Para os “Superficialistas”

8 Julho, 2009 at 11:57 am (Santaum) (, , , , , , , , , , )

Basta andar nas ruas para um “superficialista”, em algum momento, te observar. Ele, inclusive, faz questão de te olhar de cima para baixo. Para o “superficialista”, após esse cruzamento espacial tão repentino, a probabilidade de que, impreterivelmente, uma crítica destrutiva saia da sua boca é muito grande.

O “superficialista”, quando chega na sua casa, pode ter duas reações: ou continuar do jeito que ele é ou, num milagre, expor os seus pontos fracos. Se, na sua casa, vocês dois estão sozinhos e, principalmente, se tem uma amizade relativamente íntima a ponto de um se abrir pro outro, o “superficialista” baixa a guarda e, timidamente, aponta as suas fraquezas como qualquer outro ser humano. No entanto, na rua, nos bares, nos restaurantes e nas baladas, o “superficialista” aparenta ser a pessoas mais confiante do mundo, está sempre ereto com os ombros para trás, o peitoral estufado para a frente e a cabeça erguida, convencido de que o seu eu é poderoso e que está bem consigo mesmo. Afinal, pra que revelar aos outros que tem fraquezas e que em várias situações de sua vida perde e fracassa?

Na hora de almoçar no restaurante, o “superficialista” faz questão de seguir aqueles padrões chatos e antigos de etiqueta. Por hora, e se tiver condições para isso, não abdica de maneira alguma da sua estratégia de sempre ficar por cima dos outros. Nessas situações, ostentar não faz mal. Afinal, pra que perder a oportunidade “social” de deixar a pessoa do lado para baixo?

O “superficialista” sempre é forte e nunca fracassa. Sempre vence. Nunca perde, mesmo que isso esteja somente na cabeça dele. É um ser humano que não acredita, mas praticamente tem certeza de que ele é o melhor e “o resto não é nada”. Essa é a sua grande motivação: ficar sempre pra cima e deixar os outros sempre por baixo, mesmo que isso fique somente no seu pensamento. Não existem as palavras “malogro”, “frustração”, “derrota”, “perda” no vocabulário do “superficialista”, apenas “beleza”, “poder”, “vitória”, “prazer”, “felicidade” e “riqueza”. Costuma dizer frases como “vou fazer isso porque dá dinheiro” e “eu sou mais eu” no dia-a-dia, e é de praxe soltar uma expressão para inferiorizar quem está à sua volta, pelo menos emocionalmente, mesmo que a pessoa que esteja diante dele não perceba.

Seus grandes parceiros são a “vida social” em restaurantes e baladas, o álcool, a elegância material e o dinheiro. Talvez esse último seja o seu grande amigo. As futilidades materiais são o seu grande prazer. Afinal, qual é o problema de pagar pela bebida mais cara do bar ou ter três carros na garagem, mesmo que não tenha necessidade? Em situações mais extremas, o “superficialista” pode até recorrer às drogas, pois é um ser humano e tem fraquezas. “Válvulas de escape” são fundamentais para o “superficialista”, principalmente se ele tiver perto do outro. Então, para manter o ego sempre alto, é necessário recorrer a essas “ferramentas” para pelo menos enganar seu cérebro e dizer a si mesmo que sempre está bem e forte.

Alguns “superficialistas” que têm dinheiro gostam de ostentar, enquanto aqueles que não tem, por sua vez, fazem de tudo para tê-lo. É como se fosse o objetivo maior de vida, mesmo que seja necessário passar por cima de algumas situações inconvenientes. Talvez essa seja a situação mais delicada para o “superficialista” que não tem essa riqueza material que tanto almeja. Por dentro dessa casca chamada de pele, o “superficialista” lamenta profundamente o fato de não ser uma pessoa rica e não ter luxos, mas por fora está sempre forte, principalmente se alguém estiver perto dele. Esse é o grande diferencial do “superficialista”, pois sempre esbanja para os outros pujança e poder, mesmo não apresentando isso dentro de si mesmo. Ele sempre está bem. É como se sozinho vivesse por ele mesmo e diante dos outros criasse um personagem chamado de “superficialista” ou estivesse diante uma máscara de carnaval com um sorriso enorme subentendido como “eu sou forte” e “eu sou o melhor”.

Diante de tais circunstâncias e principalmente pelo fato de testemunhar, a todo momento, suas atitudes, mando essa singela carta aos “superficialistas”.


6 Comentários

  1. marcilioestefanio disse,

    Santaum

    Grande texto amigo!

    Acredito que quanto mais longe estivermos do conceito de “superficialistas” mais evoluidos estaremos.Entretanto, como não somos perfeitos,vejo que em algum momento da vida somos superficiais.Talvez por falta de maturidade ou por nos permitir ser influenciados por juizos ou valores fúteis do meio em que estamos e das pessoas que convivemos.

    A verdade é que os “superficialistas” são tão fortes que são capazes sim de nos fazer acreditar que somos menores.Eles têm em seu benefício o fato da sociedade premiar e valorizar demasiadamente os valores dos “superficialistas”.

    Falta coragem para a maioria das pessoas em mostrar quem realmente são.As pessoas temem em se mostrar, porque temem o julgamento, temem ser consideradas “menores” que as outras pessoas e na realidade é terrível se sentir pequeno.

    Acredito que por isso o mundo esteja repleto de “superficialistas”.

  2. bonfatti disse,

    Gostei muito do texto. Esse é o tipo de pessoa que eu odeio: Aquela que fica enganando a si mesma. Ficam se mostrando superiores e de tanto agirem de maneira falsa, acabam se achando realmente superiores. Acabam uma casca lustrosa, mas podre por dentro.

  3. bonfatti disse,

    Ok, acho que a palavra “odeio” foi muito forte. Vamos dizer que eu simplesmente não gosto desse tipo de pessoa e procuro me manter longe quando a reconheço como tal (melhorou agora).

  4. Suely disse,

    O texto é muito bom, cada vez aprendo mais,acho que existem muitos superficialistas. São fúteis e chatos, quero distância deles.
    Su

  5. Evandro Cesar disse,

    Odeio essa gentalha ¬¬

  6. Rafel Nune disse,

    Ótimo texto Santaum!!

    Cara, a parte em que você cita o restaurante é exatamente assim. Certo dia eu e mais dois amigos começamos a comer com as mãos, simplesmente deixamos os talheres de lado e mandamos ver =D, imagine 3 caras de terno e gravata comendo com as mãos hauhAUA, penso que não foi algo muito higiênico (mesmo tendo lavado as mãos) , mas nos rendeu boas risadas.

    Abs

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