples. Defino-me como um niilista, e hoje, seguramente, como um “niilista-feliz”. [E me perdoem por este termo ridículo que usei, mas faz bem pegar mal de vez em quando, ok?]. E, quando digo que ser niilista dessa forma é ver a vida de uma forma bem mais simples, significa que me sinto bem mais próximo de qualquer outro ser vivo que não seja o homem. Pois ser niilista é jogar fora o “humano” e resgatar a vida. É assumir o corpo, a carne, as vísceras, a fome, a dor, o instinto. Somos animais, como já vimos nas aulas de ciências da pré-escola…

Mas, para se tornar um “niilista-feliz”, que vê a vida de uma forma tão simples, é necessário atravessar um caminho árduo e extremamente complexo. Pois não é da noite para o dia que alguém consegue remover de si hábitos consolidados há anos ou décadas no próprio corpo. Para isso, faz-se necessário o distanciamento do familiar, ou seja, o estranhamento. É preciso experimentar novidades, desenvolver a capacidade de perceber (e compreender) o diferente, o esquisito, o errado, o bizarro, o louco. E isso não é uma tarefa fácil. Mas é assim que aquele pequeno mundinho perde sua significância. Cada um de nós é um “mundo”, e um mundo que pode se expandir à medida que experiências com o sentir e o pensar se acrescentam, entrelaçam, ramificam como uma árvore. E o niilismo faz com que esta árvore se enriqueça e expanda como uma explosão varrendo a atmosfera.

Quando se tem ímpeto suficiente para cruzar esse caminho, chega uma hora em que não há mais volta. As promessas se foram, não há mais Deus protegendo ou vigiando, nem paraíso para nos confortar em momentos de aflição. Apenas há “eu”, “o mundo”, “o aqui” e “o agora”. O tempo segue seu curso cru, duro, seco e indiferente. E a única coisa que resta, neste ponto, é terminar de atravessar essa ponte. Ou então, se o medo for grande demais, rejeitar a própria existência, quer seja voltando a acreditar naquilo que garantia uma sensação de segurança, ou perdendo a lucidez, suicidando, entre outras medidas alternativas que não recomendo…

Mas, para aquele que consegue “atravessar o nada”, tudo fica claro, limpo e simples após a travessia. Toda a cruzada foi válida, e até mesmo prazerosa, para esse tipo de pessoa. E se chegou à conclusão de que a vida é simples demais (principalmente se compararmos com a monstruosa espelunca cheia de bugingangas que foi erguida pela nossa civilização e que nos afasta do nosso sentido de viver). —

Deixo este post por aqui. Somente quis compartilhar algumas reflexões que têm persistido em minha cabeça. Talvez ele tenha ficado incompleto, sem um “tradicional desfecho”, mas a proposta aqui não é escrever redação para a tia da escola.

Para finalizar de uma forma musical, deixo trechos de uma letra, “The Speed Of Darkness”, da banda “The Crown” – uma extinta banda maravilhosa de heavy-metal, também da Suécia:

[Fiz uma tradução logo abaixo. Se preferir, desça para lá].

“From Darkness all is born – And to Darkness all return

You try so hard to follow – I know no path

You pray and kneel and worship – I do not care

With no way to follow – I can’t be lost

When free of all illusion – There is just force

The way of no roads

The freedom here at the peak of time (…)

Before the beginning – After the end

Like cattle who in panic flee – From the fire

You will run in fear until you fall – All burning

(But) those who stand and turn

Towards the flames – Through the inferno

Shall survive on the other side

Where the ground is cleansed

For those who turn to Darkness

Are in endlessness”.

 

[tradução livre – me perdoem por algum pequeno deslize que possa ter ocorrido]:

 

“Das trevas tudo nasce – E às trevas tudo retorna

Você tenta tão duramente seguir – Eu não conheço caminho

Você reza, ajoelha e venera – Eu não dou importância

Sem caminho para seguir – Não há como me perder

Quando livre de toda ilusão – Há apenas força

O caminho sem estradas

A liberdade aqui na batida do tempo (…)

Antes do começo – Após o fim

Como gado que em pânico foge – Do fogo

Você correrá amedrontado até que caia – Tudo queimando

(Mas) aqueles que permanecem e se voltam

Rumo às chamas – Através do inferno

Sobreviverão no outro lado

Onde o chão é limpo

Para aqueles que voltam-se para as trevas

Está o infinito”.

 

___________

 

Flamejantes abraços a todos…

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Sobre a sutil arte de destruir.

20 Setembro, 2008 at 1:28 am (Crownedvic) (, , , , , )

Certamente você, descontraído leitor, lembra-se bem de quando, em seus primeiros anos de vida no jardim-de-infância ou no ensino fundamental, de repente ouviu ecoar, durante uma daquelas longas tardes, uma grave voz que exclamava dentro do seu tenro corpo a seguinte curiosidade: “Mas, afinal, por que estou todos os dias aqui, se não gosto? E quando isso irá acabar?”.

E, conforme foram esclarecidas as dúvidas pelos seus familiares e educadores, ficou claro que é necessário que cresçamos freqüentando escolas, pois é assim que poderemos ter uma vida suportável financeiramente. “Quando se chega à vida adulta, é necessário trabalhar, escolher uma profissão e formar uma família. Quem não estuda, não ganha dinheiro, fica igual ao pedreiro sei lá de onde”… Além disso, “as coisas são como são porque são”.

Ainda bem novos, temos como uma das primeiras experiências de “quebra da inocência” essa triste sentença. E, pelo resto das nossas vidas, teremos que dormir e acordar com ela chiando em nossas cabeças como um grilo, ao mesmo tempo em que faremos de tudo para aprender a conviver com isso.

Trata-se de uma algema colocada em nossos punhos. É a assinatura de um contrato de venda da própria alma ao diabo – de forma que não tenhamos outra opção. E não me refiro apenas àquelas obrigatórias tardes passadas nos jardins-de-infância ou na primeira, segunda, terceira, quarta, quinta, sexta, sétima ou oitava série, no ensino médio, no ensino superior, no mestrado, no trabalho ou onde quer que esteja se desembocando tão pesada avalanche. O âmbito da vida escolar/profissional é apenas um exemplo para o que quero trazer aqui à reflexão. Também podemos muito bem incluir algumas aulas de catecismo, e as respostas pouco criativas que nos foram dadas por nossos familiares adultos, ao longo dos anos, quando perguntávamos a eles “o porquê das coisas” e não podíamos notar que eles, apesar de terem respondido com tanta desenvoltura, não faziam idéia (e talvez até hoje não façam) de quais são as respostas mais decentes para a maioria das perguntas.

E crescemos imersos nesse conjunto imponente de perniciosos valores, crenças, regras, leis – tudo isso nos integrando a uma fedorenta gosma homogênea feita de hábitos meramente automáticos que nos são passados e sem muita resistência começamos a adotar e a reproduzir. Somos invadidos, influenciados, condicionados. E à medida que os anos passam, nossos diplomas acumulam, nossa infância se substitui por um cotidiano cada vez mais cheio de responsabilidades e deveres, e algo tão precioso que tínhamos enquanto crianças simplesmente se evapora. O corpo, antes leve, entusiasmado e cheio de criatividade, é agora um saco flácido de pele sustentando gordura e cansaço, que se confunde, vez ou outra, com uma barata já no início da manhã. Não mais há brincadeiras, nem sorrisos leves que não tenham custado caro, ou sido comprados. Não mais se distingue claramente onde começa a mercadoria e onde termina nossa identidade e vontade pessoal. Como os bons técnicos que tornamos, tiramos a espontaneidade de tudo, e passamos a ver este mundo tão mecânico, frio e fúnebre com novos olhos de máquina. Herdamos, dos nossos mestres, uma vida sem razão para ser ensinada, mas aprendemos muitas vezes a ensiná-la também. Porque vamos deixando, aos poucos, de ser gente.

E não pensemos que nos reduzimos a essa condição de “coisa” apenas quando estamos perto da idade adulta – começamos a “viver mortos” no primeiro instante em que, sem a capacidade de discernimento, ouvimos a palavra de alguma pessoa morta e a aceitamos. Antes de aprendermos a dizer “eu”, “sim” ou “não”, somos batizados… E mortos há demais à nossa volta, pois não estamos num mundo de homens; estamos num mundo de cadáveres que ainda não deram conta de cair. Nossas crianças cedem seus lugares ao cadáver quando começam a perguntar “mas por quê?” aos pais, às tias da escola, ao padre, e a qualquer outro indivíduo que não tenha adotado para si uma identidade crítica, profundamente contemplativa e, sobretudo, anti-social e amoral contra o mundo inteiro. Pois quem não está agora contra o mundo, está carcomido juntamente a ele.

Pois bem, cá estamos, em pleno fim de 2008, no século XXI. A curta história da humanidade demonstra que, no ponto em que nos encontramos, não há um futuro muito animador para nós mesmos e para as próximas gerações. Tudo foi e parece continuar monstruoso demais. E chegamos agora, neste texto, ao ponto onde eu pretendia chegar depois de toda a doce conversa: todo o erro que há em nossa cultura foi criado por nós mesmos.

Trata-se de uma frase que, num primeiro momento, parece soar simplória. Mas vejamos bem: se estamos presos a uma condição humana miserável em vários sentidos, é porque criamos tal condição. Nossos valores, nossas algemas, todo esse suicídio em massa disfarçado por palavras bonitas como “homem”, “civilização” e “progresso”, são criações humanas. Não foram deuses, e sim nós, com nossa capacidade de comunicação, de produzir cultura, que criamos toda a porcaria na qual padecemos.

Mas, quem for um pouco mais esperto que a grande massa banal que domina o planeta, sabe muito bem que não há verdades, valores ou interpretações absolutas. E isso significa que tudo pode muito bem ser avaliado por um outro ponto de vista, ou outro, ou outro. As respostas que costumamos ouvir poderiam muito bem ser de outra forma. – Por que então não tentarmos algo novo? O que falta? Por que continuarmos arrastando uma bola de aço, uma lembrança de um passado que não é necessária? Sei muito bem que a maioria das pessoas do planeta é manipulada e alienada (e muitas por opção), e que para elas nada do que estou dizendo faz algum sentido. Mas não é para múmias que estou escrevendo aqui.

Estou me comunicando com qualquer pessoa que esteja de saco cheio dessa vida pronta, desse produto enlatado, cheio de conservantes, fabricado em série, que já veio até mesmo mastigado para que o consumidor simplesmente se dê ao cômodo trabalho de apenas engolir. Se você, que está lendo isto agora, já acordou se sentindo um inseto, ou sente que teria sido melhor ouvir outra coisa em vez de toda aquela baboseira que tem ouvido desde seus primeiros meses de vida até agora, é hora de se olhar no espelho e dizer para si o seguinte:

Sou um ser vivo, que irá algum dia morrer. E enquanto estou aqui, respirando, meus instantes de vida se esgotam. Estão eles escorrendo, como a areia de uma ampulheta. Cai um pouco de vida agora, e um pouco mais agora, e agora – assim como já se esgotaram todos os meus anos já vividos (ou melhor, roubados…). E, até este instante, não tive a ousadia e a coragem de encher o peito de ar e dizer “eu”, “sim” e “não” – ainda não sei dizer tais palavras… Mas percebo que, se continuar sendo o que tenho sido, morrerei sem ter vivido; continuarei verme, e morrerei como verme. E, embora o mundo inteiro queira me fazer crer que “o caminho certo” não é aquele que mais me agrada, hoje estou determinado a finalmente declarar que não importa qual seja “o caminho certo”, mas sim o “meu caminho”. E pouco me importa se, para os outros, o “meu caminho” será considerado loucura ou pecado. Não pode haver pecado onde não há santidade… Mas como farei para criar meu próprio caminho? O que é preciso fazer para encontrá-lo? Como saber por onde começar? Sinto frio, medo, falta de segurança e de apoio, não tenho onde me escorar, não tenho muletas… Ah, não sei não, acho que irei continuar vivendo como o homenzinho banal que sempre fui… É isso! sou um fraco, admito! Pelo menos aprendi que ser humilde é bonito!…

Infelizmente, querido leitor, não acredito que você seja capaz de pegar uma marreta e demolir tudo – inclusive a si mesmo – para que depois possa se criar e, finalmente, nascer. Pelo fato de ser a regra, o mais provável é que você tenha optado por continuar de costas para si mesmo, embriagado pelo seu bom e velho auto-engano, esperando ansiosamente pelo fim da própria existência (o que será finalmente um descanso, pois a vida te cansa) sem sequer ter a coragem de admitir.

Mas dei meu recado, e atingi quem e como quis atingir (ou não) com as impressões que passei nesta mensagem. Mas isso pouco importa…

Um grande abraço aos loucos, doentes mentais, pecadores, às bruxas, aos “maus” e a todos os que aprenderam a martelar e a dar O Sorriso.

E um Sorriso para o resto.

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Sobre a busca da situação ideal

18 Setembro, 2008 at 4:00 pm (Darto") (, , , , , , , )

Vejo dois desfechos possíveis:

1. Você alcança a situação, e descobre que ela não é [era] ideal;

2. Você não alcança a situação e continua idealizando.

Isso me parece tanto verdade que posso fazer analogias. Para idealizar uma situação, não é fundamental que você nunca tenha passado por ela. Você pode ter vivenciado e idealizá-la, do mesmo jeito. Isso se chama nostalgia. Talvez você nem precise se esforçar para esquecer as partes ruins ou fazer com que tendam a zero.

Sabemos que é impossível, querendo ou não, reviver um instante sem nenhuma mudança. Queremos o impossível. Fantasiar com ele é prazeroso. Esse impossível pode ser:

1. Impossível naquele momento;

2. Impossível em todos os momentos,

e isso não faz diferença. Fantasiamos do mesmo jeito.

As dificuldades dão sentido às buscas. Se não houverem dificuldades, não há busca: você já está lá.

O sadismo parece intrínseco na raça humana. O clímax de um filme [fantasia] é o duelo definitivo entre o bem e o mal. Esse duelo não é livre de sofrimento e dificuldades, e isso resulta em emoção.

E assim levamos a vida, buscando um lugar sabidamente inalcançável somente pelo gosto da mudança [aliada à dificuldade]. Depois percebemos que buscamos a busca, e isso é o melhor que podemos fazer.

Ladeira acima, folks!

“I walk the maze of moments
But everywhere I turn to
Begins a new beginning
But never finds a finish
I walk to the horizon
And there I find another
It all seems so surprising
And then I find I know…..”

Enya-Anywhere Is

PS de integral de 0 a mais infinito de 5x²³dx: Agradeço a oportunidade de escrever na cabala cujos textos sempre me deixaram sem respostas, mas com muitas perguntas mais. Essa situação me pareceu ideal e me deixou muito honrado; pensando mais um pouco, percebi que o ideal seria escrever no mesmo nível dos autores veteranos dessa cabala, e essa será minha busca aqui [obviamente infindável]; a honra que senti, porém, permanece a mesma: imensurável.

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Das bases do Individualismo

18 Setembro, 2008 at 7:15 am (Santaum) (, )

O individualismo, pelo menos a maneira como eu o vejo e o defendo, está longe de significar egoísmo. Pode-se dizer, de maneira geral, que o individualismo é um jeito de priorizar o indivíduo e sua autonomia – o egoísmo caracteriza-se quando o único indivíduo que alguém prioriza é o “si mesmo”.

Pode-se dizer que esse meu individualismo é uma conseqüência natural do discordianismo: se não há uma verdade absoluta, não se pode querer aplicar uma mesma lógica a todos os indivíduos. Isso (que se pode chamar, hum, ‘idealismo’) se revela de formas extremas em regimes ditatoriais e de formas sutis em regimes democráticos, sendo um ponto comum no pensamento moralista que encontramos em quase todas as culturas civilizadas do mundo.

Ou seja, o idealismo acontece quando, baseados em uma ideologia, restringe-se o direito individual. Vemos, por exemplo, grupos religiosos atacando o uso da camisinha, o aborto e o casamento gay. A questão é: eles podem ter a opinião que quiserem sobre o que é moral e o que não é. Mas eles querem mais, querem que isso seja proibido – ou seja, que essa lógica se aplique a todos os indivíduos, baseados na idéia que fazem do que seja “certo” e “errado”.

Outro exemplo que visa restringir o direito individual é quando é invocado o direito do grupo: é uma variação do primeiro, só que ao invés de querer que todos sigam algo porque isso é certo ou errado, esquece-se uma noção metafísica de ética e parte-se para uma noção pragmática e, hum, “humana” de dever / não-dever fazer: porque isso faz ou não bem para o grupo.

Mas… Um grupo é uma classificação humana, é uma idéia, algo vago que existe apenas no modo de perceber as coisas, na mente. Não é um indivíduo de carne e osso, que pensa e sente, não do mesmo jeito que uma pessoa. Quando você beneficia um grupo, você pode acabar, em virtude disto, prejudicando alguém ou a si mesmo. A questão é: ao beneficiar uma entidade que não sente, qual é mesmo o real benefício disso?

Aos poucos você descobre que quando um grupo é beneficiado, apenas uma parte é beneficiada, e nem sempre é a maior parte – às vezes nem mesmo são membros do grupo!!!

Mas aí vem aquela questão: então o mundo ideal é aquele em que ninguém trabalha / age “em grupo” ou de forma “idealista”? Não. Se alguém fosse forçado a fazer isso, tal “sistema” não seria individualista, seria idealista – pois em prol de um ideal força-se alguém a fazer algo. Ao invés disso, apenas a “estrutura”, as leis que regulamentam o funcionamento de um sistema é que deve ser individualista – ou seja, sendo capaz de “suportar” pessoas vivendo dos dois “jeitos”. Quer agir de um jeito? Vai. Quer de outro? Vai, meu filho, vai.

Outros podem pensar ainda “mas isso é um absurdo. Se você se esquece do que é certo acaba machucando as pessoas, só pensando no prazer, no bem-estar…”. Bom, vejam que eu não falei sobre egoísmo; creio que já separei bem uma coisa da outra. O que eu disse foi o seguinte: pensar “no bem” dos “indivíduos” é esquecer que certas ações podem causar mal a outras, o que o idealismo de certo / errado baseado na dor que algo causa em outros.

Em primeiro lugar, o certo e o errado é, inúmeras vezes, flexibilizado para fazer com que alguém não se culpe pelas suas ações. Não que isso esteja errado, apenas mostra que ele é mesmo relativo por demais.

O individualismo não visa o bem-estar. Aliás, ele não visa alguma coisa para as pessoas, ele visa pessoas. O que o individualismo faz é acabar com essas vias automáticas de resolver conflitos (que por vezes só fazem justificar a atitude de alguém que não quer passar muito tempo pensando no assunto) e repor isso com um pensamento direto que envolve uma decisão: se eu fizer tal coisa vai acontecer (provavelmente) isso, isso e isso. Tais pessoas vão ficar bem, outras nem tanto. O que eu faço? Meça suas prioridades e faça uma escolha.

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1 Ano de Nada Pensitivo

18 Setembro, 2008 at 12:01 am (Santaum) (, , )

Agora, ele somente vai se chamar Pensitivo!

E mudou de endereço. Agora está com domínio próprio.

Clica na figura e veja o novo endereço:

http://santaum.org/pensitivo

Grande abraço e espero que goste do novo formato.

Santaum!!!!! (5 exclamações)

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