Sobre discussões

20 Junho, 2009 at 11:35 pm (Darto") (, , , , , , , , )

Há algum tempo, conversando com o Santaum, eu disse que,  na maioria das discussões que presencio, os dois lados falam a mesma coisa com palavras diferentes. E o post do Marcílio  tocou exatamente neste tipo de discussão.

E este tipo de discussão que acaba gravando um sentido ruim à palavra. É quando as partes entram pra “ganhar”. Completamente improdutivo. Esse tipo de aproximação só é tomada por quem ainda acha que existem verdades e mentiras, preto e branco. Beira o infantil.

Depois que comecei a perceber isso, minha vida ficou muito mais ao meu gosto. A pessoa pode ser muito linha dura, mas com a escolha certa de palavras, consegue-se o que se quer. Diriam que eu seria advogado. Minha maior diversão era argumentar com alguém de crença inabalável, levando a pessoa a concordar até a última premissa, e observar a inquietude de seus olhos enquanto ela escolhe entre raciocínio ou submissão cega. Geralmente é a segunda que prevalece. Mas nunca tão plena como antes. Deve ser esse o gosto de um mindfuck falho.

Qualquer um com uma abordagem mais “científica” aproveita muito uma discussão. Teorias são discussões, e até a mais aceita deixa brechas para outras, e/ou então assume sua falhabilidade com considerações.

 Um problema que tenho tido após ver o mundo em cinza é que concordo e entendo quase qualquer tipo de postura. Talvez seja nesse ponto que eu escolho entre raciocínio e submissão cega. Qual será que vence? Vence?

Alguns podem interpretar isso como falta de opinião. Não concordo. Acho que minha opinião é forte e flexível. E pra quem acha que estes dois não são compatíveis, mostro os gráficos do comportamento de aço de alta qualidade e ferro fundido quando sofrem tensões. Força e flexibilidade seguram os tijolos dos seus edifícios há anos! :D

Comecei a ver, também, que muitos déspotas e vilões pensaram muito mais do que eu imaginava. Eles parecem ser os mocinhos que desistiram e escolheram o atalho.

Grande abraço!

Link Permanente 6 Comentários

Intertextualidade

14 Maio, 2009 at 12:26 am (Darto") (, , , , , , , , , , , , , , )

Dunno about you, mas houve uma época onde tudo me parecia bem definido e estático. Aquela época fundamental de jardim quando matemática é matemática e português é português. Aquela época desligada durante o médio quando você escolhe exatas, humanas ou biológicas. Aquele quando quando tudo é preto ou branco, onde Cabral descobriu o Brasil e tudo que se ouve é verdade. After that, just what you read is true.Mas então surge a época da intertextualidade. Mestres enchem a boca ao dizer que a maestria deles rege as outras, e não o contrário. 

Houve a época em que existiam inteligentes e burros, bons e maus, certos e errados, sábios e idiotas. Mitologia era ciência ultrapassada e os antigos eram antiquados e enterrados numa simplicidade sufocante e ignorante.

Mas então começo a ver que o que não importa realmente te ajudou a perceber o que ninguém viu [ou, agora, se importou em ver ou mostrar que enxergou].  Agora eu, o simples idiota cercado pela ignorância e prepotência. Como nossos pais faz sentido. Gente brilhante existiu e mudou, gente fútil passou-se por brilhante. É tudo cinza.

Procurar um lugar onde as pessoas confessam que não sabem. Mas lá, ver que tudo é, realmente, uma coisa só. O evidente efeito borboleta, mais visível do que nunca, mesmo que mais sutil do que nunca. A análise de tudo junto, após olhar pra tudo separado. A peça do quebra cabeça. Quantum entanglement. Se tudo já foi uma só partícula, se tudo se desenvolveu no tudo de hoje, então tudo está ligado com tudo, porque tudo já foi um só. E isso é física. Mais um pedaço da grade pra analisar o lado de fora, tentando acabar com as grades.

E agora Édipo e Chronos encontram o Paradoxo do Avô. Mas tava na cara. Difícil de resolver aqui? Mude as leis. Não, mude o universo, resolva, mude de volta. Trivial.

A disciplina superior de Cálculo Diferencial exige funções contínuas e não poderia ser aplicada a nenhuma realidade material, já que a matéria é descontínua. Lembrar sempre que “A descrição do mundo real e as conclusões que dependem da hipótese do continuum só valem para fnômenos que ocorram em escala suficientemente grande em relação à da estrutura molecular”. E me identifico com isso.

Não sou diferente daquele que vê e não quer saber porque. Só tento ser, mesmo sabendo que não acontecerá. 

E só trabalhamos com probabilidade quando desistimos de uma aproximação satisfatória, reconhecendo a superioridade das variáveis e assumindo que Deus até pode jogar dados.

A discussão que parecia tão nova já existiu seguidas vezes e alguém estava se achando o intelectual por ter pensado nisso. E se não tinha visto antes e pensou nisso, pode ser que sejamos previsíveis, máquinas parecidas, existe um padrão e ele pode ajudar a prever o próximo pensamento.

A memória de longo prazo, antes fixa, sofre grande abalo enquanto espero o jogo de futsal lendo uma revista após uma prova de inglês. Talvez, a cada vez que lembramos, mudamos a lembrança. Pra melhor ou pra pior, se é que isso existe.

Escolha o sentido. O que é passado e o que é futuro? A análise é sua, você pode. Isso muda a “realidade”? A resposta simples e imediata é ‘não’. Um pouco mais e vejo que minha abordagem muda minha reação, mudando o meu futuro. Pra melhor ou pra pior. Mas a resposta certa? Tudo está ligado. Certa?

Hahahahaha! E há quanto tempo o espaço e o tempo são espaço-tempo, e a massa os curva?

That little amusing narrow view…..

Link Permanente 7 Comentários

Tempo e Determinismo às avessas

17 Abril, 2009 at 11:16 am (Darto") (, , , , , , , , , , , , , )

Inspirado por um post do Peterson.

Numa fase de sucessão de pensamentos sensitivos acerca do determinismo, livre arbítrio e suas consequências, me deparei com fontes distantes e diferenciadas que abordavam o mesmo assunto.

Uma fonte foi o Orkutcídio.

Outra, bem inesperada, foi um exemplar da revista Galileu de fevereiro de 2000[nº103] jogado ao acaso num dos banheiros da república onde moro, em Ilha Solteira. Dizia o seguinte:

“Há um antiquíssimo debate entre livre-arbítrio e determinismo. Podemos mudar nosso destino ou a vida segue em frente de acordo com um plano pré-formulado?

Imagine que você vá a um desses cinemas com múltiplas salas de exibição simultânea. Você compra um ingresso, passa pela roleta, vai à lanchonete e adquire um saco de pipocas. Entra numa sala e começa a assistir ao filme. Em poucos minutos, percebe que é um filme de que não vai gostar. Sai da sala e entra em outra. Gosta do filme e fica.

Você pode ver claramente que seu único livre-arbítrio em toda essa situação foi escolher a qual filme queria assistir. Seu controle sobre os filmes era nenhum. Todos os filmes na sala de projeção haviam sido previamente escolhidos pela direção do cinema. E mais: todas as histórias dos filmes haviam sido previamente escritas por roteiristas e filmadas por cineastas.

De acordo com a teoria dos universos paralelos, a nossa vida é como a situação que você teria vivenciado no cinema. Versões diferentes da sua vida estão transcorrendo ao mesmo tempo.

Elas existem nos universos paralelos. Assim como no cinema você não pode mudar o filme a que está assistindo, na vida você não pode mudar o filme de que está participando. Mas tem a capacidade de escolher um ou outro filme, um ou outro universo. Desse modo, nossa vida seria um constante escolher e mudar de universos, mesmo a cada pequeno instante.

É evidente que, na vida cotidiana, tudo isso acontece num nível inconsciente e automático, com todos os nossos sofisticados equipamentos mentais e volitivos sendo usados para manter o mundo tridimensional em funcionamento e nos permitir a tomada de decisões.

Esse é o mistério da vida, a maravilhosa complexidade existente por trás de tudo aquilo que nos parece tão simples. Nossa atuação no mundo não depende do conhecimento dessas mecânicas, assim como não precisamos saber como funciona a máquina de projeção para assistirmos a um filme.”

Li também sobre uma teoria que dizia que o tempo pode correr tanto pra frente quanto pra trás, tornando o passado tão dinâmico quanto o futuro [pra quem não acredita no destino imutável]. Se bem me lembro, Stephen Hawking concordou e discordou logo em seguida. É um tópico difícil de se imaginar.

Se no momento ‘c’ a bolinha acerta o chão, pode ser que você só a tenha soltado no momento ‘b’ porque sabia que o chão estava ali.

Que o futuro mude o passado, não é difícil assimilar. Não passamos a vida nos preparando pro amanhã? Não estudamos, trabalhamos e guardamos coisas pressupondo que o futuro será aproximadamente parecido com o passado? Se soubéssemos que nossa morte é semana que vem, não agiríamos de modo completamente diferente do ”normal”?

Mas, se pararmos pra pensar, o futuro é bem fixo. SE tivéssemos todas as variáveis do sistema, poderíamos prever tudo. A questão é saber se é possível ter todas as variáveis. A física quântica sugere que não é possível. A visão de Einstein era a que agora é chamada de “uma teoria da variável escondida”. Trecho de um artigo de Stephen Hawking:

Einstein’s view was what would now be called, a hidden variable theory. Hidden variable theories might seem to be the most obvious way to incorporate the Uncertainty Principle into physics. They form the basis of the mental picture of the universe, held by many scientists, and almost all philosophers of science. But these hidden variable theories are wrong. The British physicist, John Bell, who died recently, devised an experimental test that would distinguish hidden variable theories. When the experiment was carried out carefully, the results were inconsistent with hidden variables. Thus it seems that even God is bound by the Uncertainty Principle, and can not know both the position, and the speed, of a particle. So God does play dice with the universe. All the evidence points to him being an inveterate gambler, who throws the dice on every possible occasion.”

E se o futuro é imprevisível [E o complexo de Édipo? E a estória de Chronos e Zeus? A sina dos Oráculos?], como o passado pode ser fixo? Se é, se pode, então a dimensão temporal me parece toda poderosa, a senhora de todas as outras, aquela que decide, que assenta, que define. E se é fixo, não pode ser um exemplo do determinismo às avessas, uma comprovação? Caramba, tanta coisa! Se tantos gênios discutiram, embasados em intrincadas definições matemáticas, e nenhuma certeza foi encontrada, então com certeza não sairei com nenhuma certeza daqui.

A conclusão de Hawking:

“To sum up, what I have been talking about, is whether the universe evolves in an arbitrary way, or whether it is deterministic. The classical view, put forward by Laplace, was that the future motion of particles was completely determined, if one knew their positions and speeds at one time. This view had to be modified, when Heisenberg put forward his Uncertainty Principle, which said that one could not know both the position, and the speed, accurately. However, it was still possible to predict one combination of position and speed. But even this limited predictability disappeared, when the effects of black holes were taken into account. The loss of particles and information down black holes meant that the particles that came out were random. One could calculate probabilities, but one could not make any definite predictions. Thus, the future of the universe is not completely determined by the laws of science, and its present state, as Laplace thought. God still has a few tricks up his sleeve.

That is all I have to say for the moment. Thank you for listening.”

Grande abraço! 

Link Permanente 6 Comentários

Leis da Robótica, Leis da Humânica

5 Abril, 2009 at 11:59 pm (Darto") (, , , , , , , , , , )

Ah, que saudade! Quantas vezes ótimas idéias surgiram nonada, e nonada foram grafadas! Agora, de volta à casa.

Mais um post inspirado pelo grande autor Isaac Asimov.

Qual a essência da vida? O que nos faz ter consciência, o que nos faz ter alma, o que nos faz diferentes, especiais?  Temos vida, consciência e alma, somos diferentes e especiais?

A maioria das religiões não têm dúvidas: temos alma, somos superiores, estamos de passagem.

Eu não tenho tanta certeza. Primeiro, porque tudo me parece muito intrincado e especial. Não somos tão diferentes das plantas, das pedras, do vácuo.

Olho um computador: peças, matéria, programação virtual lógica.

Olho uma pessoa: órgãos, matéria, consciência.

Iguais. Ultraje? Blasfêmia?

Li livros de robótica escritos por Isaac Asimov[I, Robot; The Biccentennial Man; Robot Visions; etc], e achei que os robôs só estavam ali como escada. A análise da psique dos robôs não passava de um jardim de infância para a análise da consciência humana.

Isso dá medo. Queremos negar o determinismo, afirmar que temos livre arbítrio.

Pausa: segundo Isaac Asimov, a única maneira de garantir que os robôs somente beneficiassem os humanos seria gravar regras que não poderiam ser desobedecidas pelos robôs, garantindo eterna servidão. No mundo fantasia de Asimov, os cérebros positrônicos dos robôs seriam construídos de modo que os caminhos que representariam as leis fossem forjados na matéria do cérebro, para que qualquer tentativa de desobedecer as tais resultasse em destruição material irreversível do servo.

Muito legal. Consequências muito legais, bem mais elaboradas que os clichês frankensteinianos vistos até então[o filme Eu, Robô foi uma abordagem infantil do livro, diga-se de passagem].

Não, mas não acreditamos que isso possa, de alguma forma, ser análogo às condições humanas. Na própria fantasia dos livros, o sujeito que sugeriu as Leis da Humânica foi considerado idiota. Por quê?

A consciência, o que é? Não é eletricidade e hormônios? Não é resultado dos processos da massa encefálica? É algo mais, é…..especial?

Se o telefone não existisse e funcionasse, diriam que é impossível. Celular, televisão, energia elétrica. Computador. Recebe informações, processa, responde. Cérebro? O computador só faz o que é mandado, se não fornecermos informações a serem processadas e informação de como processá-las, ele não responde. Cérebro?

Ah, temos a capacidade de criar, inventar. Criamos e inventamos com informações observadas que os outros não viram antes. Não fazemos matéria surgir nonada. E pra quem ainda acha que computadores não inventam, ghosts in the machine.

Não acho impossível a existência de leis inerentes que nunca conseguiremos quebrar. Sempre levei a razão muito a sério em tudo, mas penso que em certas situações, nem toda a razão do mundo poderia me fazer agir racionalmente. E acredite, não é porque a emoção falaria mais forte. Você, nunca sentiu que, em determinada situação, sempre escolheria uma situação, mesmo que não fosse a racional? Nunca se sentiu previsível? Nunca sentiu que os outros são previsíveis?

Não pode surgir uma ciência avançada que conseguirá prever o comportamento humano, baseada em algoritmos desenvolvidos por alguém que tenha conseguido achar um padrão na nossa mente? Não poderemos criar uma máquina superior a nós mesmos em todos os quesitos intelectuais?

A criatividade não é somente um processo mais difícil de padronizar e racionalizar porque existem mais variáveis embutidas nela do que, digamos, num processo que o cérebro aciona para resolver uma conta de 2+3? É impossível colocar a criatividade numa máquina? Não somos uma máquina? Não somos feitos da mesma matéria que está na máquina? Onde é, na máquina, que os metais fazem idéias em símbolos saírem do virtual, virarem matéria grossa, serem transportadas por fios e, mais uma vez, a virtualizam? Can you grasp that?

O que é ser especial? Uma máquina não é especial? Uma pedra não é especial? O vácuo não é especial?

Ah, como eu gostaria de ter certezas!

Merci et au revoir.

Link Permanente 13 Comentários

A reafirmação

15 Novembro, 2008 at 6:39 pm (Darto") (, , , , , , , , , , , )

Existem infinitas possibilidades, ou quase isso. Por que a sociedade se apega tanto à rotina? Por que, em meio a tantas variações, insistimos em recriar a mesma realidade? Baseado nessa questão levantada no enviesado filme-documentário “Quem Somos Nós?”["What the Bleep Do We Know?"], comecei a desenvolver uma sucessão de questionamentos para ver se chegava a uma conclusão. O resultado foi o esperado.

Pseudo-prólogo: O cérebro humano é capaz de ver um padrão quando uma situação experimental tende a se repetir, dentro de um limite de variações. Se a tendência é mudança, porém, ele começa a deparar-se com dificuldades. Se um número razoável de possibilidades se torna “realidade”, não há escapatória: o cérebro determina que o ‘padrão’ é o caos, o impadronizável. Isso quer dizer: se somos incapazes de analisar todas as relações, não assumimos que somos limitados; declaramos que é impossível para todo e qualquer ser existente completar as brechas que deixamos. Declaramos o caos e a aleatoriedade como intrínsecos à situação, e nos isentamos de culpa, para o bem do nosso ego.

Historicamente, vejo alguns acontecimentos como o resultado de uma tentativa de manter as coisas sobre controle. Nunca sei, porém, de quem foi a tentativa, mas isso não vem ao caso. E como se controla algo imprevisível? Muito arriscado, difícil…..enfim, olhando por um certo prisma, pode parecer que alguns poderosos chefões queiram manter a situação repetitiva. Para controlar alguns, basta criar evangelhos e isso será base suficiente para manter o rebanho sem questionamentos inconvenientes. Outros, porém, devem ser desfocados, o que não deve ser difícil, tendo em vista que ninguém nos diz qual é o foco real quando nascemos. Ninguém conhece, realmente, o objetivo. Cada qual com o seu, e que cada um escolha sua rotina para atingi-lo.

Talvez seja por isso que a sociedade diga que mentir é feio. Quando a pessoa é sincera, sabe-se cada passo que vai tomar. Fica mais fácil subjugá-la. Talvez a maioria minta porque percebeu isso. Se ser sincero é ser controlado, então me controlaram. Eu não sei mentir, fico sem jeito, não treinei para isso. Claro que uma pessoa sincera e forte “ganha” do mesmo jeito. Mas já me convenci de que não preciso e nem vou ganhar em todas as vezes. Não sei por que obedeço a uma moral, uma honra, uma coisa tão etérea. Só sei que não consigo mudar. Não importa quanta razão eu tente usar para seguir caminho diferente; não consigo. Completamente dominado, e consciente disso.

Não, só isso não explica. Pode até ser muito[olhando por um lado], mas não chega nem perto do terço da terça parte. Há muita insegurança. O eterno medo de não existir mais guia, mesmo que inconscientemente, a ação e reação de todos. Se você fez alguma coisa e ainda está por aqui[não morreu não se tornou "nada"], então fez “certo”. Se fizer de novo, não haverá, possivelmente, nenhuma consequência sobrepujadora. Você ainda está no controle. Se agiu de um modo que, além disso, permitisse seu bem-estar, então aí está a resolução de todos os problemas passados, presentes e futuros[principalmente]. Você já sabe a ação que tomará amanhã, e melhor ainda: sabe o resultado que esta trará.

A insegurança também carrega a necessidade de reafirmar sua suposta posição em todas as oportunidades. Se foi o melhor aluno semestre passado, faz tudo para continuar no posto. Se foi o mais malandro dos pivetes, então, nem se fala. Vai chorar copiosamente se algo mudar. Se é o chefe da empresa, tentará manter a figura inabalável para inspirar colaboradores. Se é o sem graça mediano, conformou-se com isso e qualquer tentativa de mudança requerirá muito esforço. Além de tudo, a culpa não é sua. É o destino que não dá oportunidades, hã?

Mas nem tudo é assim. Pessoas têm saudade de seu passado. Da época em que eram livres, espontâneas, diferentes, felizes sem saber. Estranho. Na verdade, os jovens de antigamente não eram mais obedientes, os políticos não eram mais confiáveis e os produtos não eram mais baratos[como está no vídeo "Sun Screen"]. No máximo a pessoa ainda era inocente. No máximo. A nostalgia é saudade da rotina que foi fixa até o ‘final’, seguida de um breve período de transição[duvidoso e incômodo] até ser substituída por outra rotina. Se a pessoa pudesse, teria continuado na primeira rotina. Acontece que a rotina “maior”, do planeta, é mais importante que a particular. Se o chefe morreu, outro deverá tomar seu lugar. As possibilidades de rotina também são infinitas, e vemos algumas pequenas variações acontecendo, de vez em quando. Nada muito fora do costume. 

O sentimento de dúvida pura é aterrorizante. Não, não aquela dúvida que você sabe que poderá sanar: é aquele pensamento de “E agora, o que faço? Não tenho idéia! O que acontecerá? Qual o sentido disso? Por que estou aqui?”. Escrevi isso pensando numa situação cotidiana mas, para minha surpresa, esses questionamentos se encaixam bem, também, se aplicados às dúvidas puramente existenciais, aquelas que ninguém sabe responder[o LHC ainda não respondeu até esse momento, tampouco fez surgir um buraco negro que acabaria com todas as dúvidas. Não por esclarecimento, no último caso, mas por erradicação dos humanos]. Ninguém sabe responder, e a mitologia[antiga e atual] fantasia nas brechas, criando quadros que desviam a atenção do foco real[desconhecido].

Ao mesmo tempo que as pessoas querem o conhecido, nunca estão satisfeitas com ele. Ninguém permanece se sentindo realizado por muito tempo. Se conseguiu o que quis, logo vê outro quesito para continuar na busca. Ninguém está feliz: já foi ou se esforça para ser. Nos conformamos com o esforço cotidiano, então por estarmos em busca de algo melhor. Assim como a religião justifica o sofrimento pela busca do paraíso, ateus justificam suas repetições com a busca por um conforto um pouco maior. Conhecimento pode confortar alguns, assim como o dinheiro serve para outros, e para aquele basta sexo, ou comida, respeito, status, amizades, paz espiritual, etc.

Escolhemos o caminho pelas chances de chegar no final dele: uma pessoa pode achar que ganhar na loteria seria o jeito de ficar rico; a outra opta por cursar medicina, mesmo não gostando do curso. No final das contas, o que justifica a rotina[que é o caminho teoricamente mais seguro para um fim] é o desejo da mudança. Eis a ironia motriz do universo, dando as caras mais uma vez.

Acho, então, que o desejo de repetição dos controladores das marionetes não explica, por si só, a acomodação, mas contribui para ela. Acho, também, que o desejo da rotina pelas marionetes não justifica, isoladamente, a repetição, mas também faz sua parte na equação. Vale lembrar que quem controla as marionetes vive em função delas, e também é controlado em algum momento[ou em todos]. Todos estão no mesmo barco[aquele que abrange tudo], e cada um tem sua parcela de responsabilidade pelo caminho escolhido. A responsabilidade é maior ainda quando o assunto é a linha de chegada: qualquer alteração de 1″ no início do caminho altera bruscamente o final dele. Butterflies and Hurricanes would explain better.

Pseudo-resumo: Se você é engenheiro hoje, trabalhará com engenharia amanhã porque, seguramente, saberá desenvolver seu trabalho sem maiores impecilhos. Isso, seguramente, te trará dinheiro que, por sua vez, te trará conforto[seguramente]. [Algumas vezes você não se importa com a segurança dos outros, e faz armas porque isso dá dinheiro. Se não é você que puxa o gatilho, tudo bem. Convenceu-se de que matar indiretamente não é matar. Muitas variáveis, muita aleatoriedade, não dá pra te culpar. É culpa da "máquina".] Trabalhar com medicina traria dinheiro, mas você não superaria os empecilhos. Não foi treinado["rotineirizado"] para isso. E se você matar alguém? Certamente não conseguiria viver com a culpa.

Seguramente=mais de 50% de probabilidade

PS de integral definida de 0 a mais infinito de e(^^x)dx: esse post ficou muito desmontado. Digo isso porque poderia mudar a ordem dos blocos e o texto não ficaria mais sem sentido do que já está. É o resultado do sono e de não ter uma linha fixa. Tudo parece dizer respeito ao assunto, e não hesito em digitar o que aparece. Claro que não consigo digitar todas as pontes que fiz entre os assuntos. Não perdi muito, já que minhas pontes não costumam fazer muito sentido. É difícil chegar a uma conclusão quando as perguntas mudam no meio do caminho; de qualquer modo, o resultado foi o esperado: para mim, não existe uma única conclusão, como também não parece existir uma única conclusão correta.

Link Permanente 6 Comentários

Sobre a aleatoriedade

2 Outubro, 2008 at 12:43 pm (Darto") (, , , , , , , , )

Até que ponto podemos considerá-la existente?

Quando não há padrão, então há aleatoriedade, há o caos. Nenhuma lei é respeitada.

Quando o observador olha uma situação e não vê relações entre os acontecimentos, então declara que ali há caos. Pode declarar erroneamente, se não foi capaz de perceber o padrão existente.

Então você executa uma playlist no seu Windows Media Player, numa “ordem” aleatória[meio contraditório, mas vá lá]. Gostaria eu de saber qual gênio discordiano que elaborou um algoritmo com um número finito de etapas capaz de randomizar o resultado, escolhendo uma música de forma completamente erisiana. Pensei, pensei, e não saí do lugar: continuo achando que há um padrão ali.

Não é difícil de pensar que tudo segue algum padrão. Este padrão pode envolver milhões de incógnitas que variam entre si, tornando a visualização das relações muito complicada para nós; isso não quer dizer que o padrão não exista.

E então a abrangência aparece. Se existe um padrão em tudo, então tudo está conectado. Logo, o efeito borboleta conecta tudo em uma só rodada. Então pode[deve] existir uma Teoria de Tudo. E qualquer assunto, qualquer devaneio e qualquer conhecimento que seja é universal e não pode ser desprezado.

Não é como se o determinismo se tornasse totalmente verdadeiro. Você segue um padrão de ações, mas existem as variações das suas escolhas, possibilitando um quase infinito de universos paralelos. Penso que toda decisão tomada ou não, é tomada ou não de modo racional. Seu cérebro recebe dados, processa e reage logicamente. “Mas eu agi com a emoção, e não com a razão!”; a emoção tem sua razão, embora não percebamos facilmente. “Mas ele é louco, e reagiu imprevisivelmente!”; a loucura tem sua lógica, e quem é louco vê. Fica difícil perceber se interpretarmos “razão” como o dicionário faz. Lembrando que a razão de cada um é diferente, e se fosse possível apresentar duas situações semelhantes em todas as suas variáveis para duas pessoas diferentes, então elas reagiriam de modo lógico, mas diferente; se fosse possível apresentar duas situações semelhantes a duas pessoas semelhantes[que passaram pelas mesmas experiências e que têm a mesma disposição biológica(ou seja, a mesma pessoa, o mesmo instante reelaborado){impossível}] então ela reagiria logicamente, de modo igual.

Nos humanos: toda reação racional carrega sua emoção, como toda reação emocional carrega sua razão. Somos resultado do universo em que vivemos: somos múltiplas incógnitas no mesmo momento, e qualquer abordagem que leve em conta menos do que infinitas variáveis será incorreta. Como nossa comunicação não levou infinitas variáveis em conta quando foi elaborada, então ela é imprecisa; não podemos nos ater a ela, somente. Qualquer abordagem que leve um número maior de incógnitas em conta do que foram levadas na elaboração da linguagem causará uma dificuldade de expressão. É como tentar colocar 3 dimensões em 2: você perde dados. Logo, meu texto saiu confuso, mais uma vez[tentando me justificar, mas não sou isento de culpa, claro. não sei utilizar nosso idioma em toda a sua plenitude]. Creio que você, leitor, completará as lacunas com seu raciocínio[diferente do meu], e isso resultará em novos sentidos a cada leitura. Aí estão as variáveis mudando tudo, mais uma vez.

Link Permanente 17 Comentários

Sobre a busca da situação ideal

18 Setembro, 2008 at 4:00 pm (Darto") (, , , , , , , )

Vejo dois desfechos possíveis:

1. Você alcança a situação, e descobre que ela não é [era] ideal;

2. Você não alcança a situação e continua idealizando.

Isso me parece tanto verdade que posso fazer analogias. Para idealizar uma situação, não é fundamental que você nunca tenha passado por ela. Você pode ter vivenciado e idealizá-la, do mesmo jeito. Isso se chama nostalgia. Talvez você nem precise se esforçar para esquecer as partes ruins ou fazer com que tendam a zero.

Sabemos que é impossível, querendo ou não, reviver um instante sem nenhuma mudança. Queremos o impossível. Fantasiar com ele é prazeroso. Esse impossível pode ser:

1. Impossível naquele momento;

2. Impossível em todos os momentos,

e isso não faz diferença. Fantasiamos do mesmo jeito.

As dificuldades dão sentido às buscas. Se não houverem dificuldades, não há busca: você já está lá.

O sadismo parece intrínseco na raça humana. O clímax de um filme [fantasia] é o duelo definitivo entre o bem e o mal. Esse duelo não é livre de sofrimento e dificuldades, e isso resulta em emoção.

E assim levamos a vida, buscando um lugar sabidamente inalcançável somente pelo gosto da mudança [aliada à dificuldade]. Depois percebemos que buscamos a busca, e isso é o melhor que podemos fazer.

Ladeira acima, folks!

“I walk the maze of moments
But everywhere I turn to
Begins a new beginning
But never finds a finish
I walk to the horizon
And there I find another
It all seems so surprising
And then I find I know…..”

Enya-Anywhere Is

PS de integral de 0 a mais infinito de 5x²³dx: Agradeço a oportunidade de escrever na cabala cujos textos sempre me deixaram sem respostas, mas com muitas perguntas mais. Essa situação me pareceu ideal e me deixou muito honrado; pensando mais um pouco, percebi que o ideal seria escrever no mesmo nível dos autores veteranos dessa cabala, e essa será minha busca aqui [obviamente infindável]; a honra que senti, porém, permanece a mesma: imensurável.

Link Permanente 8 Comentários