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Assim Falou Desesperadamente a Vizinhança

Por Santaum!

Podemos considerar aqui dois sistemas: sistema aberto e sistema fechado.

Sistema aberto é aquele no qual entra ou sai matéria, como por exemplo o corpo humano. Um sistema fechado, como o próprio nome diz, proíbe a entrada e até mesmo saída de matéria (massa).

Agora, uma coisa é interessante. Mesmo que este sistema seja fechado, ele permite transferência de calor em trânsito nas suas fronteiras. Suponhamos que o corpo humano fosse um sistema fechado. Mesmo proibida a entrada e saída de massa, é possível que na fronteira (pele desse corpo) haja uma troca de calor entre o meio externo (vizinhança) e este ser humano (que não come e não evacua - sistema fechado). Nem respira também, muito menos transpira. De certa forma esse fenômeno é hipoteticamente fantástico.

Consideramos novamente que o ser humano seja um sistema fechado. Suponhamos agora que a taxa de transferência de calor desse sistema fechado seja NULA. Isto é, não existe de maneira alguma entrada ou saída de calor neste ser humano fantasia (ou fictício). Ou melhor, a energia interna desse sistema - fazendo uma suposição real e ao mesmo tempo super abstrata - não varia, o que é bastante coerente pelo fato de não entrar nem sair calor em trânsito nas vizinhanças. Esse tipo de situação, onde não existe troca de calor em trânsito, é adiabático. O ser humano, neste exemplo fictício, é considerado um sistema fechado adiabático.

Se este corpo humano fantasia não for considerado adiabático, evidentemente ele vai trocar calor com as vizinhanças. Imagine - numa outra situação surreal - que este corpo humano (sistema), ao invés de absorver calor, seja um corpo exotérmico e FECHADO. Em outras palavras, que este corpo seja fornecedor de energia para o meio externo.

Não seria incrível? Um ser humano fornecendo calor para o meio sem necessidade de trocar massa (sistema fechado) com a sua vizinhança. Mas como um bom ser humano real, é preciso descobrir alguma maneira de aproveitar esse calor. Simplesmente ele vai trocar calor com o meio externo, dando esse brinde para a natureza (vizinhança)? Não, não. O homem real não pode aceitar uma coisa dessas.

Existem duas possibilidades. Consideremos que na primeira situação a vizinhança seja uma sujeita arrogante, ou que esse meio externo recuse a amizade calorosa do sistema fechado negando esse fornecimento de calor. Nesta situação, podemos cobrir este corpo humano com algum sistema refratário. Primeiro, é necessário colocar uma primeira camada de material refratário, e é necessário, evidentemente, fazer alguns cálculos para obter a espessura dessa parede refratária. Sabemos também que esse cálculo é obtido em função da quantidade de calor que sai do corpo, da diferença de temperatura entre este corpo e a vizinhança (meio ambiente) e principalmente pela resistência que esse material refratário oferece pela passagem deste calor. Quanto maior a resistência, menos calor vai atravessar a fronteira (pele) desse fictício ser humano. Depois da camada refratária, é interessante colocar uma camada posterior de algum material isolante.

Pronto. A vizinhança ficará feliz e este ser humano (sistema fechado exotérmico) empacotado de materiais sobre a sua pele (fronteira entre o sistema e a vizinhança) irá sofrer um pouco mais na sua locomoção, com este excesso de peso.

A outra possibilidade não deixa de ser uma personalidade oposta da vizinhança. Que ela se interesse demasiadamente por esse calor! Podemos considerar dentro dessa possibilidade duas situações. Uma é que a vizinhança seja bacana, legal. Na outra, que a vizinhança tenha uma personalidade exploratória, que ela seja gananciosa, que explore arduamente a energia desse sistema fechado que fornece tanta energia sem controle. De qualquer modo, por que não cobrir novamente essa pele (fronteira do sistema)? Só que, ao invés de um material refratário, seria necessário utilizar um material que consiga absorver este calor que tal sistema fechado oferece. Para não complicar muito, consideremos um sistema de água (isso mesmo, água) encamisando este belo e exotérmico corpo humano fictício. O que acontece com essa água fria? Ela vai esquentar e podemos aproveitá-la com alguma coisa ou algum mecanismo. Se a vizinhança for super legal, ela apenas vai admirar esse belo corpo que gera energia.

Se esta vizinhança for exploradora e gananciosa, este sistema fechado exotérmico, coitado, vai sofrer, vai ser explorado abusivamente. Maldita seja essa vizinhança! Que sujeita má! Que crueldade! Pois bem, a vizinhança pode juntar uma centena de sistemas fechados exotérmicos e colocá-los na região inferior de alguma cápsula semi-aberta. No topo desta cápsula, pode existir uma chaminé vertical que, à medida em que aumenta a sua altura, diminui a sua área transversal, como todas as chaminés. Pode-se perceber, claramente, que o bico das chaminés têm um diâmetro menor do que no seu fundo. Esta situação nos oferece uma condição óbvia de conservação de massa (equação da continuidade), pelo fato de que a velocidade do ar desta chaminé aumenta à medida em que esta área transversal diminui. Afinal, a sua vazão (do ar) é a mesma. Além disso, ao longo dessa chaminé, efeitos de transferência de calor (diferença de temperatura entre o fundo e o topo da chaminé) também favorecerão o transporte desse ar quente da cápsula para o topo da chaminé. Dessa maneira, haverá um transporte ascendente de ar na região da chaminé, pelo fato da cápsula fornecer energia através dos sistemas fechados isotérmicos. Para aproveitar energeticamente esse transporte de ar, é necessário colocar na parede da chaminé algumas turbinas, e são justamente estas que irão absorver a energia oferecida pelos sistemas exotérmicos em série. É o mesmo princípio de uma hidrelétrica, contanto que o fluido de escoamento seja o ar quente gerado pelos corpos exotérmicos dentro da cápsula e não a água potencial do rio.

Essas, portanto, podem ser algumas dentre várias formas de explorar esses sistemas fechados que fornecem calor para a vizinhança.

O ser humano é um sistema aberto. Ela precisa de adquirir massa para consumir diariamente suas 2.000 calorias (considerando grosseiramente que crianças e idosos consomem a mesma quantidade de energia de um adulto e que não haja diferença de consumo em sistemas diferentes como homens e mulheres ou magros e gordos). Ao longo de toda a sua vida, o ser humano tem que se alimentar, respirar (entrada de massa) e evacuar, transpirar e outras excreções (saída de massa). Para que o seu metabolismo funcione adequadamente, é necessário controlar sua temperatura idealmente a mais ou menos 36 graus Celsius. Isso demanda uma quantidade de energia do meio externo (vizinhança) para a sua necessidade de sobrevivência biológica. Dessa maneira, ocorre o inverso dos exemplos anteriores, somente que, neste exemplo real, o sistema é aberto e a forma de energia que ele absorve do meio se dá através das reservas energéticas individuais da matéria que ele ingere. Como temos quase 7 bilhões de seres humanos (sistemas fechados abertos) que consomem essa média de 2.000 calorias, percebe-se que este enorme somatório (a humanidade como um todo) precisa abusar da vizinhança. Temos, portanto, um problema de superpopulação de sistemas abertos no nosso planeta.

Através dessa óptica, é necessário descobrir uma maneira de minimizar a exploração abusiva das vizinhanças, de modo que cada sistema consiga se interagir sustentavelmente com ela. Infelizmente, o ser humano não é um sistema fechado, muito menos adiabático.

Assim falou desesperadamente a vizinhança.

P.S.: Este post é a parte II de Safado, Demasiado Safado.

Dicas Para a Nova Humanidade

Por Santaum!

Estamos aqui somente fazendo uma suposição de que a humanidade irá acabar em pouco tempo. Após isso, haverá um novo ciclo, várias eras glaciais e, intuitivamente, imaginaremos que nesse vai e vem surgirá uma nova espécie quasi-inteligente no nosso planeta, como foi a raça humana, já imaginando e imergindo este belíssimo cenário futuro.

Dessa maneira, proponho aqui algumas dicas para essa nova humanidade (é apenas uma consideração dramática dessa nova espécie terráquea). Esta será uma nova geração de terrestres. Considero oportuna tal ocasião para propor a eles alguns bons conselhos. Nada melhor do que uma boa consciência inventiva daqueles que já viveram neste precioso planeta que tem mais água do que terra na sua superfície. Deste planeta que fica numa distância razoável da sua fonte energética e que permite a sobrevivência de algumas espécies com moléculas de carbono. Deste planeta que se auto-sustenta num vazio através de forças classicamente conhecidas e outras não conhecidas. Deste planeta que volumetricamente é um nada se comparado ao Universo como um todo.

Pois bem, seguem os conselhos.

Primeiramente, espero que haja uma revolução da parte de vocês meus caros novos humanóides terráqueos. Comecem burros, depois se desenvolvam aos poucos. Não faz mal nascer meio burrinho. Com alguns erros cometidos durante a vida e a necessidade de sobrevivência terrena, evidentemente não cometerão o mesmo erro pela segunda vez. Assim surge uma espécie que se diz esperta e quasi-inteligente. Não se esqueçam de comer bastante carne viu? Ou qualquer outra comida que tenha proteína. Comendo esse tipo de coisa, ficarão mais espertinhos.

Evidentemente que para comer esse tipo de coisa são necessários alguns instrumentos externos, caso não se desenvolvam bastante fisicamente. Estamos dizendo isso porque o ser humano do passado fisicamente é bastante limitado. Se não fosse a quasi-inteligência, o homem estaria com os dias contados já no seu surgimento. Tomem bastante cuidado com isso. Pois bem, caso não se desenvolvam fisicamente, é necessário desenvolver algum instrumento. Peguem uma pedra e tentem deixá-la pontiaguda.

Feito isso, descubram a roda e o fogo. Percebam que é possível controlar essa ferramenta. Basta pegar uma centelha, alguma coisa inflamável e oxigênio. Energia em trânsito. Dá para controlar.

Quanto à roda, ponham nas suas cabeças que roda serve pra sustentação, quando parada. Se vocês se movem, isso acontece somente se a roda se movimenta. Vocês, evidentemente, ficarão suspensos sobre ela. Depois disso, acabam descobrindo que é possível transladarem-se através de alguns testes e com experiência. Tentem colocar uma madeira ou uma pedra cilíndrica entre duas rodas, façam isso duas vezes e tentem colocar uma carcaça por cima desse sistema de eixo. Pronto, agora basta descobrir alguma coisa que faça essa coisa se mover.

Que bom! Já estão bastante avançados. Isso é bom. Agora é preciso compartilhar o conhecimento com outras pessoas. Sei lá, tentem criar alguma coisa que seja perceptível para as outras. Criem uma linguagem, ou alguma coisa parecida. Inventem a imprensa o mais cedo possível, para que se desenvolvam tecnologicamente numa velocidade maior.

Aprimorem a questão da roda e da carcaça. Vocês estão crescendo, se multiplicando. Precisam se deslocar. O planeta água não é pequeno. Precisam de alguma fonte energética para se locomoverem.

Energia, essa é a palavra. Precisam dominar as formas de energia. Não interessa a fonte e a origem. Precisam de energia para sobreviver. Precisam deslocar a carcaça com os eixos, ou a carcaça sobre a água. Nada de tele-transporte. O negócio é transporte grosseiro, físico, com consumo de energia. A grande questão é gastar, consumir.

Existem debaixo da terra fontes energéticas riquíssimas em carbono. Por exemplo, o carbono da antiga humanidade. Isso mesmo. Quanto carbono armazenado! Fantástico, fantástico. Tentem explorar essas reservas de carbono do subsolo. E não se preocupem que não têm muita profundidade. Tentem retirar o carbono do osso através de processos de separação, distinguindo o subproduto do que lhes interessam. Existirão perdas, evidentemente, de carbono durante esse longo tempo. Mas não se preocupem, o que não falta nesse subsolo é carbono na forma de alguma coisa. Será absolutamente fácil resolver este problema.

Indústria. Sugiro que descubram maneiras de produzirem em larga escala. O que interesesa é produzir. Vocês se multiplicam rápido. Para tanto, é necessário produzirem em larga escala. Na agricultura é a mesma coisa. Larga escala. Monopólio, larga escala. Façam isso e farão a coisa certa. Esgotem todos os recursos naturais e tentem aplicá-los em prol de um desenvolvimento somente econômico e tecnológico.

Não se esqueçam de emitir alguns gases na atmosfera através de processos industriais. É interessante conservar a temperatura do planeta numa posição favorável ao seu desenvolvimento. Provavelmente uma era glacial pode atrapalhar o desenvolvimento virótico e exterminador de todos vocês meus caros. Para isso, é necessário que algumas moléculas de CO2 sejam despejadas na atmosfera artificialmente, sob o domínio dos novos terráqueos.

Estão indo muito bem. Criem uma tal de ciência, baseada em experimentações que os seus sentidos consigam perceber. Através da imprensa, da comunicação ou de outro veículo, divulguem os seus feitos. Multipliquem-se. Cresçam. Cresçam. Perpetuem-se. Busquem sempre o progresso econômico e tecnológico. Esse é o verdadeiro progresso.

A partir desse cenário futuro, fico na expectativa de que os novos terráqueos encontrem este texto em algum lugar. Mas como? Será que eles inventarão uma nova internet? Será que irão conseguir traduzir este texto nesta linguagem (Português do Brasil)? E será que o Brasil fará parte da América ainda nesta época ou uma nova Pangéia surgirá? Esta é uma ajuda e tanto, pois os dinossauros e outros animais antigos não fizeram isso com a gente.

Dessa maneira, façam igual ao homem antigo que tudo dará certo. Espero que escrevam umas boas dicas para os novos-novos terráqueos, pois com esse modelo de desenvolvimento que proponho a vocês, essa mesma que nossa geração de antigos seres humanos quasi-inteligentes prosperou, o fim da sua nova espécie será uma grande certeza. Mas não se preocupem com isso, pois vocês ainda viverão por milhares de anos. Somente na reta final que o bicho vai pegar, uma vez que problemas super populacionais ocorrerão e o consumo da sua espécie será irreversível.

É verdade, tinha esquecido de dar este último aviso para vocês. Espero que não seja tarde demais.

Grande abraço a todos.

P.S.: Para entender a série Uma Nova Humanidade, clique aqui.

Pensamentos Loucos Galgados em Nosso Cotidiano

Por Santaum!

Esqueça o século XX. Esqueça o século XXI. Esqueça o tempo cronológico e religioso no qual fomos submetidos. Se quiser definir esse tempo como histórico, tudo bem. Não tem problema. Esqueça o Capitalismo. O modelo econômico atual. Esqueça o consumo, conforto, futilidade.

Esqueça o mundo pan-técnico que surgiu com a revolução industrial. Esqueça o computador. Esqueça a internet, mas não saia da internet sem ler este texto. Esqueça a energia, seja ela elétrica, a vapor. Qualquer coisa. Considere apenas a energia natural.

Esqueça todos os meios de transporte. Sobre estes estou considerando avião, trem, carro, motocicleta. Tudo que consome combustível fóssil, ou elétrico. Tudo que gasta energia. Estou desconsiderando a bicicleta porque a energia gasta para produzir alumínio (15 kWh para cada quilo de alumínio) e borracha petroquímica é compensada pela ausência de consumo energético variável desse tipo de transporte. Ou seja, apenas custo energético fixo, e não variável. O primeiro é compensado ao longo do tempo pela ausência do último.

Esqueça que temos 7 bilhões de seres humanos. Esqueça que temos construção civil, edifícios de mais de 2.000 pés de altura, como o Burj Dubai. Esqueça que existe construção de alvenaria, ou metálica. Esqueça que temos elevadores, principalmente o elevador deste mesmo prédio, que irá atingir sua velocidade máxima de 65 Km/h. Esqueça, novamente, todo tipo de tecnologia, seja de qualquer tipo. Esqueça o consumo absurdo e excessivo de água potável. Esqueça de ouvir música em qualquer mecanismo que demande consumo de energia. Esqueça qualquer tipo de consumo que não seja pela sua sobrevivência.

Esquecendo isso tudo, e mais alguma coisa, considere que somos seres humanos, limitados fisicamente e capazes de pensar devido a nossa limitação física. Considere também, pela nossa limitação física, que somos obrigados a criar em nós mesmos um metabolismo basal para que a gente descanse. Em outras palavras, considere que nosso corpo limitado não consiga viver sem o nosso sono.

Suponha que não saiba os nomes dos seus órgãos, nada de biologia, e domine a matemática humano-moderna. Que domine também a física. Suponha que não exista roupa, que viva naturalmente pelado, como na criação (escrita por aí afora).

Agora imagine um mundo sem essas coisas. Talvez um mundo natural, sem mecanismos tecnológicos. Sem consumo. Imaginemos agora, uma reação espontânea e natural de uma pessoa numa situação dessas, considerando alguns pensamentos loucos e exagerados da minha pessoa.

“Acordo… abro alguma coisa. Que sensação boa! Eu estou enxergando… Eu enxergo, que maravilha. Minha visão é espacial. Consigo diferenciar a altura, a largura e a profundidade. Mas não consigo ver o tempo. Nem cheirar. Nem tocar. Nem ouvir. Porém, penso, reflito, consigo imaginar o tempo. Mas o que é o tempo? Seria um tempo cronometrado? Medido? Ou seria o tempo da imaginação? Posso cronometrar o tempo da minha imaginação?
Eu consigo tocar, sentir alguma coisa quando está quente, molhada (ainda não defini a água) ou fria. Que bacana. Sinto dor também. Escuto. Estou escutando alguma coisa, talvez o movimento de algum animal gigante. Que cheiro ruim este agora! E veio de mim mesmo. O que será que eu fiz? Vou me locomover para o cheiro ficar melhor. Que sensação estranha é o cheiro.
Resumindo, tenho 5 sentidos? Quer dizer, dentro do que é perceptível no meu pensamento e acurácia, percebo intuitivamente 5 sentidos?
Tenho um corpo! Que maravilha… E meu corpo tem uns membros ligados ao meu corpo. Eles se movem para qualquer direção. Movimentos livres. Olha! Tenho também na parte inferior. Será que eu consigo andar? Deixa eu decidir. Eu vou andar. Estou andando… Pela minha decisão. Que bom! Acho que dá pra fazer uma modelagem matemática tridimensional destes movimentos. O que considerar? Quais as hipóteses simplificadoras? Quais as condições de contorno?
Agora, por que tem alguma coisa dentro de mim que mexe? Tem alguma coisa batendo aqui dentro. Batimentos quase que contínuos. Movimentos alternados. Que interessante. Mas eu não posso controlar. Se isso parar de funcionar o que acontece? Olha, tem outra coisa também mexendo dentro do meu corpo. Será que é o ar? É verdade. Entra e sai. Estou respirando. É isso que é respirar? Como é bom respirar. Ar puro. Natural. Será que o que eu inspiro é o mesmo que eu expiro? Este eu posso controlar! Vou parar de respirar por um tempo. O que acontece? Ah não, não gostei desta experiência. Posso também modelar alguns mecanismos matemáticos de transferência de massa, quantidade de movimento, e quem sabe calor. Porque o ar que sai dentro de mim é mais quentinho.
Mas que maravilha é esse negócio de andar. Posso ir para onde eu quiser. Mas para onde pretendo ir? Não já tá bom ficar por aqui? E que fantástico é esse negócio de pensar. Penso, logo existo? Ou existo, logo penso? Ou nenhum dos dois? Onde ouvi falar dessa frase alegre mesmo?
Estou com sede. Desejo beber alguma coisa. O que é isso? Vou chamar de água (pronto, definição feita). Vou beber esta água. Que bom! Que água boa. Matei a minha sede. Estou com fome. Mas o que é fome? É isso que eu estou sentindo agora. Vou comer alguma coisa. Vou pegar algum fruto da árvore. Quem sabe uma maçã, como na criação! Criação? De onde tirei esta palavra? O que é isso?
Tenho que comer uma coisa que me dê mais força, inteligência. A maçã e a água não são suficientes. Tenho que comer carne. Matar um outro animal. Pode ser aquele gigante ali mesmo. E agora? Ele é maior do que eu. Como vou comer ele? O que é isso? Uma pedra? Nossa, tem ponta. Posso fazer um cálculo matemático para projetar essa pedra naquele animal gigante? A carne dele deve estar suculenta. Pronto. Cálculo feito. Preparando arremesso? Animal gigante morto. Vou comer a carne dele. Mas a carne dele é crua. Será que tem como cozinhar?”

Grande abraço a todos.

Fim do Mundo

Por Marcílio.

Tem gente demais nesse mundo. Há dois séculos a população mundial não chegava a 1 bilhão de pessoas, hoje temos no planeta 7 bilhões de pessoas que precisam comer, beber, locomover-se e até se divertir, pois ninguém nessa multidão toda é feito de ferro.

A teoria da relatividade afirma que massa e energia são equivalentes. Isso significa que, para sustentar toda essa gente, uma quantidade de energia absurda na forma de recursos naturais deveria ser exaurida. Mas quem no planeta está se importando com isso? Eu creio que quase ninguém. A questão é: o que seria melhor para o planeta, a energia acumulada na forma de massa ou em outras formas de energia mais úteis? A Termodinâmica me ensinou que trabalho é uma forma de energia muito mais útil que calor. Mas e daí? Daí que trabalho é mais caro que calor? Mas por quê? Se você quer saber estude sobre balanço de energia, física, termodinâmica. Entretanto, acredite. Com esse contingente de pessoas no planeta, a energia está sendo acumulada numa das formas mais inúteis que se poderia imaginar.

As pessoas trazem mais problemas ao planeta que soluções. Somos uma forma de energia inútil e isso não é pouco. Não quero morrer e não quero que a humanidade seja extinguida da Terra. Porém, para o bem do mundo, é justamente isso que deveria acontecer. Esse papo de preservação de meio ambiente é balela. Com tanta gente no mundo é impossível preservar alguma coisa. Não quero ficar doido pensando no fim do mundo, pretendo até me especializar em engenharia do meio ambiente, mas a verdade é que estamos caminhando para a inutilidade completa. E a inutilidade completa é o fim.

A água potável é uma forma de energia incrível e de extrema utilidade, forma de energia vital. O que nós fazemos com nossa água potável? Eu, desde criança, lavei a varanda da minha casa até a calçada da frente com água potável, vocês não? Já desperdicei água demais e vou continuar desperdiçando, pois sou uma forma de energia inútil. Eu, desde pequeno, sonhei em ter uma mobília na minha casa feita de madeira de lei. Imagina, cortar árvores centenárias, destruí-las só pra minha casa ficar imponente! Já sonhei com isso demais e se um dia eu ganhar muito dinheiro, vou comprar sim essa mobília cara. Em Araxá, cidade próxima a cidade onde eu nasci, existe uma mina de Nióbio que pode ser explorada por pelo menos 450 anos. A empresa que explora essa mina é rica e se um dia eles me contratarem, trabalharei com eles com todo prazer. Por que não? Vou ajudá-los a acabar com a paisagem e com a riqueza mineral daquela região que me criou. Vou sim. Eles pagam bem. O fato é que nossos sonhos, como também o esforço que fazemos para nos sustentarmos a qualquer passo que damos, inevitavelmente transformarão o planeta numa forma de energia mais inútil. A natureza nos fez assim, não temos culpa.

Eu fico pensando… Porque se preocupar com essas coisas? Acho que o fato de pensar me leva a esse tipo de reflexão. Talvez a natureza permita que nossos filhos sejam uma forma de energia mais útil que a nossa e o planeta dure por mais tempo. Mas enquanto isso não acontece, vamos beber e amar que o mundo vai acabar!!!!

Um enorme abraço a todos!!!!

O Ecologista “Nato”

Por Santaum!

Digamos que seja impossível ser um ecologista “nato”. Vejamos o porquê.

Primeiramente, você tem que parar de respirar. Quando você respira, emite CO2 na atmosfera e absorve O2. CO2 é um dos gases do efeito estufa. Pesquisas mostraram que o teor de CO2, ao longo dos anos, na atmosfera, aumentou com o crescimento da humanidade.

Ter filhos também está descartado, pelo mesmo raciocínio anterior. Quanto mais pessoas, mais CO2 na atmosfera. Além disso, mais resíduo, como por exemplo lixo doméstico. É uma atitude antiecológica ter filhos.

Você não deve consumir nada, absolutamente nada. Produtos industrializados, por exemplo, são provenientes de processos de fabricação. E todo processo de fabricação altera o estado natural da natureza, mesmo que essa alteração seja mínima. Processamento “limpo”, rigosoramente, não existe. É igual essa história de carro ecológico, não existe isso. Para se produzir um carro, não se esqueça de lembrar da sua “lataria”, dos itens de conforto (couro, por exemplo), da borracha petroquímica, que demandaram processamento de matérias-primas como petróleo, hematita, carvão mineral, absolutamente poluentes.

Alimentos estão inseridos nos itens de consumo. Nosso corpo é esperto, e é um sistema em escoamento (aberto). O que não interessa para o nosso corpo é descartado. Evidentemente existe acúmulo, senão não existiria “gordinhos”. O acúmulo faz parte da equação fundamental do balanço de massa, ou seja, da nossa cadeia alimentar. É o chamado regime transiente, ou não estacionário. Mesmo assim, considerando um acúmulo mínimo, para ser um ecologista “nato”, pare de se alimentar. Se, por exemplo, for um produto industrializado, partimos do princípio anterior, da cadeia produtiva. Se for industrial de origem animal, pior ainda. Talvez subir na árvore para pegar a fruta, como Adão fez, seria, talvez, talvez, talvez, algo ecológico. Para o ecológico “nato”, não se esqueça de não viciar esse processo, senão isso se torna uma nova manufatura.

Nada de consumir energia. E energia limpa não existe, quando aplicada ao ser humano. Não existe. E energia hidroelétrica? Meu caro, nem sonhe em considerar energia hidroelétrica como energia “limpa”, senão será o mais antiecologista de todos. É impossível não gastar energia. Mas, para ser um ecológico “nato”, deve-se consumir o mínimo de energia, ou nada. Locomoção? Mundo global? Descartado. A grande questão ecológica é andar a pé. Nada de ficar viajando, se deslocando. Quando se desloca, gasta energia. Luz elétrica, chuveiro, carro, avião, eletrodoméstico, tudo que demanda energia deve ser descartado para o ecologista “nato”.

Água também não. Nada de beber água. Parte-se também do mesmo princípio dos alimentos. Balanço mássico. Você bebe a água limpa e elimina água não potável. Se quiser, pode fazer uma análise química da sua urina. Ah não, fazer análise química também é antiecológico. Tomar banho também é contra-indicado. Nada de descarga no banheiro, lavar roupa, pia, carro, calçada e molhar a plantinha do jardim. Todas são atitudes contrárias que fogem do escopo de um ecologista “nato”.

Ou seja, para ser um ecologista “nato”, já percebeu onde irá parar não é?

Grande abraço a todos.

P.S.: Saiba mais sobre o Sr. Aquecimento global.