O sentimento de hoje, da lembrança de ontem, para a verdade de amanhã
Tirar algo do nada. Do nada, nada. Do que foi vivido, tudo que foi, tudo que sou, tudo que pretendo. E não é pouco, e não é restrito a certa quantidade, muito menos ao tempo, a não ser o tempo de minha vida. Concordo que vejo pouco, e talvez, por isso mesmo, pouco sobre certas coisas é mais do que eu entendo, mas tudo sobre isso não é mais do que quero entender. A plenitude que planejo embute saudade, que é difícil mas imprescindível, é o lado da moeda oposto ao que me deixa estupefato, e ainda que sendo o oposto, incrivelmente me estupefaz. A placidez da aura opõe o turbilhão da mente, que só se contêm frente à resolução, à certeza, ao planejamento com objetivo óbvio, imutável, e que, para tal, se modifica a cada nova situação que se apresenta.
A vida é curta, as coisas são muitas, o mundo é grande, as pessoas são adimensionais, e eu contido na rotina fútil que me convenço ser apenas um degrau, uma fase que obriga a simplificar tudo que há, para produzir o que se precisa, para ganhar o que se merece, para atingir o que se almeja. E o que se almeja pode nem existir, pode ser aquele pedestal que ostenta algo que não é, porque ser aquilo tudo é impossível. É, já tentei acreditar nisso, mas não. A brecha mostrou que tudo aquilo era mais, muito mais, inexplicável, inimaginável, tudo que eu não sei, mas sei o suficiente para buscar. E falo sobre tudo aquilo de todas as coisas, de todas as pessoas.
É, quero conhecer, porque, além disso, pra que tudo? E conhecer tudo, e conhecer a cada vez, e quando parecer que já não há mais sobre aquele assunto, empenhar mais atenção e esforço do que nunca, porque é aí que começa-se a conhecer, de verdade.
E por tudo, por tudo isso, por tudo isso que não sei, que não tenho, acabei já tendo, somente, a plenitude.
“Without beginning or end, the ring stretches into the infinite.”
Ace Combat Zero, The Belkan War

