Irresistível

26 julho, 2014 at 2:27 am (Darto") (, )

Dizem que o fanatismo consiste em redobrar seus esforços quando esqueceu-se o alvo.  É impressionante a eficácia mecânica que apresentamos quando paramos de pensar (por acreditar já encontrada a resposta [ que é  então única, óbvia, sacra e sobrepujante], ou por termos cansado, ou então por acreditar que o tempo já é absurdamente escasso)  e começamos a agir. Pausa.

Tinha medo de coisas “fúteis”. Ocupar a mente com elas parecia perigoso, improdutivo e socialmente aceito (encorajado). Acreditava que passar o tempo preocupando-se com coisas como dinheiro era extremamente desnecessário, sujo e limitante. Mas então pareceu que todo assunto tem a mesma importância esmagadora, ou a mesma futilidade, intrínseca, inevitável. Pausa.

E o tempo passa, reforça a noção de sua própria escassez, adiciona novas variáveis ao processo, mas a ação começou, e agora deve continuar, não pode ser desperdiçada, e surge a escolha da adaptação aos novos termos, ou da continuidade absoluta. Talvez não lembremos o que nos levou a agir, em primeiro lugar, qual era o objetivo, mas talvez “lembremos”, com as modificações que cada lembrança imprime nas memórias de longa data. A própria escolha de omitir-se, de permanecer na inércia, é ação.

Esse texto sabe, o tempo passou. O pensamento parou, mesmo tendo se intensificado. Mesmo após ter atingido o objetivo, fica aquela sensação de que nada foi cumprido, no tocante do conhecimento científico. Não que esteja perto de saber tudo o que quero saber, não que esteja perto de chegar na metade disso, nem no primeiro décimo, mas o vislumbre tornou-se realidade, felizmente a moral continua firme e na mesma linha, se fortalecendo a cada teste, a cada situação na qual se vê que os outros já desistiram há tempos, e que decidiram trilhar o caminho inverso, porque é mais prático e recompensador.

Não penso que mudei, mas sinto que não tenho tempo de ser eu mesmo para quem mais importa. Os amo ainda mais, após minha ausência. O pensamento mecanizado torna fútil até a mais nobre das tarefas, e chegar no lugar certo sem prestar atenção no caminho, e sem ter andado pelos outros que os cruzam, e que possibilitaram caminhar pelo atual, não faz sentido. Voltarei, com o sentimento de dever cumprido naquela tarefa que parecia a mais distante. Voltar possibilitará ir além em todas, até mesmo no já alcançado. Não existe ponto final. Apenas confundi com o sono inconsciente. Bom dia.

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O sentimento de hoje, da lembrança de ontem, para a verdade de amanhã

25 novembro, 2011 at 2:01 am (Darto") (, , , , , , , , , )

Tirar algo do nada. Do nada, nada. Do que foi vivido, tudo que foi, tudo que sou, tudo que pretendo. E não é pouco, e não é restrito a certa quantidade, muito menos ao tempo, a não ser o tempo de minha vida. Concordo que vejo pouco, e talvez, por isso mesmo, pouco sobre certas coisas é mais do que eu entendo, mas tudo sobre isso não é mais do que quero entender. A plenitude que planejo embute saudade, que é difícil mas imprescindível, é o lado da moeda oposto ao que me deixa estupefato, e ainda que sendo o oposto, incrivelmente me estupefaz. A placidez da aura opõe o turbilhão da mente, que só se contêm frente à resolução, à certeza, ao planejamento com objetivo óbvio, imutável, e que, para tal, se modifica a cada nova situação que se apresenta.

A vida é curta, as coisas são muitas, o mundo é grande, as pessoas são adimensionais, e eu contido na rotina fútil que me convenço ser apenas um degrau, uma fase que obriga a simplificar tudo que há, para produzir o que se precisa, para ganhar o que se merece, para atingir o que se almeja. E o que se almeja pode nem existir, pode ser aquele pedestal que ostenta algo que não é, porque ser aquilo tudo é impossível. É, já tentei acreditar nisso, mas não. A brecha mostrou que tudo aquilo era mais, muito mais, inexplicável, inimaginável, tudo que eu não sei, mas sei o suficiente para buscar. E falo sobre tudo aquilo de todas as coisas, de todas as pessoas.

É, quero conhecer, porque, além disso, pra que tudo? E conhecer tudo, e conhecer a cada vez, e quando parecer que já não há mais sobre aquele assunto, empenhar mais atenção e esforço do que nunca, porque é aí que começa-se a conhecer, de verdade.

E por tudo, por tudo isso, por tudo isso que não sei, que  não tenho, acabei já tendo, somente, a plenitude.

“Without beginning or end, the ring stretches into the infinite.”
Ace Combat Zero, The Belkan War

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O conhecimento através do tempo

12 novembro, 2009 at 10:10 pm (Darto") (, , , , , , , , , )

Eu já disse algumas vezes que, quando mais novo, via tudo mais preto e branco, e tudo o que era passado ou, no mínimo, mais velho que eu, representava uma sólida estagnação no tempo, passando um sentimento de equilíbrio e simplicidade.

Quando a intertextualidade começou a aparecer, separei minha nova visão da antiga, pensando que estava separando a minha visão daquela dos antigos. Como eles não viam o que eu via? Nessa interpretação estreita, julgava que o mundo estava em franca evolução, com cada vez mais conhecimento aparecendo, e os velhos recusando-se a reconhecê-los.

Mas as estórias dos mestres de kung fu apresentavam premissas inversas. O aprendiz que perdia seu mestre nunca se sentia preparado, tinha certeza de que muita sabedoria foi desperdiçada. Eu também concordava com isso.

A internet foi uma boa ferramenta para descobrir que minhas “novas” teorias já tinham sido criadas há tempos, com nomes diferentes e explicações mais simplificadas, mas lá estavam (um alívio perceber que eu não estava tão louco).

Não consigo decidir qual visão é a representação mais real da situação. A evolução tecnológica galga degraus em progressão geométrica, isso é certo, mas produção em massa não se traduz em sabedoria. Um pequeno grupo, quando muito, surge com a idéia, e ela se espalha como fogo selvagem pelo mundo. Há quem diga que conhecimento não se traduz em sabedoria*, e que a escolha do uso do conhecimento pela moral mostra quem é sábio ou não.

Muitos lobbys acabaram com a chance de novas tecnologias de alto rendimento econômico e ambiental, condenaram matérias primas de alto potencial ao mercado negro e desconhecimento. Grande desperdício, e aceito. Teorias da conspiração falam de fórmulas escondidas, tesouros perdidos e palavras proibidas. Há algo de verdade nisso, ou é tudo megalomania?

A difusão do conhecimento parece ser levada mais a sério do que nunca, o que representaria, por si só, o maior dos avanços já vistos. Ainda há quem tente monopolizar esse bem, mas o fazem escondidos e com vergonha. O grande inimigo do conhecimento é a própria massificação deste, como disse Lockhart. Obrigar o aluno a jogar o “futebol dos resultados” é transformá-lo numa máquina de fotocópia, e representa um perigo absurdo, pois aquele acha que conhece, acredita que engenha, mas nada mais é que um pedaço de argila na mão do acaso.

Cheguei a lembrar que o conhecimento não deve passar de uma formação peculiar de partículas no nosso cérebro, não deixando aí grande espaço para perdas, somente transformação. O que você acha, sabemos mais que nossos antepassados, ou o futuro nos reserva todas as respostas que ainda faltam?

Um grande abraço para todos!

*”Knowledge is convertible into power, and axioms into rules of utility and duty. But knowledge itself is not Power. Wisdom is Power; and her Prime Minister is JUSTICE, which is the perfected law of TRUTH. The purpose, therefore, of Education and Science is to make a man wise. If knowledge does not make him so, it is wasted, like water poured on the sands.” MDAASRF

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Alta pressão ou auto-opressão?

31 agosto, 2009 at 5:01 pm (Antropofobo)

Hoje estava eu calmo no quintal de minha casa pensando: a ditadura acabou a tanto tempo e eu fico aqui tão preso a banalidades cotidianas. Será que a opressão acabou? Acho que não. Acredito que ao invés de opressão governamental temos hoje uma “auto-opressão”, uma coisa que me faz ser parte de tudo. Que me faz sentir parte de um país corrupto só porque alguém dotado de sabedoria um dia soltou uma dessas por ai: “No nosso país temos políticos corruptos porque nós que os elegemos somos corruptos”. Eu não elegi ninguém, tenho o direito de não escolher – e ainda mais de considerar a “não escolha” uma escolha. Não quero ser parte de nada, quero continuar  divagando no meu quintal. Tenho o direito de ligar (ou não- a negação é uma escolha, talvez a mais óbvia) a caixa de surpresas e não escolher nem Roberto Marinho nem Edi Macedo. Não quero me culpar, ou me auto-oprimir por não ver o programa da moda. Me sinto livre de toda essa baboseira. Sei que estou cercado de pequenas ditaduras. Vendo um seriado muito interessante que retrata os anos 1960-1970 dos Estados Unidos (Anos Incríveis) percebi que nossa família é uma mini-ditadura, com regras impostas, com o poder executivo bem delimitado. E ao passar dos dias eu percebo, no meu trabalho também é assim, “tenho uma ótima idéia pra aplicar hoje” mas meu superior adora a palavra não! Até ai tudo bem, recebo por isso (elogios em casa, dinheiro no trabalho) mas até mesmo em minhas poucas diversões eu vejo uma mascarada ditadura, nas músicas que eu ouço, na roupa que uso, no cinema (Tim Burton ainda salva!!!), nas pessoas, nos olhares. Então me pergunto novamente, “será que a ditadura já se foi?” Ou mesmo “será que a ditadura brasileira foi tão incomum que seus traços permaneceram na história?”. Nem sei se isso tem algum sentido ou significado maior. Acredito mesmo é que não quero ser incomodado em minha casa, bem na hora da minha reflexão no meu quintal. E mais, que não foi a ditadura que permaneceu e sim a massa de manobra, termo pesado né? Não consegui encontrar outro, é isso mesmo. Enquanto um monte de robôs pensam que decidem o que bem querem na sua existência, na cultura, na política e sociedade do seu país, fico eu aqui só pensando no café que não quer ficar pronto logo. Não sou mais criança, não posso me esconder debaixo da cama e fingir estar tudo bem.

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Pastor Timóteo esteja convosco: Ele está no meio de nós!

27 agosto, 2009 at 12:53 pm (Crownedvic) (, , , , , , )

Olha ali! Vê aquele homem de bom coração que consegue, há 5 anos, com doces palavras, PROVAR que a vida é bela, que Deus existe, e que ser feliz é simples e fácil? E aquele ali, aquele ingênuo voluntário que abriu um blog (hoje cheio de assinantes) só pra dar esperança às pessoas que se sentiam desamparadas e carentes, e que as tem conseguido convencer que suas vidas só são difíceis e complicadas porque elas é que estão fazendo tempestade em copo d’água? E aquele ali, aquele famoso autor de livros de auto-ajuda que estão no topo da lista dos mais vendidos? E aquele outro, um exímio sedutor na área da lei da atração? – Cuidado!!! Por baixo de um daqueles benévolos sorrisos que transmitem tanta segurança, pode haver, ardilosamente oculto, o sorriso de um… Pastor Timóteo!!!

PASTOR TIMÓTEO VIVE!

Ele nasceu para pregar a harmonia, a ordem, a estabilidade emocional e a concórdia neste mundo tão caótico e perigoso! Ele está no meio de nós, cumprindo sua nobre missão! Ele está em todos os lugares! Ele é todos nós, assim como está em lugar nenhum e não é eu e nem você.

Há muito se vem falando que, no fim dos tempos, o lobo-mau sairá justamente de dentro da vovozinha menos suspeita. Por baixo de quais peles se esconde Pastor Timóteo? – Quem é, e por onde andará… Timóteo Pinto?

Será Zíbia Gasparetto um Pastor Timóteo que arrebanhou milhares de fiéis e, quando chegar o momento derradeiro, lançará impiedosamente uma maçã sobre todos eles? Ou será o padre da esquina um Pastor Timóteo que, após conquistar toda a comunidade na palma da mão, apenas esperará pelo momento oportuno pra dar um peteleco nesse seu rebanho e mandar todos pro fundo do abismo?

Pastor Timóteo está à solta! Pastor Timóteo, nosso sorrateiro Loki; Pastor Timóteo, o maestro! Em qual vovozinha o povo poderá confiar, a partir de então? – Já não se pode mais seguir demagogos com segurança, Pastor Timóteo pode ser um deles… E agora?????

Pastor Timóteo já está, neste exato momento, realizando brilhantes cultos no Reino dos Céus, à direita, e à esquerda, de Deus-Pai-Todo-Poderoso. Pastor Timóteo já tem seu trajeto traçado, e algum dia pegará todos os anjos de surpresa – quando, finalmente, cairá de volta, juntamente com todos eles, nas profundezas do inferno!!!…

Pastor Timóteo esteja convosco; Ele está no meio de nós!

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Escorracemos a Felicidade do nosso paraíso!

16 agosto, 2009 at 11:23 pm (Crownedvic) (, , , , , , , , , )

Bom, este texto foi inspirado por uma pergunta que, certo dia, um amigo em meio a uma conversa fez a mim:

“…Você é feliz?”

_  Não, cara, a felicidade fede. Nunca desejarei ser feliz, e seria bom que muita gente também não desejasse isso.

“Mas o que quer dizer com isso?”

_  Rapaz, antes de qualquer coisa, é bom perguntarmos: afinal, que diabos é a felicidade? Sei que trata-se de algo bastante subjetivo. Para um masoquista, felicidade é levar sopapos na cara, para um marido bunda-mole, idem; para uma dona-de-casa puritana, é fazer sexo sentindo culpa e sem sorrir e respirar, e assim por diante… Claro que estou fazendo uma explicação bem rasa, mas é só pra você entender de qual “tipo” de felicidade estou falando.

Para a reflexão que quero trazer aqui, deixo claro que a “felicidade” em questão é aquele “conceito oficial”, adotado pela sociedade estabelecida, almejado por leitores de livros de auto-ajuda, supostamente conhecido pelos autores desses livros, por conformistas, onisatisfeitos, protagonistas de comerciais felizes de creme dental, pela família Flanders, pelos seus vizinhos… Entendo esse tipo de “felicidade” como o “conceito oficial”, assim como o monoteísmo católico considera qualquer divindade, que não seja o próprio deus católico, ilegítima: assim como sou ateu, sou também um baita de um infeliz…

Pois bem, tratando desse “conceito oficial” que nossa cultura tem para felicidade, não consigo vê-lo senão como um sintoma de desespero, aflição, repugnância à própria vida. Nada mais que um grito de dor e tristeza, até mais triste que a própria tristeza. Já percebeu como o mundo inteiro rasteja, até agora, atrás dessa tal “Felicidade”? Todo mundo ama a Felicidade, passa a vida inteira em busca dela, morre, em muitos casos ainda esperando encontrá-la após a morte, mas ninguém sequer a viu senão como um sorrateiro vulto… A Terra já deu inúmeras voltas em torno do sol, templos e civilizações ergueram-se e se extinguiram diante da impassividade da natureza, e até agora o povo não parou de arrastar atrás da Felicidade.

Momentos que poderiam ser inesquecíveis passam, um após o outro,  como poeira diante daqueles milhares de olhos  que se perderam no sonho, na esperança de que, algum dia,  o esperado “momento sagrado” se manifeste e transforme completamente a vida – e enquanto isso, a própria vida aos poucos se despede, se mingua e vai perdendo seus traços, sumindo em forma de uma negra silhueta na linha do horizonte como um navio destinado a ir embora. Será a Felicidade uma cadela ágil demais? – Não, não é uma cadela, e nem é coisa alguma, e é por isso mesmo que até agora não foi alcançada. A Felicidade não é coisa alguma!

Não se pode alcançar idealismos que não se materializam; a Felicidade é nada além de utopia. O “momento sagrado” acontece agora, e agora, e agora, e agora… Mas o povo prefere virar as costas e dizer, a cada “agora”, um “não, obrigado, ainda estou esperando a Felicidade chegar!“…

Vivemos num mundo hostil, podre, que causa náuseas. Embora muita gente consiga camuflar tal visão, algo me diz que notar o aspecto repugnante da existência ao estar vivo é uma condição tão intrínseca à nossa espécie como é a de respirar. E, se sociedades inteiras conseguem moldar máscaras sobre o aspecto desagradável detectado, não é por isso que por baixo dessas máscaras a realidade não esteja podre como sempre foi. Dizer sim à podridão, o que significa dizer sim à vida como ela é, sem subterfúgios em mundos fantasmagóricos e embriagantes é, portanto, dizer não à maldita Felicidade. E é por isso que odeio profundamente essa tal Felicidade…

Escorracemos a Felicidade das nossas casas! Querer ser Feliz é um sintoma de doença, é querer se privar dos próprios sentidos para suportar aquilo que eles já não mais suportam. Em vez de procurar pela Felicidade, devemos aceitar e desejar o caos, a inconstância, a ruptura, a crise, o movimento, a destruição – a criação! É disso que precisamos! De exuberância, de riqueza! É isso que nos liberta e faz de nós os herdeiros da Terra!

Arremessemos brasas aos céus para que os anjos acordem, um a um, nestas labaredas impiedosas e queimem! O paraíso está aqui em baixo, e não em lugar nenhum! Felicidade não passa de morfina, delírio, sonambulismo, coma induzido. Vamos assassinar a Felicidade, essa deusa pálida, raquítica e perversa!…

Não queiramos ser Felizes, queiramos ser vivos, queiramos respirar e transpirar, queiramos sangrar, queiramos cair, – queiramos sentir!

Não sejamos Felizes, sejamos trágicos!

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<Post relacionado que já escrevi aqui>

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Eu estou bem aqui!

8 agosto, 2009 at 12:03 am (Antropofobo)

Depois de falar sobre a antropofobia pra vocês quero mostrar um pouco sobre o  ser que vive em mim como uma forma de me apresentar, primeiros posts aqui nestas bandas de cá. Entonces vou mostrar um pedaço de um conto antigo meu.

Não converso com pessoas desde os vinte e um anos de idade. Não preciso deste contato. Sei qual a doença que podem transmitir com as palavras, prefiro não usá-las. Tenho uma filha, que nunca me viu. Tenho um apartamento, gelado e vazio. Meus livros – meus companheiros. Não sei mais quem são meus pais. Perdi meus amigos, sou egoísta demais para admitir que erro. Não trabalho mais, sou um insano para eles. Comprei algumas coisas com um dinheiro que consegui juntar. A coleção do Verne pra viajar. Fernando Pessoa pra me entender. Fui ver o mar sozinho e no dia seguinte algumas pessoas apareceram no mesmo lugar e então senti necessidade de estar em minha casa. Todos os dias, quando amanhece eu durmo. Não estou bem certo se devo continuar a contar o que me aflige, se é que irão entender. Mas, a tinta da caneta é o suficiente pra terminar. (De “Ao menos me deixa explicar” Felipe , 2009).

Até, e que a maçã esteja sempre em nossos bolsos nos locais públicos!

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Antropofobia, uma doença grave no nosso lindo mundo!

7 agosto, 2009 at 11:44 pm (Antropofobo)

Quero deixar claro que antropofobia é uma doença séria e está se espalhando de forma endêmica pelo mundo. Porém, devemos prestar bem atenção aos sintomas corretos, pois pseudos-casos (como losermanite aguda ou hiperdepressãoporfaltadeumablusanova)  estão surgindo por ai, só dificultando para real luta contra essa maleficência no nosso lindo mundo atual.  Quando o homem completa sua indignação e a sua sensibilidade autocrítica extrapolando os limites do viável, começa a aparecer os primeiros  sintomas.

Em seguida uma lista dos principais sintomas da antropofobia crônica:

  1. Indignação ao ver pessoas sorrindo ao escutar músicas felizes em lugares felizes;
  2. A arcada dentária trava, impossibilitando, também, a comunicação com seres felizes;
  3. Uma música começa a tocar em volume máximo dentro da cabeça e o refrão é “Morte a todos, morte a todos – que o mundo acabe agora!”
  4. Por fim, a pessoa se trancafia em um lugar quente da sua mente e por ali fica sem perceber que existe algo ao seu redor.

Se alguém souber de algum caso como este ligue para o número Blá Blá Blá e fale com “casa”! Com todas nossas forças iremos acabar com esta doença mortal que ataca a nossa linda humanidade.

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Para os “Superficialistas”

8 julho, 2009 at 11:57 am (Santaum) (, , , , , , , , , , )

Basta andar nas ruas para um “superficialista”, em algum momento, te observar. Ele, inclusive, faz questão de te olhar de cima para baixo. Para o “superficialista”, após esse cruzamento espacial tão repentino, a probabilidade de que, impreterivelmente, uma crítica destrutiva saia da sua boca é muito grande.

O “superficialista”, quando chega na sua casa, pode ter duas reações: ou continuar do jeito que ele é ou, num milagre, expor os seus pontos fracos. Se, na sua casa, vocês dois estão sozinhos e, principalmente, se tem uma amizade relativamente íntima a ponto de um se abrir pro outro, o “superficialista” baixa a guarda e, timidamente, aponta as suas fraquezas como qualquer outro ser humano. No entanto, na rua, nos bares, nos restaurantes e nas baladas, o “superficialista” aparenta ser a pessoas mais confiante do mundo, está sempre ereto com os ombros para trás, o peitoral estufado para a frente e a cabeça erguida, convencido de que o seu eu é poderoso e que está bem consigo mesmo. Afinal, pra que revelar aos outros que tem fraquezas e que em várias situações de sua vida perde e fracassa?

Na hora de almoçar no restaurante, o “superficialista” faz questão de seguir aqueles padrões chatos e antigos de etiqueta. Por hora, e se tiver condições para isso, não abdica de maneira alguma da sua estratégia de sempre ficar por cima dos outros. Nessas situações, ostentar não faz mal. Afinal, pra que perder a oportunidade “social” de deixar a pessoa do lado para baixo?

O “superficialista” sempre é forte e nunca fracassa. Sempre vence. Nunca perde, mesmo que isso esteja somente na cabeça dele. É um ser humano que não acredita, mas praticamente tem certeza de que ele é o melhor e “o resto não é nada”. Essa é a sua grande motivação: ficar sempre pra cima e deixar os outros sempre por baixo, mesmo que isso fique somente no seu pensamento. Não existem as palavras “malogro”, “frustração”, “derrota”, “perda” no vocabulário do “superficialista”, apenas “beleza”, “poder”, “vitória”, “prazer”, “felicidade” e “riqueza”. Costuma dizer frases como “vou fazer isso porque dá dinheiro” e “eu sou mais eu” no dia-a-dia, e é de praxe soltar uma expressão para inferiorizar quem está à sua volta, pelo menos emocionalmente, mesmo que a pessoa que esteja diante dele não perceba.

Seus grandes parceiros são a “vida social” em restaurantes e baladas, o álcool, a elegância material e o dinheiro. Talvez esse último seja o seu grande amigo. As futilidades materiais são o seu grande prazer. Afinal, qual é o problema de pagar pela bebida mais cara do bar ou ter três carros na garagem, mesmo que não tenha necessidade? Em situações mais extremas, o “superficialista” pode até recorrer às drogas, pois é um ser humano e tem fraquezas. “Válvulas de escape” são fundamentais para o “superficialista”, principalmente se ele tiver perto do outro. Então, para manter o ego sempre alto, é necessário recorrer a essas “ferramentas” para pelo menos enganar seu cérebro e dizer a si mesmo que sempre está bem e forte.

Alguns “superficialistas” que têm dinheiro gostam de ostentar, enquanto aqueles que não tem, por sua vez, fazem de tudo para tê-lo. É como se fosse o objetivo maior de vida, mesmo que seja necessário passar por cima de algumas situações inconvenientes. Talvez essa seja a situação mais delicada para o “superficialista” que não tem essa riqueza material que tanto almeja. Por dentro dessa casca chamada de pele, o “superficialista” lamenta profundamente o fato de não ser uma pessoa rica e não ter luxos, mas por fora está sempre forte, principalmente se alguém estiver perto dele. Esse é o grande diferencial do “superficialista”, pois sempre esbanja para os outros pujança e poder, mesmo não apresentando isso dentro de si mesmo. Ele sempre está bem. É como se sozinho vivesse por ele mesmo e diante dos outros criasse um personagem chamado de “superficialista” ou estivesse diante uma máscara de carnaval com um sorriso enorme subentendido como “eu sou forte” e “eu sou o melhor”.

Diante de tais circunstâncias e principalmente pelo fato de testemunhar, a todo momento, suas atitudes, mando essa singela carta aos “superficialistas”.

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Cidadania

30 junho, 2009 at 2:10 pm (Marcílio) (, , , , , )

Cidadania é o conjunto de direitos e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação a sociedade em que vive.

Cidadania pressopõe todas as implicações de uma vida em sociedade.

Eu sou um cidadão brasileiro, portanto tenho direitos e deveres políticos que respeitem o Estado brasileiro. Mas, que direitos e deveres são esses? Hoje cedo depois de ler um texto sobre sociedade, fiquei me indagando: Qual a minha importância na sociedade? Que importância a sociedade tem pra mim? Questões profundas que merecem reflexão.

A nacionalidade é pressuposto da cidadania. Assim, ser nacional de um estado é condição primordial para o exercício dos direitos políticos. Eu sou brasileiro e no Brasil os direitos políticos são regulados pela Constituição Federal.

Cidadania é um conceito profundo e de difícil entendimento.

Pense você. Para a sociedade é melhor que eu estude ou é melhor que eu trabalhe? O Estado brasileiro valoriza mais o cidadão estudante ou o cidadão trabalhador? Trabalhador no Brasil, você pode ser desde muito cedo, desde os dezoito anos de idade se eu não estiver enganado. E estudante? Estudante você pode ser durante a vida toda. Sendo estudante você não estará contribuindo e sim se beneficiando. Você terá saúde e educação oferecidas pelo Estado por exemplo.

Qualidade, e se pensarmos em qualidade? A contribuição que eu dou como trabalhador, retorna na forma de educação e saúde de qualidade? Aliás quem avaliará o meu valor como trabalhador? Quanto mais tempo eu estudar, mais valerá a minha mão de obra, mais contribuição eu darei ao Estado como trabalhador e mais deveria ser o meu benefício, você não acha?
Cidadania é um conceito profundo e díficil de entender.
Veja a corrupção. Você gostaria de contribuir para que o seu benefício vá para outra pessoa? Seria a mesma coisa de pagar a escola do filho vizinho. Todo fim de semana, comprar a cerveja para o seu vizinho tomar e dependendo do imposto, comprar também a carne para o churrasco dele. Cidadania é isso?
Afinal, os corruptos são cidadãos? Quem tem mais valor para sociedade: um corrupto ou um estudante?
Cidadania é um conceito profundo, muito profundo.

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