Sobre a aleatoriedade
Até que ponto podemos considerá-la existente?
Quando não há padrão, então há aleatoriedade, há o caos. Nenhuma lei é respeitada.
Quando o observador olha uma situação e não vê relações entre os acontecimentos, então declara que ali há caos. Pode declarar erroneamente, se não foi capaz de perceber o padrão existente.
Então você executa uma playlist no seu Windows Media Player, numa “ordem” aleatória[meio contraditório, mas vá lá]. Gostaria eu de saber qual gênio discordiano que elaborou um algoritmo com um número finito de etapas capaz de randomizar o resultado, escolhendo uma música de forma completamente erisiana. Pensei, pensei, e não saí do lugar: continuo achando que há um padrão ali.
Não é difícil de pensar que tudo segue algum padrão. Este padrão pode envolver milhões de incógnitas que variam entre si, tornando a visualização das relações muito complicada para nós; isso não quer dizer que o padrão não exista.
E então a abrangência aparece. Se existe um padrão em tudo, então tudo está conectado. Logo, o efeito borboleta conecta tudo em uma só rodada. Então pode[deve] existir uma Teoria de Tudo. E qualquer assunto, qualquer devaneio e qualquer conhecimento que seja é universal e não pode ser desprezado.
Não é como se o determinismo se tornasse totalmente verdadeiro. Você segue um padrão de ações, mas existem as variações das suas escolhas, possibilitando um quase infinito de universos paralelos. Penso que toda decisão tomada ou não, é tomada ou não de modo racional. Seu cérebro recebe dados, processa e reage logicamente. “Mas eu agi com a emoção, e não com a razão!”; a emoção tem sua razão, embora não percebamos facilmente. “Mas ele é louco, e reagiu imprevisivelmente!”; a loucura tem sua lógica, e quem é louco vê. Fica difícil perceber se interpretarmos “razão” como o dicionário faz. Lembrando que a razão de cada um é diferente, e se fosse possível apresentar duas situações semelhantes em todas as suas variáveis para duas pessoas diferentes, então elas reagiriam de modo lógico, mas diferente; se fosse possível apresentar duas situações semelhantes a duas pessoas semelhantes[que passaram pelas mesmas experiências e que têm a mesma disposição biológica(ou seja, a mesma pessoa, o mesmo instante reelaborado){impossível}] então ela reagiria logicamente, de modo igual.
Nos humanos: toda reação racional carrega sua emoção, como toda reação emocional carrega sua razão. Somos resultado do universo em que vivemos: somos múltiplas incógnitas no mesmo momento, e qualquer abordagem que leve em conta menos do que infinitas variáveis será incorreta. Como nossa comunicação não levou infinitas variáveis em conta quando foi elaborada, então ela é imprecisa; não podemos nos ater a ela, somente. Qualquer abordagem que leve um número maior de incógnitas em conta do que foram levadas na elaboração da linguagem causará uma dificuldade de expressão. É como tentar colocar 3 dimensões em 2: você perde dados. Logo, meu texto saiu confuso, mais uma vez[tentando me justificar, mas não sou isento de culpa, claro. não sei utilizar nosso idioma em toda a sua plenitude]. Creio que você, leitor, completará as lacunas com seu raciocínio[diferente do meu], e isso resultará em novos sentidos a cada leitura. Aí estão as variáveis mudando tudo, mais uma vez.


Peterson Espaçoporto disse,
2 outubro, 2008 às 4:21 pm
Eu também SEMPRE me perguntei como diabos o computador faz pra fazer um “sorteio” entre as músicas. Caramba, na verdade, sempre me perguntei como um computador pode ser aleatório. Agora fico me perguntando o que é realmente aleatoriedade.
Cacete. Ótimo post, Darto.
Santaum disse,
2 outubro, 2008 às 6:57 pm
No livro Tábula Rasa, de Stephen Pinker, existe uma passagem (agora não me recordo exatamente em que momento, eu precisaria rever o trecho mas estou com preguiça agora, hehehehehe) que mostra o que escreveu no penltimo parágrafo.
Lembrando que a razão de cada um é diferente, e se fosse possível apresentar duas situações semelhantes em todas as suas variáveis para duas pessoas diferentes, então elas reagiriam de modo lógico, mas diferente; se fosse possível apresentar duas situações semelhantes a duas pessoas semelhantes[que passaram pelas mesmas experiências e que têm a mesma disposição biológica(ou seja, a mesma pessoa, o mesmo instante reelaborado){impossível}] então ela reagiria logicamente, de modo igual.
Nessa passagem, os gêmeos passam por experiências e gosto semelhantes mesmo vivendo separados, e isso é um forte argumento contra a tábula rasa (a vida do ser humano conforme a sua experiência e a cultura que a ele está associada).
Agora, sobre a aleatoriedade do computador, é uma programação LÓGICA com um objetivo NÃO LÓGICO. É mais “lógico” do que se imagina, embora a idéia tenha sido realmente fantástica.
Finalizando, em seus textos Vsa. Exc. comenta bastante sobre efeito borboleta. Um dia eu li em algum lugar dizendo que esse lance de efeito borboleta é um assunto que tá na moda e que, não necessariamente, trata-se de uma temática intelectual para os que se dizem intelectuais. Bom, o que eu posso dizer é que, vindo das suas palavras, o que eu posso dizer é que estou bastante interessado em me aprofundar mais a respeito do assunto, que me parece ser bem interessante.
Mais um ótimo texto. O Pensitivo agradece.
Grande abraço jovem Darto”.
Crownedvic disse,
2 outubro, 2008 às 9:18 pm
Cara, você escreveu algo que vive “martelando” em minha cabeça. E muito bem, por sinal. Na minha opinião, você foi bem claro, e imagino ter entendido algo bem próximo do que você quis passar – não excluindo, claro, a possibilidade de eu ter “inventado” coisas em seu texto…
Sobre essa relação entre aleatoriedade e ordem, nem sequer tento dizer com segurança alguma coisa, pois minhas idéias a respeito disso sempre são muito “caóticas”.
Mas, como opção pessoal, interpreto (ou, talvez, veio até a mim a interpretação) toda a realidade como ausência de propósitos – o que significa que também não há acasos. Ou seja, tudo são explosões irracionais e indiferentes, das quais somos parte.
Mas, ainda assim, penso (pelo menos até agora) que seria impossível o caos não ter uma forma. Nem que seja forma de caos, mas é forma ainda assim. Há uma coerência no caos. Há possibilidades e impossibilidades em jogo, e os dados do universo rolam conforme o ritmo ea música. Uma música que não pára nunca, que não pensa, não argumenta, apenas se manifesta. E enquanto isso, traduzimos as coisas para nossos idiomas através dos nossos filtros.
Bom, é o que penso, de forma bem vaga… Enfim, o que queria dizer é que o caos também tem sua ordem. Abraços…
Ah, gostei muito também quando você disse sobre razão X emoção, e principalmente quando disse que o louco também pode pensar coerentemente. “A loucura tem sua lógica, e quem é louco vê”. A loucura pode ser uma boa chave para o novo.
Darto" disse,
3 outubro, 2008 às 5:58 pm
Muito obrigado caro Peterson!

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Não sei se entendi direito Santaum, os gêmeos tiveram experiências diferentes e reações semelhantes? E considero “semelhante” diferente de “igual”.
Você considera que uma programação lógica realmente possa ter resultados não lógicos? Ou ela insere muitas variáveis, fazendo com que o resultado pareça não lógico?
Pseudointelectuais abordam o efeito borboleta como uma coisa muito intrincada. Pra mim, é bem simples. E não é porque alguns sofrem da “síndrome da carne de vaca” que nós não podemos aprofundar-nos em assuntos considerados “pop-intelectuais”. Nenhuma informação deve ser desprezada, e nós, aqui, nunca discutimos um assunto pelo status que a discussão pode trazer. O fazemos porque nos sentimos bem com isso. Então nem precisamos nos preocupar com a classificação que foi imposta a cada assunto.
Muito obrigado Santaum, é um enorme prazer escrever aqui!
Abração!
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Obrigado Crownedvic! Suas interpretações de meu texto devem carregar mais informação que o próprio texto, de modo que eu gostaria de conhecer todas elas.
Hehehehehe, discordiano!
Entendo[ou acho que] seu ponto de vista. De certo modo, concordo com ele. Mas acho que irracionalidade e racionalidade se entrelaçam, e duas interpretações diferentes podem definir tudo[a mesma coisa] como completamente racional ou completamente irracional. E pra mim essas definições são as mesmas. Não sei explicar direito o motivo.
“Uma música que não pára nunca, que não pensa, não argumenta, apenas se manifesta. E enquanto isso, traduzimos as coisas para nossos idiomas através dos nossos filtros.”
Exatamente. Não poderia concordar mais. Fiquei com vontade de pensar mais sobre esses filtros e seu valor agregado.
Creio que a loucura é uma das melhores chaves para o novo porque o louco não tem nenhuma hipótese para “provar”. Ou seja, ele conduzirá seus experimentos sem nenhum viés[[a.k.a. bias] [ou o mais próximo possível disso]. Isso faz com que suas conclusões sejam mais puras, e a possibilidade é grande de que elas não tenham nada a ver com as concepções anteriores. Ou seja, é o novo.
Triste é o experimento feito para provar uma hipótese. Mesmo sem querer, o observador-experimentador faz com que os resultados se curvem em direção às suas crenças, seus preconceitos. Nada é mais dúbio que um experimento enviesado.
Abraço!
Crownedvic disse,
3 outubro, 2008 às 7:46 pm
Caro Darto, desconfio que estamos conseguindo estabelecer uma sintonia aqui; embora estejamos tratando de algo difícil de ser definido em palavras, acredito que estejamos estabelecendo uma boa comunicação, pois meus comentários e os seus estão em harmonia. Isso é muito legal.
Sobre os “filtros” que criamos, há na discordiapedia algo que diz bem sobre isso, no sentido que eu quis falar: http://1001gatos.org/wiki/index.php?title=Discordianismo#Filosofia
A loucura é uma alternativa boa para destruir o mundo que o “louco” costumava ser – para que assim ele possa começar do zero. Com a loucura, tudo vai por água a baixo e a vontade individual ganha maior consideração.
Me lembrei também da arte, do êxtase artístico: quando alguém experimenta se entegrar de corpo e alma ao instante no qual está criando uma obra artística, o artista mergulha em si mesmo de forma que qualquer conceito perde seu significado, pois o mundo inteiro desmancha, dissolve-se em sensações, impressões, e tudo isso de uma forma bem mais direta, crua e primitiva, mais próxima da linguagem “da carne”. Os instantes que mais me ensinaram em toda minha vida foram aqueles nos quais eu estava nessa espécie de “nirvana artístico” – e, acredite, é muito fácil conseguir isso, basta deixar-se levar pelas notas, ou pelo pincel… O resto vem sozinho. Abraços…
Santaum disse,
5 outubro, 2008 às 11:04 am
Obrigado Darto” por considerar meu erro. Eles têm comportamentos semelhantes, e não iguais. O que faz bastante sentido, até porque é impossível uma pessoa ser exatamente igual à outra.
Sobre a programação lógica, veja. Se existe uma programação, uma lógica a ela está embutida, pela própria definição de programação, hã? Se uma programação é ilógica, ela não funciona. Ou seja, se o programador planejou alterar randomicamente as faixas do MP3 e se essa programação é ilógica, então as faixas que seriam “randômicas” apareceriam uma após a outra, como a seqüência de um álbum de um disco. E ela pode inserir muitas variáveis, sem dúvida, dependendo da complexidade que se pretende com aquela programação.
Então, na verdade, sobre a randomização, eu concordei contigo, pelo fato de haver um padrão ali, como disse com muita sensatez.
E estou contigo caro Darto”, também acho bobagem discursos que se dizem intelectuais demais desprezando discursos que para eles são demasiado fantasiosos. Eu parto do princípio de que as coisas mais simples são mais interessantes. Por isso estou contigo, hehehehehe.
Grande abraço e, mais uma vez, uma excelente postagem.
Darto" disse,
7 outubro, 2008 às 8:55 pm
Muito legal mesmo. Opiniões em comum.
Há, esse trecho do Principia é sublime, um dos melhores, pra mim!
Tudo são sensações e impressões, hã? Mas quando abraçamos um conceito que restringe nossos sentidos, quer dizer que abraçamos as sensações alheias, “médias”, consensuais. Entende o que digo? O que é conceito geral foi sentido por alguém, algum dia, e os outros concordaram, fazendo daquilo uma coisa geral que deveria aplicar-se a todos, um sentimento mútuo, não individual.
Tenho tentado aprimorar meu lado subjetivo. Mas só sou subjetivo quando quero ser objetivo hahahahaha
Abraço!
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Que é isso Santaum, sabemos que não há certo e errado hehehehehe
Hum, entendo…..mas acho que uma programação ilógica que dá errado[ou somente não funciona como desejado] também tem sua lógica.
Hummm, entendo!
Simplicidade rules! =D
Abraço, e obrigado!
Ricardo disse,
19 novembro, 2008 às 9:19 am
Aleatoriedade nas listas de música: O random do pc,claro, não é propriamente um random, mas algo muito próxima.O Pc usa os valores de lixo de memória para simular valores aleatórios.Sim, eles não são aleatórios, mas tão complexos que PARECEM que são.Teoricamente, apenas um pc quântico poge gerar valores REALMENTE aleatórios.
Aleatoriedade: Só para ser o advogado do Diabo aqui, o fato de não percebermos um padrão no caos, não significa que possa haver um(a falta de provas não é uma prova).Muito provavelmente,como um sistema, o conhecimento de todos os valores das variaveis universais são inacessiveis de DENTRO do nosso universo, ou seja, o nosso prórprio universo não conseguiria determinar a si mesmo(estaria além de sua condição).Muito provavelmente, apenas um “PC” fora do nossa universo conseguiria computar o nosso.E caso essa possibilidade não exista, para todos os efeitos práticos, a aleatoriedade e o caos puro existem.
Darto" disse,
26 novembro, 2008 às 9:12 am
Aí voltamos na questão de definição da aleatoriedade: declarar que ela existe quando é impossível para nós encontrar um padrão, ou declarar que ela existe quando é impossível para tudo e qualquer coisa encontrar um padrão.
Fora do nosso universo, talvez seja possível encontrar um padrão que o rege. Isso não seria afirmar que existe um padrão nesse nosso universo?[mesmo que seja impossível determiná-lo daqui. e talvez não seja. talvez seja somente mais fácil de fora]
E realmente, se não é possível determinar um padrão nem dentro nem fora do nosso universo, então o caos existe. A não ser que possamos calcular o padrão no “limite”, hehehehehe
Penso que o nosso universo nos dá equações e incógnitas na mesma proporção. Numa proporção quase infinita, o que dificulta a resolução e visualização do sistema numa abordagem superficial.
O fato de não percebermos um padrão no caos faz com que as pessoas pensem que com certeza não há padrão ali. Pode ser, pode não ser. Isso que eu questionei
Seu comentário agregou muito à postagem. Obrigado e volte sempre!
Ricardo disse,
26 novembro, 2008 às 10:09 pm
Caro Darto,
Qndo aleguei que seria impossível calcular o nosso universo de dentro, não era uma mera especulação, mas uma premissa da teoria dos sistemas.
É impossivel um sistema ter acesso a todas as suas próprias váriaveis, devido ao cálculo infinito que isso geraria.
ex:um computador não pode simular a si mesmo, por que se tentasse, ele teria que simular a si mesmo simulando a si mesmo simulando a si mesmo simulando…em um processo de retroalimentação ad infinitum.
A hipótese de que seja possível calcular o nosso universo de fora, aprtir de um outro universo, a isso sim, é puro suposição, afinal, não fazemos a menor idéia do que pode ser um universo diferente do nosso.
abraço!
Darto" disse,
27 novembro, 2008 às 5:29 pm
Hummmmm, entendo!
Esse fato não foi catalogado como paradoxo?
Henrique disse,
21 março, 2009 às 2:04 am
Olha só: primeiro quero parabenizar todos pela interessantíssima discussão que está sendo gerada.
Também aproveito aqui para mostrar o meu ponto de vista que é somente uma complementação do que está no texto.
Sim, eu acho que o nosso universo é regido por um padrão aritmético com variáveis “quase” infinitas (coloco aqui o quase entre aspas porque não existe um quase infinito. O número 1 está tão próximo do infinito quanto o 100000000000), mas talvez esse padrão matemático seja ainda mais complexo pelo fato de que talvez ele mude o tempo todo de acordo com padrões pseudo-aleatórios que mudam o tempo todo de acordo com padrões pseudo-aleatórios. Exemplo: Imagine que alguém venha a te pergunte se você quer caminhar. E você diz não. Mais tarde, a mesma pessoa vem e te pergunta se você quer caminhar, mas dessa vez você aceita. O quê mudou nesse caso? As variáveis que esse algoritmo que o cérebro usa para tomar decisões ou o próprio algoritmo, de acordo com um outro algoritmo ainda mais profundo?
Ou ainda, talvez, como você diz no seu texto, tudo está interligado. Talvez as equações de todas as coisas se misturem e embaralhem, se juntem e separem, o tempo todo, de acordo com algum algoritmo Universal que rege toda a matemática de tudo!
Eu sei que é estranho e um pouco complexo, mas como eu pude ver, todas as pessoas aqui são inteligentes o suficiente para entender.
O que vocês acham???
Darto" disse,
22 março, 2009 às 8:15 pm
É exatamente assim que eu penso, caro Henrique. A complexidade do sistema dá uma aparência de caos pra coisa.
Grande abraço.
crownedvic disse,
23 março, 2009 às 5:27 pm
Grande Darto”, cara, você sumiu!!! Estava fazendo falta aqui!…
Bom, vi esses comentários via RSS, e resolvi dar uma pescoçada. Infelizmente não pensei muito sobre o assunto, e acabaria dizendo o mesmo que disse nos comentários acima anteriormente.
Mas mesmo assim passei aqui para concordar com o que você disse: “A complexidade do sistema dá uma aparência de caos pra coisa.”
Eu sempre defendi a idéia de que o caos também é uma forma. É uma “forma de caos”. E o que me provoca nessa idéia é o seguinte: até que ponto podemos aceitar alguma “forma” enquanto “forma”? Será que as “formas” em questão não sejam apenas antropomorfismos? Pois partindo do pressuposto de que a natureza se manifesta indiferente e irracional, não estaríamos aplicando “grades” específicas e assim sabotando a verdadeira “face da natureza”?
Em relação à minha posição particular, eu digo que nós somos todos mentirosos. Temos imaginação e consciência, e por isso falseamos tudo. (Mais uma vez me deparo com o Bigode aqui, mas não consigo evitar! eheheheh). Portanto, penso que “forma” e “ausência de forma” sejam apenas conceitos inventados por nós. Como saberíamos até onde e como tais conceitos chegariam até nós e por nós? – fomos nós mesmos que os inventamos, arbitrariamente. Equações, eventos, propósitos, coincidências…
Tudo isso é representação, é como construir um relógio e tê-lo a partir daí como medidor legítimo do tempo: mas na verdade, segundos não existem, nem milésimos; o dia não tem 24 horas. É o relógio que criamos que tem.
Eu desconfio que nada disso passe de produto da imaginação nossa. Precisamos de máscaras, de cultura. E enquanto o rio da existência flui indiferentemente, estamos classificando seus peixes (sendo que poderíamos também estar classificando outras espécies de bichos desse rio, ou de outra forma os mesmos peixes, ou as pedras que rolam…).
Mas mesmo assim insiste em minha cabeça uma pergunta: se eu defendo que o caos também tem forma (pois no caso é uma “forma de caos”), será que essa “forma” não seja também produto da nossa tentativa de sistematização do caos? E, caso não seja, talvez estejamos apenas “traduzindo o caos” para uma linguagem humana – mas mesmo assim penso que não conseguiríamos deixar de sabotar tudo a todo instante.
Ah, e bateu um outro pensamento aqui: “caos” e “ordem” são conceitos criados por nós. Com esses conceitos podemos interpretar a realidade de forma que ela pareca divisível, mensurável, formada de “coisas” e de “fatos”, mas desde o início, talvez, fomos nós que forjamos todos os dados. Será que existem “dados”? Bom, realmente penso que somos todos um bando de pinóquios. Mas isso não deixa de ser interessante!… hehehehe
Cara, foi mal pelo comentário meio atrapalhado e cheio de idéias meio soltas. Mas é que só conseguiria escrevê-las assim. A minha intenção aqui foi a de compartilhar impressões, e nada mais. Talvez isso contribua para que pensemos mais ainda sobre o assunto, embora não encontremos resposta! Abraços…
Darto disse,
7 novembro, 2009 às 10:07 pm
Caro Crownedvic, brilhante comentário!
Você está coberto de razão! Há tempos eu tentava me explicar isso, mas nunca cheguei perto do que você disse. Muito obrigado!
Eu tinha pensado sobre a definição do infinito. Pra mim, se algo é infinito, então tudo é infinito. Mas talvez isso só englobe as ferramentas que trabalham com aquele. Nunca mediremos nada que tenha um metro, sempre algo perto disso, com uma representação numérica infinita. Nunca mediremos número algum, na verdade.
Grande abraço, muito obrigado!
Ana disse,
5 outubro, 2009 às 2:02 pm
Adorei o texto, deu vontade de fazer um post sobr eo tema… coincidência?
^^
Darto disse,
7 novembro, 2009 às 10:10 pm
hehehehehe, bondade sua, Ana!
Hum, será que é uma vontade aleatória?
Obrigado pela leitura, beijos!
Eurritimia disse,
19 maio, 2010 às 2:39 pm
Existem vários padrões de aleatorieade, pelo menos no que tange às músicas. Um que me lembro de cabeça envolve a escolha de um número e ir calculando o módulo dele sucessivas vezes. Outro método envolve sequências de Fibonacci.
É mesmo muito estranho falar em “geradores de números aleatórios” ou mesmo “padrão de aleatoriedade” como mencionei ali em cima, mas os computadores fazem isso a todo instante.
Talvez seja interessante ler isto aqui, pelo menos o capítulo 3, que fala dos algoritmos para gerar números aleatórios: http://www.ravel.ufrj.br/arquivosPublicacoes/cos702_Rafael_Tiago.pdf
Darto disse,
10 junho, 2010 às 11:03 pm
Hum, muito obrigado!
Assim que eu tiver um tempo, lerei.
Mesmo assim, ainda acharei estranho falar em “padrão de aleatoriedade”, pois são noções completamente contrárias, hehehehehe.
Acho que a própria possibilidade de “quebrar o código” e reverter o algoritmo ao seu início, por assim dizer, é uma indicação de que a aleatoriedade não foi tão aleatória assim
Obrigado novamente, abraço!
Fabio disse,
9 julho, 2010 às 12:47 pm
Boas, gostei muito do tema e da explicação dada, desde já os meus parabéns.
De facto foi um tema que vim a pensar muitas vezes, “será que a aleatoriedade existe? terei eu o dom do livre arbítrio? é possível prever o futuro?… bem, foram logo estas perguntas que me vieram a mente. Bem, afirmo já que não acredito no factor aleatoriedade, nem no livre arbítrio, e acredito que seja possível prever o futuro (e não é com cartas ou métodos “malucos” xD)
Sobre a aleatoriedade, e tentando ser muito breve, eu acredito que todo é matemático! a + b = c ou 1+2 =3 … Facto! Se eu fizer uma acção ela vai ter aquela determinada consequência e ponto final. Como exemplo, (espero me fazer entender): EUROMILHÕES… o euromilhoes é um sorteio “aleatório”!! .. Segundo eles!!!… a meu entender n vejo nada de aleatório na situação. Pois considerando o factor espaço, força, rotação etc… por mais que as bolas rodem umas com as outras, elas tão a fazer acções, com consequências certas. Logo possível de determinar depois de tanta rodagem da tômbola a bola que ira sair. E estou a retratar um exemplo pequeno, pois se fosse possível para um humano avaliar todos os factores do universo num preciso momento, era depois “fácil” prever a acção seguinte de tudo e assim prever o futuro! Parece um pouco maluca a minha ideia, mas acredito plenamente nesta ideologia.
Sobre o livre arbítrio, bem n é preciso ir longe, se acredito que esta tudo “programado” a acontecer, quem sou eu para decidir o contrário… pois se achar que fiz uma acção de decisão minha de “livre arbítrio” então estou a enganar a mim próprio e começo a levar uma ilusão sobre a realidade!
Não sou nenhum super intelectual só uma pessoa que gosta de raciocinar e espero que me tenha feito entender o meu ponto de vista.
cumps
Darto" disse,
11 julho, 2010 às 10:39 pm
Muito obrigado, Fabio!
Ah, essa sua exemplificação do Euromilhões é excelente!
E, nesse caso, concordo plenamento com a sua exposição.
Há algum tempo atrás, vi que essa questão foi discutida por pessoas como Einstein, Heisenberg, Schroedinger e Hawking!
Einstein acredita que “Deus não joga dados”, e que podemos prever tudo, embora com alguma dificuldade(teoria da variável escondida). Os outros não concordam.
Hawking diz que alguns fatores são perdidos em buracos negros, sendo assim impossível para qualquer entidade conhecer todos os fatores em um dado momento, para que então possa prever o próximo.
Então a discussão, hoje, está na possibilidade ou não de coletar todos os dados em um certo momento.
Muito obrigado pelo comentário e por sua opinião, volte sempre!
Só uma dúvida…você é de Portugal?
Um grande abraço!
Lorran Luiz disse,
3 janeiro, 2011 às 10:43 am
Já pensaram na hipótese dos físicos empregarem as palavras sob a epistemologia da física?
Já buscaram o que é o ‘nada’ na física?
Não sei, mas me parece arriscado crer, em absoluto, nas palavras quando o assunto é física. E se os físicos falam de ‘sabores’, o que querem dizer com isso?
Crer na epistemologia científica como verdade em absoluto é como crer na bíblia como verdade, em absoluto.
Afirmar a aleatoriedade em absoluto na natureza é afirmar que do nada possa surgir algo. Simples absurdo.
Darto" disse,
7 janeiro, 2011 às 1:09 pm
Obrigado pelo comentário, Lorran Luiz!
Creio que essa é, sim, a abordagem dada ao assunto pelos físicos. Cada um escolhe os filtros para analisar cada situação, e é provável que eles olhem e comparem tudo através e ao seus conhecimentos prévios.
Isso também abrange a situação da simplicidade da linguagem e comunicação comparadas à realidade. Creio que qualquer abordagem é simples demais para entender qualquer assunto que seja. Podemos, claro, ter o prazer de tentar e a sorte de aproximarmo-nos da realidade em um dado momento.
Acho essa idéia tão absurda quanto a de que tudo sempre esteve aqui (nunca, então, tudo tendo surgido do nada).
Sinceramente, não sei o que pensar.
Um grande abraço a todos!