O conhecimento através do tempo
Eu já disse algumas vezes que, quando mais novo, via tudo mais preto e branco, e tudo o que era passado ou, no mínimo, mais velho que eu, representava uma sólida estagnação no tempo, passando um sentimento de equilíbrio e simplicidade.
Quando a intertextualidade começou a aparecer, separei minha nova visão da antiga, pensando que estava separando a minha visão daquela dos antigos. Como eles não viam o que eu via? Nessa interpretação estreita, julgava que o mundo estava em franca evolução, com cada vez mais conhecimento aparecendo, e os velhos recusando-se a reconhecê-los.
Mas as estórias dos mestres de kung fu apresentavam premissas inversas. O aprendiz que perdia seu mestre nunca se sentia preparado, tinha certeza de que muita sabedoria foi desperdiçada. Eu também concordava com isso.
A internet foi uma boa ferramenta para descobrir que minhas “novas” teorias já tinham sido criadas há tempos, com nomes diferentes e explicações mais simplificadas, mas lá estavam (um alívio perceber que eu não estava tão louco).
Não consigo decidir qual visão é a representação mais real da situação. A evolução tecnológica galga degraus em progressão geométrica, isso é certo, mas produção em massa não se traduz em sabedoria. Um pequeno grupo, quando muito, surge com a idéia, e ela se espalha como fogo selvagem pelo mundo. Há quem diga que conhecimento não se traduz em sabedoria*, e que a escolha do uso do conhecimento pela moral mostra quem é sábio ou não.
Muitos lobbys acabaram com a chance de novas tecnologias de alto rendimento econômico e ambiental, condenaram matérias primas de alto potencial ao mercado negro e desconhecimento. Grande desperdício, e aceito. Teorias da conspiração falam de fórmulas escondidas, tesouros perdidos e palavras proibidas. Há algo de verdade nisso, ou é tudo megalomania?
A difusão do conhecimento parece ser levada mais a sério do que nunca, o que representaria, por si só, o maior dos avanços já vistos. Ainda há quem tente monopolizar esse bem, mas o fazem escondidos e com vergonha. O grande inimigo do conhecimento é a própria massificação deste, como disse Lockhart. Obrigar o aluno a jogar o “futebol dos resultados” é transformá-lo numa máquina de fotocópia, e representa um perigo absurdo, pois aquele acha que conhece, acredita que engenha, mas nada mais é que um pedaço de argila na mão do acaso.
Cheguei a lembrar que o conhecimento não deve passar de uma formação peculiar de partículas no nosso cérebro, não deixando aí grande espaço para perdas, somente transformação. O que você acha, sabemos mais que nossos antepassados, ou o futuro nos reserva todas as respostas que ainda faltam?
Um grande abraço para todos!
*”Knowledge is convertible into power, and axioms into rules of utility and duty. But knowledge itself is not Power. Wisdom is Power; and her Prime Minister is JUSTICE, which is the perfected law of TRUTH. The purpose, therefore, of Education and Science is to make a man wise. If knowledge does not make him so, it is wasted, like water poured on the sands.” MDAASRF

