Por Santaum!
O ser humano é um bicho interessante e “safado”. Demasiado “safado”, no bom sentido.
Para esclarecer melhor a esperteza do ser humano, é necessário definir alguns conceitos fundamentais.
O primeiro deles é o balanço de massa, conhecido também como balanço de matéria. O que é isso? É uma equação matemática bastante simples que até uma criança é capaz de entender. Entretanto, quase ninguém reconhece a sua abrangência e magnitude. O balanço de massa diz que o que entra menos o que sai, mais o que é gerado e subtraindo o que é consumido, em termos mássicos, é igual a um acúmulo.
Em outras palavras, é simplesmente conservação de massa. Você pode, por exemplo, fazer uma experiência em você mesmo. Imagine que você seja esse sistema, onde entra algo, sai algo, alguma coisa é consumida e quiçá gerada. Será que haverá algum acúmulo?
Outro conceito é o balanço energético, ou balanço de energia. Na verdade o balanço de energia já abrange uma terminologia um pouco mais complexa, mas se for pensar bem, não é tão complexa assim. Conhece a tão famosa primeira lei termodinâmica? É basicamente aquilo lá. Super grosseiramente, é aquela simples diferença entre uma forma de energia em trânsito denominada calor e outra denominada trabalho. Ou melhor, essa diferença de energia é avaliada através do outro termo da igualdade e é, rigorosamente, o acúmulo. Porém, neste caso, este termo é a variação da energia interna de um sistema. Em outras palavras, o balanço energético é baseado na teoria clássica da conservação da energia.
O que mais interessa aqui é o acúmulo. Quando o acúmulo é nulo, podemos dizer que o regime daquele sistema é estacionário. Imagine você comendo um quilo de chocolate e evacuando exatamente a mesma quantidade. Nada de acúmulo. Pode-se dizer que, neste caso, o seu corpo ficou em estado estacionário. Ou seja, seu corpo não acumulou nada. O que entrou, saiu. Esse conceito pode se estender para inúmeras aplicações.
Da mesma forma a energia. Podemos considerar e imaginar, novamente, seu corpo. Desconsidere seu metabolismo. Desconsidere também a manutenção da temperatura do seu corpo a mais ou menos 36oC. Considere, também grosseiramente, que o acúmulo do seu sistema seja justamente a variação da sua energia interna. Pois bem, se não existe nenhuma troca de energia, seja na forma de trabalho ou calor, ou radiação, ou o que for, a variação da energia interna do seu corpo é nula.
Na verdade tudo isso acontece? Não.
Nosso corpo é um bicho safado. Esperto. Se dispõe de um metabolismo próprio que satisfaz às atividades do corpo. Para que seu corpo trabalhe bem, é necessário manter a temperatura a mais ou menos 36oC. Consequência disso? Seu corpo tem, por obrigação, que armazenar energia para que a temperatura do seu corpo se mantenha no ponto ótimo. Para isso, é necessário que entre energia. É justamente aí que está a “safadeza”. O que entra não é igual o que sai. Existe um acúmulo. Lembre-se que o acúmulo pode ser negativo, como também positivo, ou nulo.
O mesmo para a massa. Um ser humano nasce, necessita de nutrientes para sobreviver. Ele cresce. Fica adulto. Para isso, é necessário acumular massa no seu corpo. Se acumular demais fica gordo. Caso contrário, fica magro. O quilo de chocolate, ou qualquer coisa que o ser humano ingere não sai na mesma quantidade, muito menos qualidade. Na realidade isso nunca acontece. O ser humano é tão safado que absorve o que lhe interessa e joga fora o que não lhe é desejado. Contamina o meio ambiente. Absorve O2 e emite CO2. Bebe água potável e elimina uma água suja, com resíduos que ele mesmo criou e, consequentemente, rejeitou. Bicho safado.
O homem absorve a energia que somente lhe interessa, justamente pra mantê-lo em condições ideais de vida. Não somos auto-geradores de energia, nem mesmo auto-geradores de massa. Somente auto-consumidores. Para isso, é necessário equilibrar a equação do balanço de massa com a famosa entrada, para dar nulidade ao acúmulo. Nosso corpo deseja o equilíbrio. Ele busca, mas não consegue por si próprio. Por isso depende do meio para se equilibrar.
O consumo energético médio de um ser humano adulto é de 2.000 kcal (2,33 kWh). Se multiplicarmos a quantidade de energia que cada um gasta pelo número total de habitantes, a raça humana (7 bilhões) necessita consumir diariamente, no seu total, 16.282.000 kWh. Sem contar os excessos, como aqueles para a manutenção do seu conforto. Afinal, o homem descobriu que necessita de conforto para viver bem. Descobriu que nunca fica satisfeito com nada. E que sempre quer mais. Mas por favor, não faça igual ao Sr. Aquecimento Global, que consumiu no ano de 2006, na sua residência, 221.000 kWh. Para fins comparativos, repare a conta de energia da sua casa.
Pensamento consome energia. Vou parar por aqui porque já consumi energia demais.
Grande abraço a todos.



