Alta pressão ou auto-opressão?

31 agosto, 2009 at 5:01 pm (Antropofobo)

Hoje estava eu calmo no quintal de minha casa pensando: a ditadura acabou a tanto tempo e eu fico aqui tão preso a banalidades cotidianas. Será que a opressão acabou? Acho que não. Acredito que ao invés de opressão governamental temos hoje uma “auto-opressão”, uma coisa que me faz ser parte de tudo. Que me faz sentir parte de um país corrupto só porque alguém dotado de sabedoria um dia soltou uma dessas por ai: “No nosso país temos políticos corruptos porque nós que os elegemos somos corruptos”. Eu não elegi ninguém, tenho o direito de não escolher – e ainda mais de considerar a “não escolha” uma escolha. Não quero ser parte de nada, quero continuar  divagando no meu quintal. Tenho o direito de ligar (ou não- a negação é uma escolha, talvez a mais óbvia) a caixa de surpresas e não escolher nem Roberto Marinho nem Edi Macedo. Não quero me culpar, ou me auto-oprimir por não ver o programa da moda. Me sinto livre de toda essa baboseira. Sei que estou cercado de pequenas ditaduras. Vendo um seriado muito interessante que retrata os anos 1960-1970 dos Estados Unidos (Anos Incríveis) percebi que nossa família é uma mini-ditadura, com regras impostas, com o poder executivo bem delimitado. E ao passar dos dias eu percebo, no meu trabalho também é assim, “tenho uma ótima idéia pra aplicar hoje” mas meu superior adora a palavra não! Até ai tudo bem, recebo por isso (elogios em casa, dinheiro no trabalho) mas até mesmo em minhas poucas diversões eu vejo uma mascarada ditadura, nas músicas que eu ouço, na roupa que uso, no cinema (Tim Burton ainda salva!!!), nas pessoas, nos olhares. Então me pergunto novamente, “será que a ditadura já se foi?” Ou mesmo “será que a ditadura brasileira foi tão incomum que seus traços permaneceram na história?”. Nem sei se isso tem algum sentido ou significado maior. Acredito mesmo é que não quero ser incomodado em minha casa, bem na hora da minha reflexão no meu quintal. E mais, que não foi a ditadura que permaneceu e sim a massa de manobra, termo pesado né? Não consegui encontrar outro, é isso mesmo. Enquanto um monte de robôs pensam que decidem o que bem querem na sua existência, na cultura, na política e sociedade do seu país, fico eu aqui só pensando no café que não quer ficar pronto logo. Não sou mais criança, não posso me esconder debaixo da cama e fingir estar tudo bem.

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Eu estou bem aqui!

8 agosto, 2009 at 12:03 am (Antropofobo)

Depois de falar sobre a antropofobia pra vocês quero mostrar um pouco sobre o  ser que vive em mim como uma forma de me apresentar, primeiros posts aqui nestas bandas de cá. Entonces vou mostrar um pedaço de um conto antigo meu.

Não converso com pessoas desde os vinte e um anos de idade. Não preciso deste contato. Sei qual a doença que podem transmitir com as palavras, prefiro não usá-las. Tenho uma filha, que nunca me viu. Tenho um apartamento, gelado e vazio. Meus livros – meus companheiros. Não sei mais quem são meus pais. Perdi meus amigos, sou egoísta demais para admitir que erro. Não trabalho mais, sou um insano para eles. Comprei algumas coisas com um dinheiro que consegui juntar. A coleção do Verne pra viajar. Fernando Pessoa pra me entender. Fui ver o mar sozinho e no dia seguinte algumas pessoas apareceram no mesmo lugar e então senti necessidade de estar em minha casa. Todos os dias, quando amanhece eu durmo. Não estou bem certo se devo continuar a contar o que me aflige, se é que irão entender. Mas, a tinta da caneta é o suficiente pra terminar. (De “Ao menos me deixa explicar” Felipe , 2009).

Até, e que a maçã esteja sempre em nossos bolsos nos locais públicos!

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Antropofobia, uma doença grave no nosso lindo mundo!

7 agosto, 2009 at 11:44 pm (Antropofobo)

Quero deixar claro que antropofobia é uma doença séria e está se espalhando de forma endêmica pelo mundo. Porém, devemos prestar bem atenção aos sintomas corretos, pois pseudos-casos (como losermanite aguda ou hiperdepressãoporfaltadeumablusanova)  estão surgindo por ai, só dificultando para real luta contra essa maleficência no nosso lindo mundo atual.  Quando o homem completa sua indignação e a sua sensibilidade autocrítica extrapolando os limites do viável, começa a aparecer os primeiros  sintomas.

Em seguida uma lista dos principais sintomas da antropofobia crônica:

  1. Indignação ao ver pessoas sorrindo ao escutar músicas felizes em lugares felizes;
  2. A arcada dentária trava, impossibilitando, também, a comunicação com seres felizes;
  3. Uma música começa a tocar em volume máximo dentro da cabeça e o refrão é “Morte a todos, morte a todos – que o mundo acabe agora!”
  4. Por fim, a pessoa se trancafia em um lugar quente da sua mente e por ali fica sem perceber que existe algo ao seu redor.

Se alguém souber de algum caso como este ligue para o número Blá Blá Blá e fale com “casa”! Com todas nossas forças iremos acabar com esta doença mortal que ataca a nossa linda humanidade.

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