Alta pressão ou auto-opressão?
Hoje estava eu calmo no quintal de minha casa pensando: a ditadura acabou a tanto tempo e eu fico aqui tão preso a banalidades cotidianas. Será que a opressão acabou? Acho que não. Acredito que ao invés de opressão governamental temos hoje uma “auto-opressão”, uma coisa que me faz ser parte de tudo. Que me faz sentir parte de um país corrupto só porque alguém dotado de sabedoria um dia soltou uma dessas por ai: “No nosso país temos políticos corruptos porque nós que os elegemos somos corruptos”. Eu não elegi ninguém, tenho o direito de não escolher – e ainda mais de considerar a “não escolha” uma escolha. Não quero ser parte de nada, quero continuar divagando no meu quintal. Tenho o direito de ligar (ou não- a negação é uma escolha, talvez a mais óbvia) a caixa de surpresas e não escolher nem Roberto Marinho nem Edi Macedo. Não quero me culpar, ou me auto-oprimir por não ver o programa da moda. Me sinto livre de toda essa baboseira. Sei que estou cercado de pequenas ditaduras. Vendo um seriado muito interessante que retrata os anos 1960-1970 dos Estados Unidos (Anos Incríveis) percebi que nossa família é uma mini-ditadura, com regras impostas, com o poder executivo bem delimitado. E ao passar dos dias eu percebo, no meu trabalho também é assim, “tenho uma ótima idéia pra aplicar hoje” mas meu superior adora a palavra não! Até ai tudo bem, recebo por isso (elogios em casa, dinheiro no trabalho) mas até mesmo em minhas poucas diversões eu vejo uma mascarada ditadura, nas músicas que eu ouço, na roupa que uso, no cinema (Tim Burton ainda salva!!!), nas pessoas, nos olhares. Então me pergunto novamente, “será que a ditadura já se foi?” Ou mesmo “será que a ditadura brasileira foi tão incomum que seus traços permaneceram na história?”. Nem sei se isso tem algum sentido ou significado maior. Acredito mesmo é que não quero ser incomodado em minha casa, bem na hora da minha reflexão no meu quintal. E mais, que não foi a ditadura que permaneceu e sim a massa de manobra, termo pesado né? Não consegui encontrar outro, é isso mesmo. Enquanto um monte de robôs pensam que decidem o que bem querem na sua existência, na cultura, na política e sociedade do seu país, fico eu aqui só pensando no café que não quer ficar pronto logo. Não sou mais criança, não posso me esconder debaixo da cama e fingir estar tudo bem. 
Pastor Timóteo esteja convosco: Ele está no meio de nós!
Olha ali! Vê aquele homem de bom coração que consegue, há 5 anos, com doces palavras, PROVAR que a vida é bela, que Deus existe, e que ser feliz é simples e fácil? E aquele ali, aquele ingênuo voluntário que abriu um blog (hoje cheio de assinantes) só pra dar esperança às pessoas que se sentiam desamparadas e carentes, e que as tem conseguido convencer que suas vidas só são difíceis e complicadas porque elas é que estão fazendo tempestade em copo d’água? E aquele ali, aquele famoso autor de livros de auto-ajuda que estão no topo da lista dos mais vendidos? E aquele outro, um exímio sedutor na área da lei da atração? – Cuidado!!! Por baixo de um daqueles benévolos sorrisos que transmitem tanta segurança, pode haver, ardilosamente oculto, o sorriso de um… Pastor Timóteo!!!
PASTOR TIMÓTEO VIVE!
Ele nasceu para pregar a harmonia, a ordem, a estabilidade emocional e a concórdia neste mundo tão caótico e perigoso! Ele está no meio de nós, cumprindo sua nobre missão! Ele está em todos os lugares! Ele é todos nós, assim como está em lugar nenhum e não é eu e nem você.
Há muito se vem falando que, no fim dos tempos, o lobo-mau sairá justamente de dentro da vovozinha menos suspeita. Por baixo de quais peles se esconde Pastor Timóteo? – Quem é, e por onde andará… Timóteo Pinto?
Será Zíbia Gasparetto um Pastor Timóteo que arrebanhou milhares de fiéis e, quando chegar o momento derradeiro, lançará impiedosamente uma maçã sobre todos eles? Ou será o padre da esquina um Pastor Timóteo que, após conquistar toda a comunidade na palma da mão, apenas esperará pelo momento oportuno pra dar um peteleco nesse seu rebanho e mandar todos pro fundo do abismo?
Pastor Timóteo está à solta! Pastor Timóteo, nosso sorrateiro Loki; Pastor Timóteo, o maestro! Em qual vovozinha o povo poderá confiar, a partir de então? – Já não se pode mais seguir demagogos com segurança, Pastor Timóteo pode ser um deles… E agora?????
Pastor Timóteo já está, neste exato momento, realizando brilhantes cultos no Reino dos Céus, à direita, e à esquerda, de Deus-Pai-Todo-Poderoso. Pastor Timóteo já tem seu trajeto traçado, e algum dia pegará todos os anjos de surpresa – quando, finalmente, cairá de volta, juntamente com todos eles, nas profundezas do inferno!!!…
Pastor Timóteo esteja convosco; Ele está no meio de nós!
Escorracemos a Felicidade do nosso paraíso!
Bom, este texto foi inspirado por uma pergunta que, certo dia, um amigo em meio a uma conversa fez a mim:
_ “…Você é feliz?”
_ Não, cara, a felicidade fede. Nunca desejarei ser feliz, e seria bom que muita gente também não desejasse isso.
_ “Mas o que quer dizer com isso?”
_ Rapaz, antes de qualquer coisa, é bom perguntarmos: afinal, que diabos é a felicidade? Sei que trata-se de algo bastante subjetivo. Para um masoquista, felicidade é levar sopapos na cara, para um marido bunda-mole, idem; para uma dona-de-casa puritana, é fazer sexo sentindo culpa e sem sorrir e respirar, e assim por diante… Claro que estou fazendo uma explicação bem rasa, mas é só pra você entender de qual “tipo” de felicidade estou falando.
Para a reflexão que quero trazer aqui, deixo claro que a “felicidade” em questão é aquele “conceito oficial”, adotado pela sociedade estabelecida, almejado por leitores de livros de auto-ajuda, supostamente conhecido pelos autores desses livros, por conformistas, onisatisfeitos, protagonistas de comerciais felizes de creme dental, pela família Flanders, pelos seus vizinhos… Entendo esse tipo de “felicidade” como o “conceito oficial”, assim como o monoteísmo católico considera qualquer divindade, que não seja o próprio deus católico, ilegítima: assim como sou ateu, sou também um baita de um infeliz…
Pois bem, tratando desse “conceito oficial” que nossa cultura tem para felicidade, não consigo vê-lo senão como um sintoma de desespero, aflição, repugnância à própria vida. Nada mais que um grito de dor e tristeza, até mais triste que a própria tristeza. Já percebeu como o mundo inteiro rasteja, até agora, atrás dessa tal “Felicidade”? Todo mundo ama a Felicidade, passa a vida inteira em busca dela, morre, em muitos casos ainda esperando encontrá-la após a morte, mas ninguém sequer a viu senão como um sorrateiro vulto… A Terra já deu inúmeras voltas em torno do sol, templos e civilizações ergueram-se e se extinguiram diante da impassividade da natureza, e até agora o povo não parou de arrastar atrás da Felicidade.
Momentos que poderiam ser inesquecíveis passam, um após o outro, como poeira diante daqueles milhares de olhos que se perderam no sonho, na esperança de que, algum dia, o esperado “momento sagrado” se manifeste e transforme completamente a vida – e enquanto isso, a própria vida aos poucos se despede, se mingua e vai perdendo seus traços, sumindo em forma de uma negra silhueta na linha do horizonte como um navio destinado a ir embora. Será a Felicidade uma cadela ágil demais? – Não, não é uma cadela, e nem é coisa alguma, e é por isso mesmo que até agora não foi alcançada. A Felicidade não é coisa alguma!
Não se pode alcançar idealismos que não se materializam; a Felicidade é nada além de utopia. O “momento sagrado” acontece agora, e agora, e agora, e agora… Mas o povo prefere virar as costas e dizer, a cada “agora”, um “não, obrigado, ainda estou esperando a Felicidade chegar!“…
Vivemos num mundo hostil, podre, que causa náuseas. Embora muita gente consiga camuflar tal visão, algo me diz que notar o aspecto repugnante da existência ao estar vivo é uma condição tão intrínseca à nossa espécie como é a de respirar. E, se sociedades inteiras conseguem moldar máscaras sobre o aspecto desagradável detectado, não é por isso que por baixo dessas máscaras a realidade não esteja podre como sempre foi. Dizer sim à podridão, o que significa dizer sim à vida como ela é, sem subterfúgios em mundos fantasmagóricos e embriagantes é, portanto, dizer não à maldita Felicidade. E é por isso que odeio profundamente essa tal Felicidade…
Escorracemos a Felicidade das nossas casas! Querer ser Feliz é um sintoma de doença, é querer se privar dos próprios sentidos para suportar aquilo que eles já não mais suportam. Em vez de procurar pela Felicidade, devemos aceitar e desejar o caos, a inconstância, a ruptura, a crise, o movimento, a destruição – a criação! É disso que precisamos! De exuberância, de riqueza! É isso que nos liberta e faz de nós os herdeiros da Terra!
Arremessemos brasas aos céus para que os anjos acordem, um a um, nestas labaredas impiedosas e queimem! O paraíso está aqui em baixo, e não em lugar nenhum! Felicidade não passa de morfina, delírio, sonambulismo, coma induzido. Vamos assassinar a Felicidade, essa deusa pálida, raquítica e perversa!…
Não queiramos ser Felizes, queiramos ser vivos, queiramos respirar e transpirar, queiramos sangrar, queiramos cair, – queiramos sentir!
Não sejamos Felizes, sejamos trágicos!
Eu estou bem aqui!
Depois de falar sobre a antropofobia pra vocês quero mostrar um pouco sobre o ser que vive em mim como uma forma de me apresentar, primeiros posts aqui nestas bandas de cá. Entonces vou mostrar um pedaço de um conto antigo meu.
Não converso com pessoas desde os vinte e um anos de idade. Não preciso deste contato. Sei qual a doença que podem transmitir com as palavras, prefiro não usá-las. Tenho uma filha, que nunca me viu. Tenho um apartamento, gelado e vazio. Meus livros – meus companheiros. Não sei mais quem são meus pais. Perdi meus amigos, sou egoísta demais para admitir que erro. Não trabalho mais, sou um insano para eles. Comprei algumas coisas com um dinheiro que consegui juntar. A coleção do Verne pra viajar. Fernando Pessoa pra me entender. Fui ver o mar sozinho e no dia seguinte algumas pessoas apareceram no mesmo lugar e então senti necessidade de estar em minha casa. Todos os dias, quando amanhece eu durmo. Não estou bem certo se devo continuar a contar o que me aflige, se é que irão entender. Mas, a tinta da caneta é o suficiente pra terminar. (De “Ao menos me deixa explicar” Felipe , 2009).
Até, e que a maçã esteja sempre em nossos bolsos nos locais públicos!
Antropofobia, uma doença grave no nosso lindo mundo!
Quero deixar claro que antropofobia é uma doença séria e está se espalhando de forma endêmica pelo mundo. Porém, devemos prestar bem atenção aos sintomas corretos, pois pseudos-casos (como losermanite aguda ou hiperdepressãoporfaltadeumablusanova) estão surgindo por ai, só dificultando para real luta contra essa maleficência no nosso lindo mundo atual. Quando o homem completa sua indignação e a sua sensibilidade autocrítica extrapolando os limites do viável, começa a aparecer os primeiros sintomas.
Em seguida uma lista dos principais sintomas da antropofobia crônica:
- Indignação ao ver pessoas sorrindo ao escutar músicas felizes em lugares felizes;
- A arcada dentária trava, impossibilitando, também, a comunicação com seres felizes;
- Uma música começa a tocar em volume máximo dentro da cabeça e o refrão é “Morte a todos, morte a todos – que o mundo acabe agora!”
- Por fim, a pessoa se trancafia em um lugar quente da sua mente e por ali fica sem perceber que existe algo ao seu redor.
Se alguém souber de algum caso como este ligue para o número Blá Blá Blá e fale com “casa”! Com todas nossas forças iremos acabar com esta doença mortal que ataca a nossa linda humanidade.

