Safado. Demasiado Safado!

17 outubro, 2007 at 8:37 pm (Santaum) (, , , , , )

O ser humano é um bicho interessante e “safado”. Demasiado “safado”, no bom sentido.

Para esclarecer melhor a esperteza do ser humano, é necessário definir alguns conceitos fundamentais.

O primeiro deles é o balanço de massa, conhecido também como balanço de matéria. O que é isso? É uma equação matemática bastante simples que até uma criança é capaz de entender. Entretanto, quase ninguém reconhece a sua abrangência e magnitude. O balanço de massa diz que o que entra menos o que sai, mais o que é gerado e subtraindo o que é consumido, em termos mássicos, é igual a um acúmulo.

Em outras palavras, é simplesmente conservação de massa. Você pode, por exemplo, fazer uma experiência em você mesmo. Imagine que você seja esse sistema, onde entra algo, sai algo, alguma coisa é consumida e quiçá gerada. Será que haverá algum acúmulo?

Outro conceito é o balanço energético, ou balanço de energia. Na verdade o balanço de energia já abrange uma terminologia um pouco mais complexa, mas se for pensar bem, não é tão complexa assim. Conhece a tão famosa primeira lei termodinâmica? É basicamente aquilo lá. Super grosseiramente, é aquela simples diferença entre uma forma de energia em trânsito denominada calor e outra denominada trabalho. Ou melhor, essa diferença de energia é avaliada através do outro termo da igualdade e é, rigorosamente, o acúmulo. Porém, neste caso, este termo é a variação da energia interna de um sistema. Em outras palavras, o balanço energético é baseado na teoria clássica da conservação da energia.

O que mais interessa aqui é o acúmulo. Quando o acúmulo é nulo, podemos dizer que o regime daquele sistema é estacionário. Imagine você comendo um quilo de chocolate e evacuando exatamente a mesma quantidade. Nada de acúmulo. Pode-se dizer que, neste caso, o seu corpo ficou em estado estacionário. Ou seja, seu corpo não acumulou nada. O que entrou, saiu. Esse conceito pode se estender para inúmeras aplicações.

Da mesma forma a energia. Podemos considerar e imaginar, novamente, seu corpo. Desconsidere seu metabolismo. Desconsidere também a manutenção da temperatura do seu corpo a mais ou menos 36oC. Considere, também grosseiramente, que o acúmulo do seu sistema seja justamente a variação da sua energia interna. Pois bem, se não existe nenhuma troca de energia, seja na forma de trabalho ou calor, ou radiação, ou o que for, a variação da energia interna do seu corpo é nula.

Na verdade tudo isso acontece? Não.

Nosso corpo é um bicho safado. Esperto. Se dispõe de um metabolismo próprio que satisfaz às atividades do corpo. Para que seu corpo trabalhe bem, é necessário manter a temperatura a mais ou menos 36oC. Consequência disso? Seu corpo tem, por obrigação, que armazenar energia para que a temperatura do seu corpo se mantenha no ponto ótimo. Para isso, é necessário que entre energia. É justamente aí que está a “safadeza”. O que entra não é igual o que sai. Existe um acúmulo. Lembre-se que o acúmulo pode ser negativo, como também positivo, ou nulo.

O mesmo para a massa. Um ser humano nasce, necessita de nutrientes para sobreviver. Ele cresce. Fica adulto. Para isso, é necessário acumular massa no seu corpo. Se acumular demais fica gordo. Caso contrário, fica magro. O quilo de chocolate, ou qualquer coisa que o ser humano ingere não sai na mesma quantidade, muito menos qualidade. Na realidade isso nunca acontece. O ser humano é tão safado que absorve o que lhe interessa e joga fora o que não lhe é desejado. Contamina o meio ambiente. Absorve O2 e emite CO2. Bebe água potável e elimina uma água suja, com resíduos que ele mesmo criou e, consequentemente, rejeitou. Bicho safado.

O homem absorve a energia que somente lhe interessa, justamente pra mantê-lo em condições ideais de vida. Não somos auto-geradores de energia, nem mesmo auto-geradores de massa. Somente auto-consumidores. Para isso, é necessário equilibrar a equação do balanço de massa com a famosa entrada, para dar nulidade ao acúmulo. Nosso corpo deseja o equilíbrio. Ele busca, mas não consegue por si próprio. Por isso depende do meio para se equilibrar.

O consumo energético médio de um ser humano adulto é de 2.000 kcal (2,33 kWh). Se multiplicarmos a quantidade de energia que cada um gasta pelo número total de habitantes, a raça humana (7 bilhões) necessita consumir diariamente, no seu total, 16.282.000 kWh. Sem contar os excessos, como aqueles para a manutenção do seu conforto. Afinal, o homem descobriu que necessita de conforto para viver bem. Descobriu que nunca fica satisfeito com nada. E que sempre quer mais. Mas por favor, não faça igual ao Sr. Aquecimento Global, que consumiu no ano de 2006, na sua residência, 221.000 kWh. Para fins comparativos, repare a conta de energia da sua casa.

Pensamento consome energia. Vou parar por aqui porque já consumi energia demais.

Grande abraço a todos.

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O Ecologista “Nato”

19 setembro, 2007 at 1:02 pm (Santaum) (, , , , , , , , )

Por Santaum!

Digamos que seja impossível ser um ecologista “nato”. Vejamos o porquê.

Primeiramente, você tem que parar de respirar. Quando você respira, emite CO2 na atmosfera e absorve O2. CO2 é um dos gases do efeito estufa. Pesquisas mostraram que o teor de CO2, ao longo dos anos, na atmosfera, aumentou com o crescimento da humanidade.

Ter filhos também está descartado, pelo mesmo raciocínio anterior. Quanto mais pessoas, mais CO2 na atmosfera. Além disso, mais resíduo, como por exemplo lixo doméstico. É uma atitude antiecológica ter filhos.

Você não deve consumir nada, absolutamente nada. Produtos industrializados, por exemplo, são provenientes de processos de fabricação. E todo processo de fabricação altera o estado natural da natureza, mesmo que essa alteração seja mínima. Processamento “limpo”, rigosoramente, não existe. É igual essa história de carro ecológico, não existe isso. Para se produzir um carro, não se esqueça de lembrar da sua “lataria”, dos itens de conforto (couro, por exemplo), da borracha petroquímica, que demandaram processamento de matérias-primas como petróleo, hematita, carvão mineral, absolutamente poluentes.

Alimentos estão inseridos nos itens de consumo. Nosso corpo é esperto, e é um sistema em escoamento (aberto). O que não interessa para o nosso corpo é descartado. Evidentemente existe acúmulo, senão não existiria “gordinhos”. O acúmulo faz parte da equação fundamental do balanço de massa, ou seja, da nossa cadeia alimentar. É o chamado regime transiente, ou não estacionário. Mesmo assim, considerando um acúmulo mínimo, para ser um ecologista “nato”, pare de se alimentar. Se, por exemplo, for um produto industrializado, partimos do princípio anterior, da cadeia produtiva. Se for industrial de origem animal, pior ainda. Talvez subir na árvore para pegar a fruta, como Adão fez, seria, talvez, talvez, talvez, algo ecológico. Para o ecológico “nato”, não se esqueça de não viciar esse processo, senão isso se torna uma nova manufatura.

Nada de consumir energia. E energia limpa não existe, quando aplicada ao ser humano. Não existe. E energia hidroelétrica? Meu caro, nem sonhe em considerar energia hidroelétrica como energia “limpa”, senão será o mais antiecologista de todos. É impossível não gastar energia. Mas, para ser um ecológico “nato”, deve-se consumir o mínimo de energia, ou nada. Locomoção? Mundo global? Descartado. A grande questão ecológica é andar a pé. Nada de ficar viajando, se deslocando. Quando se desloca, gasta energia. Luz elétrica, chuveiro, carro, avião, eletrodoméstico, tudo que demanda energia deve ser descartado para o ecologista “nato”.

Água também não. Nada de beber água. Parte-se também do mesmo princípio dos alimentos. Balanço mássico. Você bebe a água limpa e elimina água não potável. Se quiser, pode fazer uma análise química da sua urina. Ah não, fazer análise química também é antiecológico. Tomar banho também é contra-indicado. Nada de descarga no banheiro, lavar roupa, pia, carro, calçada e molhar a plantinha do jardim. Todas são atitudes contrárias que fogem do escopo de um ecologista “nato”.

Ou seja, para ser um ecologista “nato”, já percebeu onde irá parar não é?

Grande abraço a todos.

P.S.: Saiba mais sobre o Sr. Aquecimento global.

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